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Projeto FalleN and Friends busca inclusão de deficientes físicos nos esports

A iniciativa era chamada anteriormente de Juntos Somos Mais Fortes
@jairo.junior
Jairo Junior
é reporter no Versus.
Foto: Reprodução
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O crescimento do mercado de games e esports já não é mais uma novidade. Jogadores viraram verdadeiras estrelas e faturam cifras milionários mundo a fora. Juntamente a este avanço da parte profissional e monetária, o que não pode ser deixado de lado é o âmbito social e educacional. O projeto "Juntos Somos Mais Fortes", transformado em "FalleN and Friends" recentemente, foi desenvolvido para aliar o grande escopo do esporte eletrônico com causas de acessibilidade, mais especificamente: a inclusão de deficientes físicos nas comunidades gamers do Brasil.

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O projeto "Juntos Somos Mais Fortes" nasceu da cabeça de Vitor "Cadeirante do CS" Gabriel, que tem paralisia cerebral e precisa da cadeira de rodas para se locomover. Ele sempre esteve em contato com games, desde a infância.

"Jogo desde os quatro anos de idade, no Playstation 1. Eu mal entendia o que estava fazendo, mas adorava, então jogava sempre. Com o passar dos anos tive meu primeiro contato com computador e o Counter-Strike, pois tinha uma lan house do lado da casa do meu primo - ele é muito sortudo né? Queria eu ter uma lan do lado de casa. Depois disso, ganhei meu próprio PC, mas o CS 1.6 já estava morrendo nesta época. Só fui voltar a jogar a franquia em 2014, já no CS:GO, e estou até hoje acompanhando, jogando e muito feliz de fazer parte dele de alguma forma".

Além de jogar desde bem novo, Vitor já idealizava projetos em sua mente e pensava como poderia torná-los realidade. Foi quando ele conheceu a "Família FPS" de Zé Carlos, Vanessa e Rafinha em um evento, contou sua vontade e uniu forças para a criação do Juntos Somos Mais Fortes. Para completar o time, eles também convidaram dois jovens que inspiram o cenário da mesma maneira, deixando a deficiência de lado e mostrando que são capazes: Jhonata "Firmezinha" Fargnolli e Gabriel "Machadinho" Machado.

A ideia do projeto é não só incluir, como também capacitar deficientes físicos para atuação em games e esports. A ideia é que jogadores encontrem um local para desenvolvimento e para que vejam que não estão sozinhos nessa.

Atualmente é Vanessa - mãe do Rafinha - que comanda a iniciativa, fazendo um pouco de tudo: "Sou praticamente a mãe de todos eles. Eu estruturo, respondo por eles, agendo compromissos, pego no pé quando tem que pegar e me comunico com possíveis patrocinadores e pessoas que querem saber mais sobre o projeto".

Juntamente a Vanessa, o jogador da MIBR Gabriel "FalleN" Toledo passou a apoiar diretamente o projeto. Não é à toa que o nome mudou para "FalleN and Friends". Vanessa conta que esta nova etapa ainda está em fase de estruturação, mas promete novidades em breve.

"Acredito que até o fim do ano o corpo do projeto já esteja formado. Quando o FalleN entrou, ele nos deu um visão diferente e ainda mais ampla de tudo. Ele está nos dando muito apoio e, por isso, estamos mudando o nome para FalleN and Friends. Por enquanto as coisas ainda são um pouquinho demoradas, pois o próprio FalleN faz questão de participar de tudo, mas como ele tem os campeonatos e os treinamentos nós costumamos falar com ele apenas após as competições. A ideia é conseguirmos fazer o lançamento oficial em 3 de dezembro, que é o Dia Mundial dos Deficientes."

Mesmo com o apoio de FalleN, o projeto continua em busca de outros apoiadores. Vanessa contou que os meninos têm diversas ideias, como ajudar a AACD, mas no momento não é possível colocá-las em prática. "Hoje os olhos estão voltados apenas para números, mas por trás destes números existem histórias e esses meninos inspiram pessoas. Nós temos uma média de 10 perguntas por semana de outros deficientes físicos nas redes sociais deles falando que a iniciativa é legal, que querem saber como entrar e coisas do tipo. Ainda assim, infelizmente ainda sentimos esta falta de apoio".

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Firmezinha também conversou com nossa reportagem sobre a falta de apoio e revelou o que almeja para seu futuro no segmento: "Meu sonho é poder chamar minhas streams e o Youtube de profissão, mas ainda não sou remunerado, infelizmente. Mesmo assim adoro fazer conteúdo, amo interagir com o público e principalmente motivar as pessoas a não deixar que nada as impeça de fazer alguma coisa".

Mesmo sem os braços, ele mostra grande habilidade com os pés e procura motivar outras pessoas que tem dificuldades iguais ou semelhantes.

"Demorei cerca de um ano para começar a jogar em um nível que seja satisfatório para mim", conta Firmezinha. "Então, antes de dizer que não consegue algo, tente e persista nisso. Não só no vídeo game, mas em tudo. Sei que para alguns é mais complicados que para outros, às vezes por vergonha ou até mesmo porque os pais impedem por medo - inclusive faço até um apelo aos pais, para que apoiem seu filhos."

Claro, o caminho não é fácil. Machadinho revelou que chegou a sofrer uma depressão forte com 13 anos de idade, por conta de tudo que passou na vida. Hoje em dia, com o apoio da família e sua força de vontade, ele conseguiu superar este mal. Com isso, ele busca inspirar outras pessoas. "Quanto mais nós deficientes provarmos que conseguimos fazer as coisas, mais pessoas como nós serão inspiradas. Então tentem sempre fazer o que vocês querem e inspirem outros a mudarem para melhor também", disse Machadinho. Acompanhem os meninos, o projeto e a evolução dele pelo Twitter.

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