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Paladins: Brasileiros da Spacestation buscam disputar Liga Premier nos EUA em 2019

PPL passará a ser disputada presencialmente em Atlanta, sede da Hi-Rez
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Helena Nogueira
Foto: Helena Nogueira

O Brasil brilhou na Hi-Rez Expo* (HRX) 2018. A exposição da desenvolvedora, que aconteceu durante a DreamHack Atlanta, nos Estados Unidos, entre os dias 16 e 18 de novembro, recebeu as finais mundiais de Smite e Paladins. Na competição do jogo de tiro, os pro players da Spacestation Gaming (SSG) fizeram história ao ir mais longe que qualquer outro time brasileiro na disputa, terminando na 3ª/4ª colocação.

O Versus esteve presente no evento e conversou com o elenco, que busca representar o país na Liga Premier do game em 2019.

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Por muito tempo, o time de brasileiros foram apenas jogadores casuais de Paladins que impressionavam pelo talento. Cada membro da line-up de ouro da Spacestation pertence a um local diferente do país: Luan "Mittow" Henrique é de Curitiba (PR); Leandro "Frzgod" Gomes mora em São Paulo (SP); Guilherme "RECHAO" Recher é de Campinas (SP); Alex "Ar3z" Azevedoé de Salvador (BA) e o técnico Matias "Sadhaak" Delipetro é de Buenos Aires, na Argentina.

Mesmo distantes, algo fez com que o grupo de promessas unisse forças. Já inseridos no competitivo, Mittow, Frz, RECHAO e Ar3z alcançaram destaque na Ilha da Macacada (IDM) em 2017. A organização, porém, rendeu momentos de frustração no ápice de suas carreiras.

“No final de 2017, nos classificamos para o World Championship, o mundial de Paladins, que foi realizado no início de 2018", lembra Mittow, damage da equipe. "Porém, para viajar, precisávamos do visto americano e eles [IDM] abandonaram a gente bem neste momento crítico. Recusaram-se a pagar por todo o trâmite e ficamos sem ter como disputar o torneio."

"Fizemos campanha no Twitter para chamar a atenção de uma organização que apoiasse a gente, bancasse e pagasse passagem para podermos viajar. Muita gente compartilhou, pedimos até para o Gabriel "FalleN" Toledonos ajudar. Foi então que a Spacestation acolheu a todos nós e felizmente viemos para os Estados Unidos disputar o mundial. Nós devemos tudo a eles”, diz o pro player.

Contando com apoio e estrutura da organização norte-americana, os jogadores se consolidaram como a principal equipe do Brasil e, pouco a pouco, conquistaram seu lugar de importância no cenário internacional.

Durante a Hi-Rez Expo da DreamHack, o time surpreendeu na semifinal contra a Team Envy - que eventualmente tornou-se campeã mundial. A série melhor de sete (md7) foi acirrada, mas liderada pelos brasileiros. No sétimo e último mapa, a Spacestation conseguiu a frente e ficou prestes a encerrar tudo com 3 a 1 - até que os norte-americanos viraram, avançaram no placar e forçaram um confronto à flor da pele no último ponto, valendo vaga na grande final.

Para lacrar a vitória, era necessário que se conquistasse uma área, e a equipe brasileira deu início ao confronto à frente na porcentagem de domínio. A derrota, porém, veio com gosto amargo, pois a Team Envy levou a melhor pela mínima diferença de 100% a 96% (é possível conferir o momento no vídeo abaixo a partir dos 17 minutos).

“Nesse set, todas as emoções possíveis passaram pela minha cabeça", diz Frz, flex do time. "Tudo mesmo: fiquei feliz, depois fiquei triste porque perdemos o jogo...É muita emoção na hora. Era o último mapa, conseguimos abrir vantagem de 3 a 1 e eu já estava pensando ‘meu, a gente vai pra final!’. Ainda mais quando começamos a escutar a plateia, todo mundo gritando...”

Com a aproximação do fim da partida, uma multidão feita por pessoas de todas as nacionalidades se formou em frente à bancada dos jogadores. Muitos torceram pelos considerados underdogs da competição e, mesmo desconhecendo a trajetória dos pro players, estavam certos em considerar a desvantagem da região.

À margem da estrutura da Paladins Premier League (PPL), que atualmente é composta por equipes norte-americanas e europeias, o competitivo brasileiro conta em maioria com campeonatos online nada recompensadores - muitos oferecem cristais do jogo como premiação. Por isto, desistir do sonho de se tornar pro player não é uma possibilidade distante.

"Toda vez que competimos em lan, como foi aqui [HRX], a experiência conta muito, porque isto é muito difícil de acontecer para nós", admite Mittow. "Sempre aprendemos coisas diferentes e por isto participar dos mundiais tem nos ajudado a perceber o que precisamos melhorar como equipe.”

Todd Harris, presidente da Skillshot Media, Co-fundador e COO da Hi-Rez Studios, respondeu ao Versus sobre a desvalorização do competitivo brasileiro de Paladins:

"Nossa prioridade é o tier 1 [Premier League]. Nossa visão é que os fãs merecem times bem capacitados e uma liga bem estruturada. Fora isto, manteremos o que já fazemos, que é trabalhar com parceiros locais. O Brasil cresceu muito aos nossos olhos e com certeza é uma potência em Paladins e, apesar de não poder me comprometer com uma resposta certeira agora, estamos abertos a negociar com produtoras de eventos de esports brasileiras que estejam aptas a realizar campeonatos com premiações justas."

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RECHAO durante a semifinal contra a Team Envy. Foto: Helena Nogueira
RECHAO durante a semifinal contra a Team Envy. Foto: Helena Nogueira
Frz durante a semifinal contra a Team Envy. Foto: Helena Nogueira
Frz durante a semifinal contra a Team Envy. Foto: Helena Nogueira
Mittow durante a semifinal contra a Team Envy. Foto: Helena Nogueira
Mittow durante a semifinal contra a Team Envy. Foto: Helena Nogueira

Em 2019, porém, o quadro pode mudar: a partir de fevereiro, a PPL passará a seguir o formato de franquia, nos moldes da Overwatch League, sendo disputada presencialmente em Atlanta nos estúdios da Skillshot Media, divisão de esports da Hi-Rez. Segundo Harris, o time brasileiro possui as mesmas chances de todos para participar da liga e, para isto, precisam ser contratados por uma organização que adquira uma franquia na competição.

"Obviamente, é o nosso sonho vir jogar aqui [EUA]", responde o jogador Mittow à possibilidade. "Não é mais uma brincadeira para nós, virou trabalho. Uma coisa que todo mundo sonha é conseguir viver disto, e a PPL é a melhor forma de você se sustentar jogando.”

“E eu acho que seria bom para o Brasil também, caso a gente consiga uma vaga na PPL", completou Frz. "Se nos fizessem o convite agora, nós aceitaríamos. Se viermos morar aqui, isto vai incentivar a galera a querer jogar e chegar até onde chegamos. É aquele negócio: se a gente conseguiu, por que vocês não?”


Spacestation Gaming:

Alex "Ar3z" Azevedo

Luan "Mittow" Henrique

Leandro "Frzgod" Gomes

Guilherme "RECHAO" Recher

Gabriel "ASPEXY" Correa

Matias "Saadhak" Delipetro (O treinador jogou pelo time na HRX da DreamHack Atlanta na ausência do suporte Gabriel "ASPEXY" Correa)


*A jornalista viajou a Atlanta a convite da Hi-Rez



Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

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