League of Legends

“Todo ano sempre fica mais difícil”, diz Envy sobre o futuro 1º split do CBLoL 2019

INTZ escapou do rebaixamento ao vencer a Pain na Série de Acesso
@biaacoutinhoo
Beatriz Coutinho
escreve para o Versus.
Imagem: Riot Games/Reprodução
Imagem: Riot Games/Reprodução

No último domingo (16), a INTZ venceu a Pain Gaming na Série de Acesso do 1º split do Campeonato Brasileiro de League of Legends 2019, o que garantiu a vaga dos intrépidos na série A e deixou a Pain em mais uma temporada do Circuito Desafiante.

A INTZ abriu as portas da sala de imprensa dos estúdios da Riot Games em São Paulo com sorrisos largos. Não era para menos, já que após duas derrotas em dias seguidos, a equipe havia cumprido sua missão final: a de não ser rebaixada para o Circuitão. O Versus conversou com os intrépidos e também com integrantes da Pain Gaming para falar sobre a série e os futuros desafios de ambas as equipes.

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Treinamento: gameplay vs mente

Acreditando que não fariam parte do confronto final na Série de Acesso, INTZ e Pain treinaram juntas durante mais de duas semanas, como confirmaram Shini e o jogador e treinador da Pain, Thiago “Tinowns” Sartori e Thiago “Djoko” Maia, respectivamente.

Mesmo que a INTZ já tivesse mostrado muito de seus jogos durante as séries contra RPG Gaming e ProGaming, Shini acredita que a INTZ venceu por saber inovar. Ainda assim, o fato da equipe ter participado da Série de Acesso, jogando três dias seguidos, incomodou os jogadores.

“[É ruim] porque você tem que mostrar muita coisa, não tem tempo de preparar coisas novas. Se desse pra ter um espaçamento maior, seria melhor”, disse Shini.

Já o intrépido Bruno “Envy” Farias acredita que, embora o sistema dificulte a questão do gameplay e do cansaço, é preciso enfrentá-lo: “Jogar três dias seguidos é bastante complicado porque não deixa os times terem descanso, mas também é demérito da equipe estar nessa posição. Se você for um time bom, deve aguentar todas essas partes ruins de estar na tabela debaixo, então se você realmente quer ficar no campeonato, deve se esforçar e não se importar com essas coisas.”

Para Shini, algo que ajudou muito a encarar os três dias seguidos de jogatina na luta pela permanência no CBLoL foi o preparo psicológico que Claudio Godoi, psicólogo da INTZ, passou para os jogadores: “Ele fez um exercício com a gente, no qual cada um escrevia num papel os medos que tem dentro do estúdio. Então a gente lia pra si mesmo, sem mostrar para os outros, amassava o papel e jogava no fogo”.

“Todo mundo fez isso e depois cada um escreveu uma mensagem em outro papel para o nosso ‘eu’ do dia seguinte, independente de ganharmos ou perdermos, era para o nosso ‘eu’ do futuro. Hoje, vamos chegar lá e provavelmente ler, isso foi bem legal, deu uma relaxada. Ajuda bastante porque o que a gente mais errou no primeiro e no segundo dias tem a ver com o psicológico. Nosso psicológico estava bem abalado, principalmente o meu, então acho que a gente precisava disso”, finalizou o jogador.

O sorriso de quem permanece no CBLoL | Imagem: Riot Games/Reprodução
O sorriso de quem permanece no CBLoL | Imagem: Riot Games/Reprodução

O futuro: CBLoL 2019

Reconhecer que 2018 não foi o melhor dos anos para a INTZ é importante. A equipe participou das Séries de Promoção do 1º e do 2º split neste ano, e após ir mal nesta última, disputou até mesmo a Série de Acesso. Dessa maneira, Absolut e Envy acreditam que o 1º split do CBLoL 2019 será difícil.

“O nível do CBLoL sempre vai ser muito forte porque querendo ou não, com a KaBuM indo fazer esse bootcamp na Coreia, isso pode ajudar bastante a evoluir o cenário. Antes, eram sempre só três times brigando pra ganhar, hoje, todos os times conseguem brigar para ganhar então acho que o nível emparelhou mais”, disse Absolut.

“Acho que todo ano sempre fica mais difícil porque a galera vai aprendendo mais coisas e melhorando. Acho que vai ser mais difícil porque terá time novo [Redemption de POA], mais criatividade e a KaBuM voltando do mundial com mais experiência e habilidade. (...) Vai ser divertido”, contou Envy ao Versus.

Além disso, os jogadores deram um veredicto final sobre o novo formato de séries melhores de três jogos (md3) com escalada, que está sendo utilizado desde o início da temporada de 2018.

“Eu não gosto muito porque acho que isso pode afetar um time que demora para engrenar no campeonato", contou Absolut. "Se acontece algo muito ruim, como o patch 8.11, embaralha tudo. (...) Mas acho justo, porque querendo ou não, se você fica em primeiro lugar, vai direto para a final."

Para Shini, o sistema é bom, mas ainda apresenta falhas: “A escalada é muito boa, mas acho que precisava ser md3 ida e volta. Acho que seria a única coisa que eu mudaria, porque mesmo que seja md3, ainda temos poucos jogos”.

A Pain precisará disputar o Circuito Desafiante novamente | Imagem: Riot Games/Reprodução
A Pain precisará disputar o Circuito Desafiante novamente | Imagem: Riot Games/Reprodução

Pain Gaming

Se a INTZ saiu dos estúdios com sorriso no rosto, o mesmo não aconteceu com a Pain. Indo para seu segundo split direto no Circuito Desafiante, a organização precisará se reinventar novamente para sobreviver a mais uma etapa na série B do CBLoL.

Para Tinowns, a maior dificuldade que a equipe teve foi encaixar o estilo de jogo com os outros pro players: “Começamos a treinar dois meses antes de começar o Circuitão, mas foi bem lenta a nossa evolução. Quando conseguimos encaixar bem o time, que foi nos playoffs, quando estava dando tudo certo nos treinos, chegou no campeonato e a gente não conseguiu executar o que tinha treinado”.

“Tivemos dificuldade em identificar nosso estilo de jogo e aplicá-lo no stage", explicou Djoko. "Às vezes a gente identificava em treino, mas não conseguia transportar isso pro palco, para os jogos oficiais. Outra dificuldade foi estabilidade. Mesmo quando a gente se adaptava e levava as coisas pro stage, não conseguíamos manter isso por muito tempo.”

De acordo com o técnico, a principal tarefa para 2019 será uma “reavaliação e mudança total de mindset (...) A gente tem que realizar algumas mudanças para pensar no LoL como dia a dia, para voltar a ser uma organização que vive o esport da forma mais plena possível. Identificar os erros que seguraram o jeito de jogar, pensar e trabalhá-los”.

Tinowns afirmou que a torcida tem razão em cobrar resultados | Imagem: Riot Games/Reprodução
Tinowns afirmou que a torcida tem razão em cobrar resultados | Imagem: Riot Games/Reprodução

Para Djoko, assuntos como mudanças na line-up que compõe a Pain atualmente são incertos: “Não sabemos como funciona a janela de transferências. Às vezes, você quer manter os cinco jogadores, mas um deles pode querer sair, talvez outro time tenha interesse, mas tenho certeza de que os jogadores e a comissão técnicas são muito bons de trabalhar. Todos têm muito valor, embora realmente as peças não tenham se encaixado na hora que as coisas precisavam dar certo”.

Questionado sobre a reação que a torcida da Pain estava tendo nas redes sociais, Tinowns afirmou que os fãs têm o direito de cobrar resultados: “Quando a gente está ganhando, a Pain é muito fiel mesmo, mas quando a gente está perdendo eles dão a cara a tapa e eles não estão errados nisso. É meio difícil sair daqui sabendo que vai estar todo mundo falando mal, mas são coisas com as quais pro players têm que lidar. Quando é crítica, a gente tem que lidar do jeito certo, e quando é elogio também, não pode deixar subir o ego.”

Com o fim definitivo do 2º split de 2018, o próximo grande torneio do cenário competitivo de League of Legends é o Worlds, mundial do MOBA, que será realizado na Coreia do Sul entre 1 de outubro e 3 de novembro. A KaBuM, campeã do 2º split, representará o Brasil na competição.



Bia Coutinho é redatora no Versus . Siga-a no Twitter em @biaacoutinhoo.

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