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PUBG: Na vida de Hannizisk, pro player e cadeirante, os eSports são "um grande diferencial"

Jogador disputa seu primeiro torneio presencial nas qualificatórias sul-americanas do PGI 2018
@biaacoutinhoo
Beatriz Coutinho
escreve para o Versus.
Imagem: Dino R.
Imagem: Dino R.

Tímido, mas com presença marcante, Matheus "Hannizisk" Albuquerque disputa seu primeiro torneio presencial: as qualificatórias sul-americanas do torneio mundial de PlayerUnknown's Battlegrounds.

Para o jogador de 22 anos, o campeonato tem um gostinho a mais... E não é por conta das vitórias ou abates no campeonato, mas sim por provar que deficiência alguma é barreira em sua vida ou nos eSports - desde pessoas cadeirantes como Hannizisk até qualquer outro tipo de portador de necessidades especiais.

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Do PvP tranquilo... Para a matança

Hannizisk joga desde criança, e já passou horas jogando Counter-Strike e Combat Arms. Nos últimos anos, o que realmente fez a felicidade dele e dos amigos foi o MMORPG Perfect World, que contém um sistema de player vs player.

Há sete meses, um amigo o convidou para experimentar PUBG, e o que era para ser uma simples partida, acabou virando uma paixão.

Para o pro player iniciante, a parte mais divertida do battle royale é o modo de PvP diferente do MMORPG: "No PUBG, é mais matança entre si, é mais divertido, principalmente com as táticas que a gente monta", contou o jogador, rindo durante o intervalo de partidas da competição.

Quem via o jogador conversando tranquilo nem imaginava que ele estava disputando uma única vaga para o mundial de PlayerUnknown's Battlegrounds. Seu time estava logo ali, esperando para conversar sobre as táticas usadas nas partidas.

Imagem: Dino R.
Imagem: Dino R.

Experiência para chegar longe

Junto com Eduardo, Ricardo e Plínio, Hannizisk faz parte da Zenzory, equipe que não conta com patrocínio, mas que possui jogadores que sabem como se divertir e ganhar experiência ao mesmo tempo.

"No momento, a gente é só um time de amigos que joga sem compromisso. Montamos a line-up pra nos divertir e acumular experiência. Mais para frente, vamos procurar algo a mais, algo que seja surpreendente pra todos nós", disse Hannizisk.

A Zenzory chegou a garantir a 10ª colocação da tabela, o que para Hannizisk, é um bom começo.

"Algumas coisas não têm dado tão certo em relação às táticas, mas também é algo que não tem problema. Boa é a experiência que estamos passando. É o primeiro qualify que estamos participando, vamos ver para frente o que a gente consegue", justificou o jogador.

Ainda assim, Hannizisk mostrou a importância de participar de um torneio desta magnitude: "Me sinto bem alegre e confiante, por não ser só um meio de diversão, mas de conhecer pessoalmente novas pessoas e que disputam também a vaga no PUBG Invitational. Foi bem gratificante essa experiência!"

O qualificatório sul-americano do PGI reune 20 equipes pela vaga no mundial. Imagem: Fabio Lucio
O qualificatório sul-americano do PGI reune 20 equipes pela vaga no mundial. Imagem: Fabio Lucio

Independência em primeiro lugar

Por um acidente que aconteceu quando Hannizisk ainda era um bebê, o jogador perdeu os movimentos das pernas e utiliza uma cadeira de rodas para se locomover. Onde muitos vêem um problema, ele garante que não há nada de errado e afirma: "Sou uma pessoa independente!"

De acordo com o pro player, esse é um dos motivos que faz os eSports serem um "grande diferencial" em sua vida: "Dá para me divertir sem problema algum, sem preconceito, que é algo que a gente sofre bastante."

Segundo Hannizisk, muitas pessoas olham para os cadeirantes de forma diferente por não acreditarem que eles podem ter uma vida normal.

Por causa disso, ele acredita que muitas pessoas têm medo de seguir seus sonhos, com "receio de sofrer algum preconceito ou algo do gênero", e afirma que os deficientes devem evitar ao máximo enxergar a vida dessa maneira. "Graças a deus, a minha deficiência não é algo que me impossibilite de nada."


Quer saber mais sobre as qualificatórias sul-americanas do PUBG Global Invitational, torneio mundial do game que acontece no final de julho? Acesse o guia da disputa.



Helena Nogueira é repórter e Bia Coutinho é redatora no Versus. Siga-as no Twitter em @helvnogueira e @biaacoutinhoo.

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