Rainbow Six Siege

R6: "Quero ser uma líder para meus jogadores", diz Jess, analista e treinadora da PENTA

A profissional falou sobre sua história, carreira e futuro nos esports
Foto: Ubisoft/Reprodução
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Especialista em análise de dados, estrategista, ponto de equilíbrio emocional de toda uma equipe, respeitada como poucos em um cenário competitivo... E muito mais. Esta é Jessica "Jess" Bolden, a única treinadora e analista atuando no mais alto nível das ligas profissionais de Rainbow Six: Siege da Europa.

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Atuando na PENTA Esports e com 23 anos, Jessica Bolden conheceu o universo dos games ainda nova, no auge do PlayStation 2. A técnica nasceu e cresceu em Melbourne, na Austrália, mas atualmente mora na divisa entre a Suíça e a Alemanha por conta de seu atual trabalho.

Em entrevista exclusiva ao Versus, Jess conta que seus primeiros passos no mundo dos jogos eletrônico foram nos games Ratchet & Clank e Jak & Daxter. Mas sua verdadeira paixão começou a ser descoberta em meados de 2010: os jogos de tiro em primeira pessoa.

Conhecendo o Rainbow Six: Siege

Segundo a ex-jogadora, o Rainbow Six Siege entrou em sua vida "depois de ter jogado milhares de horas de Call of Duty", na segunda temporada do título da Ubisoft. Ela explica que o que mais lhe chamou atenção foi "o nível tático extremo e o grande trabalho em equipe que eram necessários para ganhar cada rodada", já demonstrando um pouco da sua veia analítica desde o início de tudo.

"A parte defensiva [de r6] sempre foi a minha preferida", revela Jess. "Em nenhum outro jogo que joguei tinham tantas complexidades como operadores, inúmeros setups defensivos e etc. É interessante o jeito que se pode manipular o bombsite e usar alguns utilitários para tornar a vida de um atacante muito mais difícil, o que é algo que praticamente não tinha em qualquer outro game daquela época".

Naqueles tempos, a jogatina não passava de um hobby para Jessica. Entretanto, seu entusiamo lhe levou a etapas e objetivos cada vez mais sérios:

"Eu comecei a sentir o verdadeiro sabor da cena competitiva quando entrei para uma equipe australiana, tentando a classificação para a Challenger League. Eu tinha jogado em vários outros times de nível baixo antes disso, mas desta vez eu realmente tive que dar um salto para elevar minha gameplay e experiência competitiva. (...) Depois de treinar muito com meus companheiros, nós conseguimos a classificação, o que foi uma grande conquista para mim, já que eu fui a primeira jogadora na APAC [Ásia-Pacífico] a se classificar para a Challenger League."

O início da carreira profissional

Após seu primeiro grande triunfo no Rainbow Six, Jess relata que o jogo a levou para outros caminhos até chegar ao nível profissional de fato: "A verdade é que eu entrei na cena profissional de Rainbow Six como uma 'azarona'. Eu havia jogado apenas no nível da Challenger League e não tinha conseguido trabalhar com nenhum outro time da liga profissional até chegar ao cargo de analista na PENTA".

A mudança de função também não foi fácil para Jess: "Ir de jogadora para treinadora requer muito autocontrole. É algo que a maioria dos jogadores lutaria contra, já que exige que você desista de jogar o jogo para ficar horas e horas apenas assistindo".

"Além disso, é preciso estar aberto a um alto nível de críticas e também novas idéias. Fora o fato que como treinadora, temos que saber lidar muito bem com cinco jovens jogadores que não estão apenas em uma posição altamente estressante, mas também ainda estão crescendo como pessoas e precisam de alguém que eles possam se apoiar quando as coisas complicarem. Inclusive, isso é algo que eu estou constantemente me acostumando e espero dominar no futuro."

Apesar da desconfiança inicial e das dificuldades no caminho, seu trabalho gerou frutos e se expandiu dentro da própria organização europeia: "Depois de certo período de tempo, ficou claro que meu papel de analista não era tudo que eu poderia oferecer à equipe. Por isso, hoje sou analista e também coach da line-up de Rainbow Six da PENTA".

Foto: Reprodução
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O Six Invitational 2019

Não é raro ver a PENTA nos maiores torneios de R6 do planeta. Inclusive, o time participou recentemente do Six Invitational 2019, que aconteceu em Montreal, no Canadá, entre os dias 11 e 17 de fevereiro. Para participar de algo desta magnitude, as equipes investem pesado em estrutura e largas escalas de treinamento conjunto.

Quando questionada sobre o assunto, Jess elogiou sua organização e comentou sobre os benefício de realizar um bootcamp:

"Nós temos muita sorte, pois a PENTA nos oferece um centro de treinamento próprio. Isto é benéfico tanto para os jogadores quanto para o meu trabalho, porque posso estar envolvida ao máximo com os treinos e fornecer à equipe o máximo de feedback e análises possíveis. Também concordamos que é extremamente importante passar um tempo uns com os outros para mantemos nossos laços fortes e uma comunicação aberta dentro e fora do jogo - lembrando que tudo isso é combinado com uma análise única para cada oponente, enquanto também nos concentramos nos nossos pontos fracos."

A participação da PENTA no próprio Invitational não foi das melhores. O time conseguiu eliminar a LeStream Esport, mas sucumbiu diante da Nora-Rengo - que surpreendeu positivamente durante toda a competição - ainda na fase de grupos. Apesar do revés, Jess ainda consegue enxergar lados positivos na participação de sua equipe no importante campeonato:

"Participar do maior evento do R6, dar autógrafos, tirar fotos com os fãs e ser prestigiada daquela maneira é algo que definitivamente eu não estou acostumada. A verdade é que a comunidade é o principal elemento que abrilhanta nosso cenário e eu espero pode fazer parte disso tudo o máximo de vezes possíveis."

Como tem sido de costume, mais uma vez a G2 mostrou sua força, levantou o troféu no fim do torneio canadense e faturou US$ 800 mil. Depois de já ter estudado o quinteto europeu, Jess revela os maiores diferenciais que tornam a equipe única:

"Acho que a principal vantagem da escalação da G2 é que eles mantiveram uma grande constância na mesma line-up, o que permitiu uma sinergia acima das outras equipes. Times como este, que estão com fome de ganhar tudo, estão sempre se cobrando para contribuir com seus companheiros e a aprender cada vez mais. Assim, eles não ficam estagnados e continuam constantemente a progredir. Outro benefício de estar junto há um bom tempo é que um acaba aprendendo o estilo de jogo do outro e não são necessárias tantas calls, pois eles já sabem o que o seu companheiro pretende fazer. Resumindo, acredito que os jogadores da G2 dominaram a arte de saber exatamente seus papéis e funções na partida e sabem muito bem como se adaptar ao restante que é necessário".

Foto: Reprodução
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Carreira e futuro

Apesar do árduo trabalho e o quanto as duas funções lhe consomem, Jess pretende continuar a trabalhar com ambas. Seu principal objetivo como analista é "mostrar ao mundo dos esports que a análise de dados pode ser uma parte fundamental para lidar com seus adversários".

Já como treinadora, Jess pretende "ser uma líder" para seus jogadores, sempre mantendo-os "confiantes e orgulhosos de si mesmos, sabendo que podem superar qualquer desafio e obstáculo com muito trabalho duro".

Quanto ao seu futuro, ela quer apenas deixar sua marca nos seus companheiros: "O meu maior sonho dentro do esporte eletrônico é quando eu tiver que deixá-lo, ter a certeza que fiz todos com quem trabalhei pessoas e jogadores melhores. Saber que você ajudou a moldar alguém para melhor é uma sensação realmente incrível".



Jairo "Foxer" Junior e Helena Nogueira são redatores do Versus. Siga-os no Twitter em @Foxer_JJ e @helenavnogueira.