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Overwatch: “Sempre encontro pessoas pedindo minha bênção”, diz criador da Igreja do Hanzo

Como está o registro público um ano depois?
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Nacionais/Reprodução
Foto: Nacionais/Reprodução

Se você é fã de Overwatch, provavelmente já ouviu falar da Igreja Nacionais de Hanzo. Se não, conheça a história de um estudante de jornalismo que tornou-se um sucesso na comunidade por ter unido o game de tiro em primeira pessoa a uma crítica social relacionada à burocracia brasileira e à forma como a religião é tratada pelo governo.

O Versus conversou com o criador da "instituição religiosa", Mateus Mognon dos Santos, que contou como tudo aconteceu e os pedidos de bênção que recebe - mesmo um ano depois da criação do registro.

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Original de Lagoa Vermelha, no Rio Grande do Sul, Mateus tem 22 anos e é pastor da igreja mais irreverente do Brasil. Atualmente estudando jornalismo na UFSC, o jovem teve a ideia de, como parte de uma reportagem investigativa para a faculdade, criar um registro religioso em nome de Hanzo, herói de Overwatch.

“Era quarta-feira de noite, umas 21h, quando tive uma epifania”, lembra o universitário. “Eu precisava de uma pauta para entregar na aula seguinte. Lembrei de uma reportagem sobre o crescente número de igrejas no Brasil, fiz uma rápida pesquisa e descobri que não era algo tão complicado de se fazer.”

Com o tema de seu projeto definido (para não levar aquele zero na aula seguinte), Mateus precisava de um nome para sua igreja. Ele explica porque justamente o mercenário japonês foi a sua escolha: “Acabei optando pelo Hanzo por causa da popularidade de Overwatch e o tom profano do arqueiro. Eu até pensei em louvar alguém como a Mercy ou Zenyatta, mas criar uma igreja que venera um mercenário que matou o próprio irmão seria algo bem único”.

Foi assim que a “Igreja Nacionais de Hanzo” apareceu nos registros públicos lançando um Golpe do Dragão em julho de 2017. Com direito a estatuto próprio, a instituição possui uma série de regras tão divertidas quanto seu nome - incluindo meditações em todo dia 24, data em que Overwatch foi lançado, e até mesmo batismo dentro do jogo.

Foto: Nacionais/Reprodução
Foto: Nacionais/Reprodução

Para além de um projeto de faculdade, Mateus conta que seu real objetivo com a brincadeira foi denunciar os problemas de fiscalização no Brasil e a facilidade de fundar igrejas no país. Além disso, ele quis trazer a pauta investigativa para a comunidade de um jogo que, por si próprio, traz alegorias a temas políticos e humanitários.

Mesmo que seu propósito tenha sido denunciar uma questão burocrática, o estudante recebeu muitas críticas de religiosos que não ficaram nada felizes com a brincadeira.

“Muitos ficaram só nas manchetes e acharam que eu queria tirar sarro das igrejas do Brasil. Minha intenção, na verdade, era fazer uma discussão mais aprofundada sobre a imunidade tributária e a baixa fiscalização, que acaba abrindo brechas para pessoas de má fé.”

Enquanto alguns apontaram dedos, outros abraçaram a igreja como se fosse verdadeira. Para a surpresa do futuro jornalista, a reação dos fãs de Overwatch foi além do que ele poderia imaginar - fazendo com que ele até mesmo exercesse a função de pastor e distribuísse bençãos nas partidas ranqueadas.

“A Igreja do Hanzo completou um ano em julho e ainda vive no coração de muitos jogadores de Overwatch. Sempre encontro pessoas pedindo minha bênção na Internet [risos]. (...) Eu conheci muitas pessoas legais por esse projeto. Além disso, abrir veículos como IGN, Kotaku, Polygon e ver que eu era a pauta do dia foi algo surreal.”

Mesmo sem um reconhecimento oficial da desenvolvedora do jogo de tiro, o jogador espera que um dia possa ver uma referência a seu registro religioso no game - nem que seja um simples "Amém" depois de fazer aquele abate perfeito: “A Blizzard não me processou até hoje, então imagino que eles curtiram [risos]! Meu sonho é ver uma referência da igreja dentro do game, quem sabe o Hanzo falando um 'Amém'. Eu teria um ataque se isso acontecesse”.

Ryū ga waga teki wo kurau! Amém. Foto: Blizzard/Reprodução
Ryū ga waga teki wo kurau! Amém. Foto: Blizzard/Reprodução

Um ano e dois meses depois, a Igreja Nacionais de Hanzo continua a existir no cartório e tem um peso ainda maior na vida de Mateus. Com sua reportagem, o estudante recebeu um prêmio de jornalismo universitário e transformou o site que criou com amigos em algo que deverá pautar seu futuro.

“Graças à influência da Igreja do Hanzo, eu e meu amigos transformamos o Nacionais, site que dá nome à igreja, em um projeto exclusivamente de games. Ele é o nosso TCC e, futuramente, será nosso trabalho”.

Ao Versus, Mateus agradeceu aos “fiéis” que espalharam a palavra da igreja, lembrando-os que sigam um preceito solene da religião: “Um dos nossos primeiros mandamentos é ‘pregar a paz e harmonia na internet e em comunidades online’. Sejam legais e ajudem a tornar a comunidade menos tóxica”.



Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

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