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Smash Ultimate: Brasileiro P7 explica por que Hero deve ser banido do competitivo

Personagem tem causado polêmica entre os jogadores profissionais
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Nintendo/Reprodução
Foto: Nintendo/Reprodução

O personagem Hero, de Dragon Quest, chegou a Super Smash Bros. Ultimate há cerca de um mês e já está fazendo muito barulho no competitivo do game da Nintendo. Especificamente, um de seus ataques tem sido criticado por conta da aleatoriedade e execução, o que traz vantagens e desvantagens àqueles que o usam em campeonatos.

A polêmica em torno do herói é tanta que há até especulações sobre um banimento de Hero em torneios - algo raro na trajetória competitiva da franquia. Para discutir esta possibilidade, o Versus convidou Paulo “Player7” Janini, pro player da ELZ1 Esports.

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Em 30 de julho, Masahiro Sakurai, criador da franquia Super Smash Bros, detalhou as habilidades de Hero em um vídeo de 20 minutos. Tudo corria bem até ele revelar as opções do Down Special (B+baixo) de Hero, “Spells”.

O golpe abre uma lista de 4 magias, escolhidas aleatoriamente dentre 21 opções disponíveis (isto mesmo, 21 feitiços). Cabe ao jogador selecionar uma delas e utilizá-la... e os resultados são os mais variados.

Esta habilidade gerou polêmica na comunidade competitiva de Smash por dois motivos principais: o fator aleatoriedade e a barreira do idioma.

Aleatoriedade

Cada uma das 21 magias possui características diferentes, incluindo dano, efeitos, probabilidade de acerto e custo de mana. Wack e Thwack, por exemplo, tem chance de nocautear o oponente instantaneamente. Por outro lado, Hocus Pocus, a magia mais rara, pode fazer com que o personagem fique gigante ou até que fique invisível.

Além de toda a aleatoriedade presente na habilidade Spells, Hero também conta com outra mecânica única: o Critical Hit, que faz com que todo Smash Attack (qualquer ataque usado com o botão A) tenha chance de dar mais dano e knockback, podendo nocautear o oponente a porcentagens baixas.

Tudo isto contribui para uma das mecânicas mais controversas dos jogos competitivos: o RNG (Random Number Generator) - ou, simplificando, a aleatoriedade ou sorte.

Gif: Reprodução
Gif: Reprodução

Barreira de língua

Outra questão que ainda gera polêmica acerca do personagem é a língua. Como a habilidade Spells abre um menu com uma série de magias, o idioma no qual elas estarão escritas será a mesma escolhida no console em que se está jogando.

Ou seja, se você configura seu Nintendo Switch com o inglês como padrão, as magias aparecerão em inglês; se ele está em japonês, elas aparecerão em japonês, e assim vai. A implicação disto é que, caso dois jogadores de línguas diferentes se enfrentem em um campeonato, aquele que tiver a língua nativa como a padrão do console terá vantagem.

Imagine, por exemplo, que você e seu adversário estão jogando com Hero em um torneio em que o jogo está em japonês. A não ser que você domine a língua, não entenderá quais magias foram listadas no ataque e estará em grande desvantagem. Da mesma forma, também é possível que um pro player main Hero japonês enfrente outro jogador em um campeonato em Paris, com a língua do console em francês.

Dentro da comunidade, alguns pontos e potenciais soluções para este problema foram levantados: o primeiro deles é que se defina uma língua mundial padrão para o jogo – no caso, o inglês. Porém, isto ainda não aconteceu na prática, visto que o último major japonês, Umebura SP4, foi rodado em japonês e contou com jogadores de Hero na disputa.

Outra possibilidade é que os pro players simplesmente decorem as magias do personagem em outras línguas presentes no competitivo. Um fator que pode facilitar este processo são os valores de MP (Mana Points), que são únicos de cada magia. No entanto, eles só aparecem quando você move o cursor do menu em cima deles, algo que é difícil de ser executado durante uma partida.

Partindo do pressuposto de que a comunidade competitiva não aderirá ao modelo de língua única nos consoles, não acho praticável nem saudável para o cenário ter um personagem que depende deste fator para ser jogado.

Vamos imaginar, por exemplo, um major realizado no Japão, valendo pontos para o ranking, com premiações exorbitantes e uma estrutura excelente para receber jogadores do mundo inteiro. No entanto, consideremos que o melhor jogador do Japão no momento é um Hero player. Você acha que os pro players do resto do mundo se sentiriam confortáveis de atravessar o mundo para competir, sendo que estariam em enorme desvantagem pela barreira de língua? Eu com certeza não estaria.

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Foto: Nintendo/Reprodução
Foto: Nintendo/Reprodução
Foto: Nintendo/Reprodução
Foto: Nintendo/Reprodução

Histórico de banimento

Ao longo dos anos, o cenário de Smash Bros. teve alguns casos interessantes de banimento de personagens, golpes, estratégias e elementos. Como muitos já sabem, o competitivo não usa itens e tem um número limitado de fases que podem ser usadas.

No caso das fases, os principais fatores de banimento são a presença de hazards (elementos que interferem ativamente na partida) ou o próprio design delas, que podem favorecer táticas de anti-jogo. Por estes motivos, por exemplo, que Smash 64 atualmente é jogado apenas na Dream Land, sendo que todos os outros stages são banidos.

Em relação aos itens, o principal argumento para a remoção deles é a questão de que recompensam a aleatoriedade, e não a habilidade. Imagine que você está jogando uma partida acirrada e uma estrela do Mario cai na cabeça do adversário, deixando ele invencível temporariamente. Não parece justo, certo?

O primeiro caso famoso de banimento de personagens aconteceu depois do lançamento de Super Smash Bros Brawl, de Nintendo Wii. O Meta Knight era melhor que todos os personagens por uma grande margem de diferença, o que tornava as partidas injustas em muitos casos. O banimento chegou ao Brasil, inclusive - no primeiro Gamepólitan, em 2012, em que fiquei com o título, o personagem estava banido, sendo que era meu main na época.

Durante os primeiros anos competitivos de Smash 4 para Nintendo Wii U, ocorreu um caso parecido com a Bayonetta, umas das DLCs do jogo. Embora ela não fosse tão mais forte que o restante do elenco, como era o caso de Meta Knight em Brawl, ela era a melhor lutadora do jogo e causou muita polêmica acerca do seu banimento.

Um ponto interessante de ser ressaltado é que outro fator pesou nos argumentos a favor do banimento da bruxa Umbra: os esports. Como nesta época a Twitch já estava em alta e a visibilidade dos torneios aumentou muito, a presença de Bayonetta em torneios diminuía o número de pessoas assistindo aos campeonatos e, em alguns casos, fez com que alguns perdessem o interesse no jogo.

Foto: Nintendo/Reprodução
Foto: Nintendo/Reprodução

Hero deve ser banido?

Quando comparado aos casos de Meta Knight e Bayonetta, há uma diferença fundamental na argumentação de banimento de Hero. Os dois primeiros eram os melhores de seus respectivos jogos, enquanto o protagonista de Dragon Quest é considerado por muitos apenas um mid-tier, ou seja, um personagem mediano.

Neste aspecto, o banimento do personagem se assemelha mais ao dos itens no jogo: por abusar de mecânicas baseadas em aleatoriedade, o Hero foi construído para recompensar a sorte em detrimento da habilidade.

Acho que Hero deve ser bloqueado dos campeonatos por não recompensar skill? Não. Porém, sou sim a favor do banimento do personagem, mas devido ao aspecto da barreira de linguagem.

Embora suas mecânicas realmente não sejam saudáveis para o competitivo, não acho que isto seja o suficiente para barrá-lo do jogo. Ele ainda possui forças e fraquezas, golpes físicos, mecânicas que qualquer personagem compartilha, e não está “quebrando” o jogo neste sentido. Ao mesmo tempo, a aleatoriedade traz diversidade e hype para as partidas, sendo muito mais divertido para os espectadores dos campeonatos.

Por fim, não vejo que o RNG seja necessariamente algo ruim. O Hero passa do ponto? Onde desenhamos a linha? Isto é uma discussão complexa e ainda veremos muita polêmica acerca disto nos próximos meses. Até lá, vamos aproveitar para assistir aos Hocus Pocus e Thwack’s em torneios e, com certeza, dar umas boas risadas.

Paulo “Player7” Janini é pro player de Super Smash Bros da ELZ1 Esports. Siga-o no Twitter em @player7akap7.

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