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Perfil: A história de Henrykinho, brasileiro a ir mais longe na PES League 2019

Com apenas 18 anos, o pro player é tricampeão nacional e já participou de dois mundiais
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: CBF/Reprodução
Foto: CBF/Reprodução

Cláudio Henrique "Henrykinho" Mesquita é tido como a grande revelação brasileira no Pro Evolution Soccer (PES). Não à toa, o jovem de 18 anos foi o jogador que foi mais longe na final individual (1v1) da PES League 2019, sendo eliminado nas quartas de final.

Durante a decisão no Emirates Stadium, em Londres*, Inglaterra, o Versus conversou com o pro player, que contou sobre sua história e como alcançou o top 4 do mundo.

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Cláudio Henrique Silva Mesquita nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em um berço dos esports. O pai do pro player era dono de uma lan house, um lugar que se tornou um verdadeiro templo dos jogos para o jovem.

“Quando nasci, já tinha videogame em casa. Meu pai sempre teve uma lan house e, por causa disso, meus brinquedos foram principalmente os jogos. Sempre fui próximo dele, desde pequeno, e por isso as coisas que ele era apaixonado - futebol e videogame- eu acabei gostando também. Acabou me incentivando e...muito por causa dele, estou aqui hoje."

Herdando as duas paixões do pai, não demorou muito para que Henrykinho se deparasse com o Winning Eleven - como era chamado o PES na época. O que muitos fãs do pro player não sabem, porém, é que sua porta de entrada para os esports foi o Counter-Strike (CS).

“Quando eu era pequeno, eu e meu pai acompanhávamos muito CS. Eu jogava bastante também. O engraçado é que eu não sabia que existia esse mundo dos esports no PES também, eu acompanhava uns amigos meus que jogavam muito bem online apenas. Fui descobrir das ligas e o investimento nos jogadores quando comecei a disputar campeonatos.”

Foi então que, entre os 12 e 13 anos, Henrique percebeu onde poderia chegar caso se comprometesse em seu principal hobby. O talento era nítido e os incentivos do pai lhe fizeram entender isto - logo em primeiro campeonato, em 2013, o jovem alcançou as semifinais.

Com o apito do juiz, Henrykinho entrou em campo e conquistou muito em questão de poucos anos. O primeiro torneio oficial foi o Campeonato Brasileiro de Futebol Digital 2015, em que não conseguiu ir muito longe. Porém, na sua segunda tentativa na competição, em 2016, o jogador já estava entre os 4 melhores.

Em 2017, aos 16 anos, veio o primeiro título de expressão: o e-Brasileirão, competição oficial de esports da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em 2018, Henrykinho se tornou um dos poucos pro players do cenário nacional a serem contratados por clubes de futebol, quando assinou com o Locomotiva, time de Araraquara (SP).

"De lá para cá, tudo mudou. Comecei a jogar mais, a me dedicar. Hoje já sou tricampeão brasileiro [Campeonato Brasileiro e dois e-Brasileirão] e este [PES League 2019] é o meu segundo mundial, então tenho certa bagagem. Acho que sou muito jovem, tenho muito para conquistar, mas devagar a gente vai conseguindo as coisas.”

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Foto: CBF/Reprodução
Foto: CBF/Reprodução
Henrykinho e seu pai comemoram título no e-Brasileirão 2017. Foto: Arquivo Pessoal
Henrykinho e seu pai comemoram título no e-Brasileirão 2017. Foto: Arquivo Pessoal

O esforço pode ser coroado com glória, mas o caminho para alcançá-la não é fácil. Segundo Henrykinho, o dia a dia de pro players brasileiros é dificultado por diversos aspectos. Ele destaca que, dentre as modalidades de esports no Brasil, o PES está entre aquelas que menos se profissionalizou através dos anos - mas, ao mesmo tempo, está atualmente entre as que mais trazem títulos e conquistas para o Brasil.

“O cenário de PES no Brasil ainda é amador. Não tem muito patrocínio, jogamos mais na raça mesmo. Espero que, assim como o LoL, um dia a gente possa ter equipes, patrocinadores, pessoas por trás ajudando, coisa que ainda não temos. Mas acho que daqui há alguns anos vai melhorar. Temos alguns clubes interessados em esports e espero que isto [contratações de jogadores] aconteça em breve.”

Para chegar ao top 4 do mundo, ele contou com o auxílio de Federações de PES. Espalhadas por diversos estados do país, estas associações fornecem o necessário para o início da carreira dos jogadores e, para Henrykinho, a localizada em Minas Gerais foi importantíssima para que se estabelecesse como pro player.

“Foi através da Federação Mineira [PES Minas] que descobri o mundo dos esports. Lá eles me deram todo o suporte que precisava, e descobri que o campeonato brasileiro e a PES League existiam. Eles lhe dão todo o apoio para você disputar os campeonatos oficiais, então eu com certeza indico para quem quer se tornar jogador profissional. Eu mesmo acabei de voltar para a Federação, estava um pouco afastado.”

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Henrykinho durante a Final das Américas da PES League 2019 Season 2. Foto: Helena Nogueira
Henrykinho durante a Final das Américas da PES League 2019 Season 2. Foto: Helena Nogueira
Henrykinho disputa a grande decisão do modo individual da PES League 2019, em Londres. Foto: Helena Nogueira
Henrykinho disputa a grande decisão do modo individual da PES League 2019, em Londres. Foto: Helena Nogueira

Olhando para o passado e almejando o futuro, Henrykinho, atualmente o talento brasileiro mais jovem em uma das categorias de maior presença internacional do país, quer o que muitos do cenário querem: a profissionalização do cenário.

“Difícil imaginar o que não mudou. Mudou muita coisa na minha vida. Nunca pensei que chegaria a um mundial. Antes, eu jogava por lazer, era uma brincadeira, e tudo aconteceu muito rápido. De dois anos para cá, tudo mudou. Hoje vivo disso e espero daqui a alguns anos poder ficar tranquilo em relação a me sustentar, ter uma equipe de esports por trás, cuidando da minha carreira.”

*A jornalista viajou à convite da Konami.

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Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

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