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Para maior pro player de Magic do Brasil, jogo "se encaixa na cultura dos eSports"

Avante, PV!
@thais.stagni
Escrito por
Thais Stagni
PV ao vencer a Pro Tour de Magic em 2017. Foto: Reprodução/Magic: The Gathering
PV ao vencer a Pro Tour de Magic em 2017. Foto: Reprodução/Magic: The Gathering

Com 25 anos de história, Magic: The Gathering já contou com diversos pro players, campeonatos e jogadores em lojas exclusivas para enaltecer o game de cartas. Mas o que realmente importa é: Magic é considerado um eSport atualmente? Conversamos com Paulo Vitor "PV" da Rosa, o maior jogador profissional da modalidade, para saber a resposta.

PV começou a jogar Magic competitivamente aos 10 anos de idade. Aos 30, ele fez história e entrou para o Hall da Fama do game, chegou à final do Pro Tour - maior torneio internacional de Magic - duas vezes e, em 2017, ganhou o título de Jogador do Ano por ter finalizado a temporada em primeiro lugar do ranking mundial.

Ainda assim, a humildade transparece no jogador. Apesar de ter sido o primeiro grande pro player brasileiro de Magic, ele lembra com carinho dos momentos em que seus pais apoiaram e até bancaram sua paixão.

"Minha mãe ia para a loja comigo e ficava esperando horas lá enquanto eu jogava, e as minhas primeiras viagens foi ela que pagou", declarou em entrevista ao Versus.

Após 20 anos de carreira, diversos títulos e muito carinho de comunidade, PV responde: sim, Magic é um eSport... Mas tudo bem se você não concordar.


"Existe um componente do Magic que certamente é um eSport, já que você pode jogar no Magic Online. A comunidade também é bem parecida com a de esportes eletrônicos. Existem streamers, torneios podem ser vistos na Twitch... Nesse sentido, acho que é um eSport sim. Mas se você tiver uma definição mais purista, que 'tem que ser eletrônico', os torneios principais de Magic não se enquadrariam, já que são ao vivo. Mas os de Magic Online, por exemplo, entram na definição."

Para PV, apesar do termo "esportes eletrônicos", Magic se encaixa muito mais na cultura de eSports do que em qualquer outra - mesmo não sendo exclusivamente virtual. Para ele, muitos dos jogadores são os mesmos, por exemplo.

Ainda assim, a modalidade conta com um público concentrado e um nicho muito particular.

PV exibindo seu troféu do torneio Grand Prix São Paulo 2015. Foto: Reprodução/Acervo pessoal.
PV exibindo seu troféu do torneio Grand Prix São Paulo 2015. Foto: Reprodução/Acervo pessoal.

"Existem muitos campeonatos e as pessoas que se sobressaem estão sempre em evidência. Sempre que eu vou para um torneio, onde quer que seja, eu tiro fotos, assino cartas... Apesar disso, pouquíssimas pessoas conhecem o jogo, não existe cobertura que não seja específica do jogo. Por exemplo, quando um amigo meu de Israel ganhou o campeonato mundial, ele apareceu em diversos jornais israelenses. Quando os japoneses ganharam o campeonato mundial de times, eles apareceram na TV. Quando um brasileiro ganhou o mundial de Magic, ninguém nem ficou sabendo."

De acordo com PV, o Brasil conta com muitas desvantagens e, por isso, pro players de Magic acabam não tendo o reconhecimento que merecem. Entre os principais problemas, o jogador citou "passagens caríssimas, impostos altos e poder aquisitivo mais baixo"... E ele tem razão.

Cada booster - isto é, pacotinhos de cartas variadas e aleatórias - de Magic custa em torno de R$ 15. Os cards específicos, por sua vez, podem ser comprados de centavos a R$ 13 mil, de acordo com o site Liga Magic. Como exemplo, temos a carta Black Lotus, famosa por seu preço salgado: ela pode ser adquirida pela bagatela de US$ 300 mil no eBay.

Ainda assim, PV afirmou que mesmo com todas essas questões, brasileiros ainda conseguem estar entre os melhores do mundo - mesmo que as organizações não consigam acompanhar. "[Se eu pudesse melhorar algo], eu aumentaria os prêmios [risos]. Acho que hoje em dia tem muita gente jogando, e a premiação não acompanhou esse crescimento."

Carta Black Lotus. Foto: Magic: The Gathering/Reprodução
Carta Black Lotus. Foto: Magic: The Gathering/Reprodução

Como Magic permaneceu consistente no Brasil?

"Acho que o jogo se manteve esse tempo todo principalmente porque cada pessoa pode jogar do jeito que quiser", afirmou o jogador.

"Se você gosta de se reunir e jogar com os amigos com o mesmo baralho de sempre, você pode jogar Magic. Se você gosta do cenário competitivo e de viajar para jogar torneios, pode jogar Magic. Se gosta de flavor/lore, pode ler sobre o universo do Magic. Se gosta de consistência, pode jogar durante anos com o seu baralho. Se gosta de mudança, pode atualizar seu baralho com cada edição nova. Se gosta de sair, pode ir nas lojas, mas se gosta de ficar em casa, pode jogar Online. O jogo vai sempre mudando e evoluindo, mas você escolhe o ritmo que muda, e cada um pode aproveitar o jogo da sua maneira."

Quanto à discussão sobre Magic ser um eSport ou não, nós do Versus deixamos claro que o mais importante de tudo em qualquer jogo - seja eletrônico ou físico - é se divertir, competir e representar uma comunidade com paixão. Afinal, esse é o intuito de todo esporte.

Thaís Stagni é redatora do Versus. Siga-a no Twitter.

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