League of Legends

Toxicidade e LoL: Riscos, causas e como lidar com esse mal que assola a comunidade

De acordo com especialistas, situações tóxicas pioram relação entre equipe e geram novos problemas
@iugahtk
Lucas Hagui
escreve para o Versus.
O comportamento tóxico pode não só levar à derrota, mas também acarretar problemas pessoais. Imagem: Reprodução/Riot Games
O comportamento tóxico pode não só levar à derrota, mas também acarretar problemas pessoais. Imagem: Reprodução/Riot Games

Os casos de toxicidade são ainda muito presentes nas comunidades de jogos online - podemos destacar League of Legends como um grande exemplo disso. Na última quarta-feira (23), a multa aplicada pela Riot Games em Filipe "Ranger" Brombilla e Gabriel" Tockers" Claumann - pro players do Campeonato Brasileiro de League of Legends - por atitudes que não condizem com as regras do jogo levantaram o tema.

Afinal, o que a toxicidade causa nas pessoas? Como a desenvolvedora do jogo lida com estes casos para que sua comunidade evolua? O Versus conversou com especialistas e jogadores de LoL para entender melhor os riscos, causas e como lidar com este tipo de comportamento nocivo.

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Uma agressão interfere não apenas na performance do jogador, como pode impactar toda equipe. Imagem: Reprodução/Riot Games
Uma agressão interfere não apenas na performance do jogador, como pode impactar toda equipe. Imagem: Reprodução/Riot Games

O psicológico da equipe

Como psicólogo do esporte e pesquisador científico de eSports, Alberto Santos- ex Vivo Keyd e CNB eSports Club - alerta que é difícil comentar sobre o assunto sem fazer uma análise profunda da situação do jogador.

Dentro da partida, por exemplo, o comportamento tóxico de apenas uma pessoa no time "pode desequilibrar todo mundo", por "gerar ansiedade em um jogador, fazendo-o não analisar as situações dentro de jogo e resultando na queda de desempenho". Além disso, cria-se um ambiente que pode acabar com o trabalho e confiança da equipe.

E os pro players, devem ser encaixados como jogadores comuns? Para Alberto, quem pratica a modalidade em nível profissional sofre outras questões, como ataques da comunidade e pressão por resultados:

"O que podemos supor está relacionado ao ambiente comum a todo jogador profissional. Um comportamento tóxico representa uma agressão ou tentativa de controle a uma situação em que há ou houve punição [derrota]. O ambiente de pressão porresultados pode ser a condição para que o comportamento tóxico ocorra. De modo geral, essa pressão é sinalizada pelas possíveis consequências de uma derrota: agressão da comunidade e torcedores, comportamentos agressivos que podem partir do próprio time e apunição caso a vitória não ocorra."

Trecho do regulamento oficial do CBLOL que explica as penalidades a serem aplicadas aos pro players em caso de infração. Imagem: Reprodução/Riot Games
Trecho do regulamento oficial do CBLOL que explica as penalidades a serem aplicadas aos pro players em caso de infração. Imagem: Reprodução/Riot Games

League of Legends vs Vida real

Apesar de League of Legends ter suas próprias regras de conduta e o Campeonato Brasileiro de League of Legends possuir um regulamento único para pro players e times, a Riot Games aplica punições similares à justiça brasileira.

Segundo a advogada Leonor Ramos Sério, crimes contra honra (artigos 138, 139 a 140 do código penal) também são punidos com multas, assim como aconteceu com Filipe "Ranger" Brombilla e Gabriel" Tockers" Claumann:

"Por mais que exista a detenção, a forma mais utilizada de lidar com tal comportamento é a cobrança de multa - que pode durar de um mês até dois anos - para quem praticou o ato. Desta forma, creio que a multa foi muito bem aplicada por conta de seguir as diretrizes usualmente tomadas em situações de crimes de honra. "

De acordo com o jurista Mário Sobreira, que também joga LoL e entende como a comunidade brasileira funciona, os motivos do castigo poderiam ser mais severos:

"A Riot bane as contas, mas num geral vejo pouca efetividade nessa fiscalização. Se for analisar as situações [dentro de jogo] que acontecem muito, principalmente de racismo e intolerância em um geral, assim como homofobia e até preconceito de mulheres jogando, percebemos que as punições são diferentes em comparação a acontecimentos presenciais."

"Tais situações parecidas na vida real são basicamente consideradas crimes e as pessoas são penalizadas; sofrem processo penal, por exemplo. Porém, por se tratar de um ambiente virtual, é um processo totalmente vagaroso, principalmente por estarmos no Brasil", finaliza Sobreira.


"Eu perdi muita vontade de jogar  [...] quando percebi que eu me tornei um desses caras que dava 'rage'", diz jogador.  Imagem: Reprodução/Riot Games
"Eu perdi muita vontade de jogar [...] quando percebi que eu me tornei um desses caras que dava 'rage'", diz jogador. Imagem: Reprodução/Riot Games

Casos de toxicidade

Condutas desrespeitosas estão além do CBLoL e, quando acontecem com jogadores amadores, podem ter uma consequência na vida fora do jogo; visto que os invocadores não possuem a mesma estrutura que as organizações propiciam aos pro players, como psicólogos e treinadores.

O analista de suporte técnico Diego Maias Bonfim parou de jogar League of Legends em 2016. O motivo que o fez abandonar o jogo foram as diversas situações tóxicas que vivenciou.

"O primeiro trash talk [comentário negativo] que eu recebi foi na faculdade com pessoas que conheci no primeiro dia de aula", lembra o jogador de 25 anos. "Tentaram me ensinar algumas coisas que eu já sabia e começaram a mandar em caps lock que eu estava 'fod**do' e 'estragando' o jogo, sendo que havia avisado que não jogava bem."

"Também tive um amigo dentro de um grupo comum de conhecidos que, por não gostar de perder, me xingava mesmo em partidas contra bot", relata Diego.

A irmã do invocador também passou pela mesma situação, quando ainda tinha 13 anos. Depois do episódio, ela seguiu os passos do irmão mais velho e pausou suas atividades em League of Legends.

O caso de Ricardo Ares dos Santos, de 26 anos, é um pouco diferente. O jogador começou em LoL em 2012 e começou a ofender outras pessoas para responder os insultos que sofria em Summoner's Rift.

"Eu usava alguns suportes que nem sempre estavam no meta, e em toda partida ranqueada tinha alguém que me xingava ou tinha algum comportamento de toxicidade, não importava se eu jogava bem ou mal", diz Ricardo.

"Comecei a desgostar do jogo porque toda partida tinha alguém fazendo papel de idiota nas partidas. Eu perdi muita vontade de jogar LoL e tentei não ligar muito para isso, foi quando percebi que eu me tornei um desses caras que dava 'rage' [ação de descontar a raiva em forma de ofensas ou ações negativas] e decidi parar porque eu não estava mais me divertindo e sim descontando raiva nos outros."

Ricardo começou a descontar a raiva em objetos próximos ao PC - mouse, teclado e CDs - e seus amigos deixaram de jogar com ele. A pausa no game durou cerca de um ano e meio, porque a faculdade do invocador abriu vagas para um time universitário de LoL.

Driblando o rage

A Riot Games, desenvolvedora e responsável pelo jogo em nível mundial, já promoveu diversas ações para tentar melhorar e lidar com o comportamento tóxico de jogadores dentro dos campos de justiça.

Como exemplo, há eventos como o Acampamento Yordle (cujo objetivo é tornar o relacionamento de invocadores mais amigável), o Código dos Invocadores, que apresenta maneiras se comportar no LoL e também o lançamento do podcast GG!Cast, que trata de assuntos voltados a comportamento dentro do game (confira acima).

Mesmo assim, muitos jogadores não reportam atitudes negativas vividas em suas partidas, resultando em nenhuma mudança no cenário com a impunidade do invocador que atrapalhou o andamento do jogo.

De acordo com os rioters Presto e Mohrgan, que falam sobre toxicidade no vídeo acima, o ato de reportar os companheiros que não ajudaram na partida gera uma reclamação direta e facilita a resposta da Riot, seja com um aviso ou punição.

Assim, a melhor forma de lidar com o problema é sempre fazer sua parte respeitando outros invocadores, jogando em time e também enviando denúncias justificadas no fim dos embates.



Siouxsie Rigueiras é jornalista do Versus e chama invocadores de "cabeça de brócolis" quando fica brava em Summoner's Rift, siga-a no Twitter.

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