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Tudo sobre o envolvimento da Blizzard com os protestos de Hong Kong

Mei, de Overwatch, se tornou um símbolo do movimento social
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Reprodução
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[ATUALIZADO]: Nesta quarta-feira (16), a Blizzard baniu o time universitário que fez protesto a favor de Hong Kong durante um torneio. Com a punição, o time está impedido de disputar torneios oficiais do jogo por seis meses.


Os protestos que pedem a independência de Hong Kong, na China, se intensificaram neste mês de outubro e atingiram até mesmo os esports. Na última segunda-feira (7), o pro player Chung "blitzchung" Ng Wai foi banido da Hearthstone Grandmasters após ter se manifestado ao vivo a favor do movimento social. Em resposta ao banimento, fãs da Blizzard passaram a promover boicote aos jogos da empresa, além de utilizar a imagem de Mei, de Overwatch, na divulgação das manifestações.

O Versus reuniu todas as informações sobre o envolvimento entre os acontecimentos políticos e a desenvolvedora, que se pronunciou oficialmente sobre o caso neste sábado (12).


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O movimento que pede a independência de Hong Kong da China é uma pauta recorrente na região. As discussões sobre o tema voltaram à tona no último mês de junho, quando a chefe do Executivo Carrie Lam apresentou um projeto de lei que autoriza a justiça local a deportar cidadãos condenados a países com os quais Hong Kong não tem acordo de extradição - incluindo Macau, Taiwan e China continental.

Os conflitos se intensificaram em outubro, quando Lam invocou uma lei de 1922 que proíbe o uso de máscaras em manifestações. Desde então, os cidadãos estão cobrindo seus rostos em negação à decisão, ação simbólica para o movimento.

Foi com uma máscara de gás e óculos de proteção no rosto que o pro player Chung "blitzchung" Ng Wai, original de Hong Kong, protestou ao vivo durante uma entrevista pós-jogo da etapa Ásia-Pacífico do Hearthstone Grandmasters. Retirando a máscara do rosto, ele gritou: "Libertem Hong Kong, revolução da nossa era!".

Foto: Reprodução
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Em um primeiro momento, a Blizzard baniu o jogador das competições oficiais do jogo de carta até 5 de outubro de 2020 e o impediu de receber qualquer premiação da segunda temporada do Grandmasters. Além disso, a desenvolvedora excluiu o vídeo da transmissão dos seus canais e demitiu os dois casters que estavam ao vivo durante a entrevista de blitzchung.

De acordo com a empresa, a manifestação do pro player infringiu a seção 6.1. do regulamento da Hearthstone Grandmasters, que proíbe "envolver-se em atos que, a critério exclusivo da Blizzard, traz descrédito ao público, ofende uma parte ou grupo do público, ou se não, compromete a imagem da Blizzard".

A atitude foi recebida com revolta por parte de funcionários e fãs da empresa, sendo interpretada como uma tentativa de agradar o público consumidor chinês. Desde então, a comunidade tem se manifestado através de fanarts, vídeos, textos e outras criações pedindo pelo boicote à Blizzard.

Em pouco tempo, a comunidade elegeu Mei, de Overwatch, como símbolo do protesto. Mesmo sendo original de Xi'an, na China, os fãs viram potencial na personagem para representar sua insatisfação com a escolha da empresa de banir blitzchung.

Ilustrações e montagens que mostram a heroína usando máscaras e as cores da região se acumulam no reddit r/HongKong. Uma das fanarts (veja abaixo) traz uma mensagem pedindo boicote à desenvolvedora: "Nenhuma corporação é sua amiga, não importa se eles fazem algo que você gosta" (em tradução direta do inglês).

Outro fã adicionou cenas das manifestações no curta animado de Mei (assista completo aqui), fazendo parecer que a heroína está aceitando o chamado de se unir ao movimento.

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Alguns jogadores procuram, ainda, fazer com que a empresa se complique com o governo chinês. "Seria uma pena se a Mei de Overwatch fosse transformada num símbolo pró-democracia e fizesse com que os jogos da Blizzard fossem banidos na China," diz uma postagem no Reddit.

Dentro da Blizzard, alguns funcionários têm se manifestado contra a atitude da desenvolvedora. A estátua de Orc que fica na frente da sede da empresa Irvine, nos Estados Unidos, conta com as mensagens "pensem a nível global" e "todas as vozes importam" inscritas. Nos dias que se seguiram após o banimento de blitzchung, elas foram cobertas com folhas de papel.

O jornalista Kevin Hovdestad postou uma foto das frases cobertas. "Não são todos na Blizzard que concordam com o que aconteceu", diz o tuíte.


Além disso, alguns jogadores mostraram solidariedade e se uniram ao protesto de blitzchung. Durante um torneio universitário nos Estados Unidos, um jogador levantou uma mensagem na frente da sua câmera com os dizeres: "Libertem Hong Kong, boicotem a Blizz". Rapidamente, uma transição de tela tirou o jogo da transmissão.

Na quarta-feira (16), os jogadores que fizeram o protesto receberam o comunicado da Blizzard de que foram banidos de competições oficiais por seis meses.


Gif: Reprodução
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Neste sábado (12), a Blizzard publicou um comunicado oficial sobre o assunto. O artigo, cujo título é "Sobre o torneio Hearthstone Grandmaster do último final de semana", foi escrito por J. Allen Brack, presidente da desenvolvedora.

O executivo explica que "a transmissão oficial [dos nossos torneios] precisam ser sobre o campeonato e ser um lugar onde todos são bem-vindos. Em apoio a isso, nós queremos deixar nossos canais oficiais focados no jogo".

Além disso, Brack negou que os relacionamentos da empresa com o mercado chinês tiveram ligação com o banimento do pro player: "As visões específicas expressadas por blitzchung NÃO foram um fator na decisão que tomamos. Quero ser claro: nosso relacionamento com a China não teve influência em nossa decisão".

Na carta, a Blizzard também reconheceu que errou ao restringir blitzchung de receber sua premiação. Repensando a punição, a empresa diminuiu o tempo de banimento para seis meses e concedeu ao jogador a premiação de US$ 10 mil, referente ao que conquistou na segunda temporada da Grandmasters.


Será que o Overwatch está morrendo? Para discutir sobre as atuais condições do jogo e de seu competitivo, o Versus convidou Ana Carolina "Ana Xisdê" Cardoso, caster da Overwatch League e Overwatch Contenders, e Alicia "Mirsthy" Grucci, influenciadora do game. Assista ao debate acima.

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