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Sistema de crédito chinês diminui status social de quem joga games

Isso é muito Black Mirror
@thais.stagni
Thais Stagni
é reporter no Versus.
Foto: Associated Press/Reprodução
Foto: Associated Press/Reprodução

O universo da tecnologia pode ser muito bom quando o assunto é o seu jogo preferido ou aquele campeonato que você acompanha todos os finais de semana. Mas e se o jogador começasse a ser prejudicado por conta de seus gostos? Isso já acontece com o sistema de crédito chinês Sesame Credit.

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O sistema funciona através de um aplicativo, desenvolvido pela empresa Ant Financial e restrito apenas à China. O app usa algoritmos para dar pontuações às pessoas utilizando fatores que incluem "relacionamentos interpessoais" e hábitos de consumidor, de acordo com o The Guardian.

Pessoas com notas baixas no Sesame Credit entram para a "lista negra", e podem ser impedidas de comprar uma passagem de avião, alugar ou comprar uma propriedade ou até mesmo se hospedar em hotéis de luxo.

Um cidadão pode ter entre 350 e 950 pontos, e jogadores de games para PlayStation ou Xbox são fortemente prejudicados por esse sistema.

Segundo o diretor de tecnologia da companhia, Li Yingyun, pessoas que jogam “por 10 horas por dia (…) seria considerada uma pessoa ociosa, e alguém que compra fraldas frequentemente é possivelmente um pai, que, em comparação, é mais provável de ter um senso de responsabilidade.”

Foto: Sesame Credit/Reprodução
Foto: Sesame Credit/Reprodução

Segundo o jornal britânico The Sun, outras questões podem diminuir a pontuação dos cidadãos: pessoas que não visitam seus pais ou não praticam reciclagem também podem ser penalizadas - e até serem prejudicadas profissionalmente, como aconteceu com o executivo Xie Wen.

Wen entrou para a lista negra do sistema de crédito após ser processado por um cliente. Na época, a Suprema Corte da China o colocou na lista de pessoas "não-confiáveis". Tudo parece absurdo para você? Calma, pode piorar.

De acordo com o site MarketPlace.org, desde outubro de 2013, quase 10 milhões de pessoas já foram adicionadas na mesma lista. O aplicativo vai se tornar obrigatório para todos os chineses a partir de 2020, e atualmente está sendo testado em diversas empresas financeiras particulares da China.

Thaís Stagni é redatora do Versus. Siga-a no Twitter.

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