Rainbow Six Siege

Porque Rainbow Six: Siege é o jogo do ano no cenário de esports do Brasil

Jairo Junior
O jogo de tiro da Ubisoft teve um 2018 de ouro!

2018 foi incrível para o mundo do esporte eletrônico. O mercado teve um crescimento gigantesco, recebeu investimentos milionários e entregou grandes atrações ao público. Quanto aos games, os títulos estão cada vez mais diferenciados e competitivos, o que torna complicada a tarefa de apontar o melhor jogo no cenário de esports. Ainda assim, especificamente neste ano, seria injusto não reconhecer tudo que o Rainbow Six: Siege apresentou... Principalmente no Brasil.

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O game de tiro da Ubisoft levou o título da Brasil Game Awards 2018 na categoria Melhor Jogo de Esports - mas por quê? Existem diversos pontos que poderíamos tratar neste texto para justificar o merecimento do jogo, e assim listamos os cinco mais importantes para o sucesso do Rainbow Six no país. Confira todos eles abaixo e um pouquinho de como cada um destes fatos contribuiu para o crescimento do jogo.


Investimento no cenário tradicional e feminino

A inclusão é um dos assuntos mais debatidos nos esports atualmente. A prática é de extrema importância no mercado para promover oportunidades iguais a todos, independentemente de sexo, cor ou sexualidade. Abrir espaço a novos públicos também é crucial para o crescimento do próprio cenário em si.

As próprias mulheres possuem uma força enorme entre os fãs de esports e, mesmo assim, ainda são muito pouco contempladas neste meio. Infelizmente, ainda há certa resistência da sociedade perante a uma garota que joga - no entanto, o que mais assusta é a força contrária da própria comunidade.

O Counter-Strike foi um dos primeiros jogos que teve realmente um ecossistema competitivo feminino mais consolidado no Brasil, tudo graças às integrantes e fãs do game. Já a Ubisoft se preocupa em trazer um espaço seguro para as jogadoras e ofereceu torneios femininos de qualidade, tanto online quanto presencial - como foi o caso da Geek & Game Rio Festival e da Game XP. Com isso, muitas mulheres se sentiram confortáveis o bastante para começar a competir e ainda receberam a mídia, atenção e reconhecimento que merecem.

Uma prova disso foi a indicação de Danielle "Cherna" Andrade, da Brazilian Crusaders, ao Prêmio eSports Brasil. Ela foi a única atleta indicada dentre todas as categorias e é uma pena que ao invés de reconhecimento, ela tenha recebido ódio.

É claro que os torneios mistos também não foram deixados de lado - muito pelo contrário. A Ubisoft e as suas parceiras, como a ESL, apresentaram um calendário mais bem definido e estruturado para manter os atletas ativos durante toda a temporada. Além disso, os confrontos presenciais se tornaram ainda mais frequentes.


Investimento de organizações internacionais no Brasil

A cena nacional de Rainbow Six: Siege mostrou-se muito promissora. Além do vasto mercado com muita demanda e pouca oferta - tudo que um investidor quer -, também foram descobertos atletas talentosos e com potencial pouco explorado. Em um primeiro momento, alguns dos maiores clubes do país começaram a olhar com mais carinho para o competitivo do game. Mas o que muitos não esperavam é que o mundo inteiro faria a mesma coisa.

Em pouco tempo, o Brasileirão de Rainbow Six começou a ser povoado por nomes como Team Liquid, Ninjas in Pyjamas, Faze Clan e Immortals. Nomes que raramente pisavam no Brasil para qualquer tipo de torneio ou ação, agora moram e investem seu dinheiro no país.


Pro League Rio

Os investimentos internacionais não pararam nos times, pois até mesmo os campeonatos encontraram no Brasil uma casa. Em 2017, a ESL Pro League esteve em terras brasileiras pela primeira vez na Max5, em São Paulo. O torneio foi emocionante, mas a estrutura ainda não se equiparava a outros torneios internacionais pelo globo. Em 2018, a Pro League retornou com tudo, agora na Jeunesse Arena - que tem capacidade de abrigar 18 mil pessoas -, no Rio de Janeiro.

A arena carioca tornou-se um verdadeiro caldeirão de fãs e teve a grandiosidade que uma competição deste nível pede. Além das atrações preparadas pelos organizadores, o evento também contou com um show a parte da torcida brasileira vibrando e fazendo muito barulho. Por lá, a FaZe Clan fez bonito, chegou na grande final, mas bateu na trave contra os melhores do mundo (G2 Esports).


Título da Team Liquid

2018 não foi um ano de muitas conquistas internacionais para o Brasil no esporte eletrônico. Por isso, o triunfo da Team Liquid sobre a PENTA na sétima edição da Pro League de Rainbow Six, foi um dos momentos mais marcantes para os fãs brasileiros. Além do título ser inédito, o time europeu era considerado praticamente imbatível - ainda é -, fatos que tornam a conquista ainda mais emblemática e importante.

O primeiro lugar também serviu para finalmente recompensar as grandes exibições que André "nesk" Oliveira vinha realizando. O jogador mostrou uma habilidade incrível neste ano, foi campeão mundial e ainda faturou duas premiações no Prêmio Esports Brasil: Melhor atleta de Rainbow Six e Melhor atleta de esports do ano.

A emoção de André "Meligeni" Santos e uma emblemática frase meio sem querer, também ficarão para a história:

Gameplay única e novos operadores

Por muitos anos, a maior dificuldade dos jogos de tiro foi inovar no quesito jogabilidade. Os gráficos avançavam de uma forma incrível, novas histórias eram contadas, mas a gameplay dos títulos parecia sempre a mesma.

Há pouco tempo atrás, alguns jogos finalmente conseguiram sair da bolha e apresentaram ao público novas maneiras de se divertir, seja construindo estruturas em questão de segundos ou criando personagens e classes que proporcionassem experiências únicas.

É claro, outros games (como a franquia Battlefield, por exemplo) já trabalhava com a mecânica de classes. No entanto, isso ainda era muito limitado. O FPS da Ubisoft, por sua vez, criou personagens com habilidades e efeitos que só eles poderiam causar, aliados a um cenário interativo, o que formou uma gama quase infinita de possibilidades nas estratégias.

No começo, os operadores tinham habilidades mais simples, como Sledge, com sua marreta e uma força descomunal. Atualmente, vemos personagens que abusam mais da área tecnológica com drones voadores, hologramas, diversas mini-câmeras espalhadas pelo mapa e mais - tudo isso deixando o game ainda mais tático e sem tirar a verdadeira essência: a troca de tiros com adversários.


Há espaço para todos

Dizer que o Rainbow Six: Siege é o jogo de 2018 no cenário de esports no Brasil não diminui o brilho das demais franquias. No League of Legends, por exemplo, houveram grandes momentos como uma das finais do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) mais disputadas da história, a Coréia do Sul perdendo seu trono e o grande sucesso de K/DA. No CS:GO, o público pôde acompanhar a volta da MIBR, a ESL One em Belo Horizonte e o domínio avassalador da Astralis. No Dota 2, observamos os brasileiros competindo cada vez mais fora do país e o apoio surreal da comunidade batendo recordes nas premiações do The International.

Outros tantos jogos também mostraram seu valor em vários momentos. Porém, o conjunto de fatores que o R6 construiu neste ano o coloca no topo de nosso país. Esperamos que 2019 seja ainda mais incrível para todos os games envolvidos no esport e para os fãs que jogam e os acompanham assiduamente.



Jairo "Foxer" Junior é redator do Versus. Siga-o no Twitter em @Foxer_JJ.

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