Rainbow Six Siege

Opinião: Porque o cenário nacional de Rainbow Six é um dos únicos com chances de ser campeão mundial

De uma forma positiva, o cenário nacional do game segue na contramão dos demais
@jairo.junior
Jairo Junior
é reporter no Versus.
Foto: ESL/Reprodução
Foto: ESL/Reprodução

É verdade que o esporte eletrônico continua crescendo de forma acelerada no Brasil. Ainda assim, é impossível comparar a estrutura do nosso país com as regiões mais evoluídas do mundo. Infelizmente, áreas como América do Norte, Europa e Ásia continuam muito à frente das demais. Não é à toa que, na esmagadora maioria das modalidades de esporte eletrônico, uma destas possui dominância ou está na briga pelo domínio.

Hoje, é possível dizer que um dos únicos cenários competitivos no Brasil que foge desta realidade e se apresenta como uma potência mundial é o de Rainbow Six: Siege - e existem fatos que explicam o desencadeamento deste fenômeno.

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Ubisoft, parceiras e um legado

Primeiramente, para que o Brasil pudesse atingir o atual status no R6, trabalho e investimentos foram sementes plantadas em solo nacional. A Ubisoft, desenvolvedora do jogo, acreditou no potencial de nosso mercado e aos poucos implementou um calendário saudável e competitivo no país, mesclando seus próprios torneios com o de parceiros.

Em pouco tempo, os atletas brasileiros passaram a disputar ligas como o Brasileirão e a Pro League em casa, além de outras competições menores. Uma estruturação efetiva, que começou de dentro para fora.

Outro fator é o Circuito Feminino, que deu visão e voz às jogadoras com competições online e dois presenciais - ambos, inclusive, de muito sucesso, nos palcos da Geek & Game Rio e da Game XP 2018.

Foto: @rainbow6br/Reprodução
Foto: @rainbow6br/Reprodução

Participações internacionais

Naturalmente, os próprios torneios nacionais passaram a dar vaga em mundiais, que se tornaram cada vez mais frequentes. Apenas em 2018, cinco equipes diferentes tiveram a oportunidade de disputar fora do Brasil em seis ocasiões: Pro League Finals Season 7, Pro League Finals Season 8, Six Invitational 2018, Six Major Paris, DreamHack Montreal 2018 e DreamHack Winter 2018.

Vale lembrar que a importância destes encontros é imensurável. Medir forças constantemente com pessoas de outros países beneficia nossos atletas de duas formas principais: a primeira é que os jogadores realizam bootcamps com mais frequência, passando um período considerável se acostumando com estilos diferentes e aprendendo a jogar contra eles. Esta prática permite que os pro players se acostumem a este tipo de ambiente e sintam menos dificuldade em jogar mundiais - e foi justamente o que aconteceu com o Rainbow Six brasileiro.

O segundo ponto é que toda a evolução e aprendizado que foi conquistado por dois ou três quintetos fora do país são trazidas junto com eles para o Brasil. Isto é posto em prática aqui e rapidamente os demais jogadores em solo nacional aprendem. Desta forma, o cenário evolui como um todo.

Investimentos internacionais

A presença de equipes internacionais em solo nacional por muito tempo foi algo impensável. Atualmente, no Rainbow Six, Ninjas in Pyjamas, FaZe Clan, Team Liquid e Immortals não só contam com equipes totalmente brasileiras, como competem no próprio Brasil.

No entanto, se pararmos para analisar mais calmamente, notamos que esta foi uma movimentação que pode ser classificada como natural. Afinal, as oportunidades entre as regiões se tornaram cada vez mais semelhantes. Quando aliamos isto a um mercado pouco explorado e a uma moeda desvalorizada, fica fácil e até mesmo cômodo para clubes de porte internacional competir com outros brasileiros - ao invés de disputar território em um ambiente muito mais selvagem e com outros cachorros grandes na briga.

Porém, é preciso olhar para os dois lados da moeda: muitas organizações nacionais se sentiram desconfortáveis com esta "concorrência desleal". Ainda assim, também não há como negar o benefício que estes nomes e seus respectivos poderes aquisitivos agregaram aos nossos jogadores.

Se no passado houveram polêmicas em relação à acomodações, alimentação e remuneração até mesmo na primeira divisão do R6, hoje em dia a maior preocupação dos atletas é exatamente a que deveria ser: jogar, e não se estressar em relação a onde moram ou como vão sobreviver com seus salários.

Comparativos

O ideal não é comparar cenários de jogos diferentes, mas, na prática, isto é quase inevitável. Afinal de contas, é normal se perguntar: "Por que os brasileiros de R6 fazem sucesso ao redor do mundo e de outro não?"

Colocando o Rainbow Six: Siege lado a lado com outros dois games competitivos no país - League of Legends e Counter-Strike: Global Offensive -, logo percebemos uma diferença nos resultados e desempenho em competições internacionais.

No mesmo ano em que os brasileiros do R6 tiveram seis torneios fora do país, o LoL teve apenas dois, sendo apenas uma vaga em cada. Ambas foram conquistadas pela mesma line-up, a KaBuM Esports. No FPS da Ubisoft, além de cinco escalações obterem esta oportunidade, na maioria delas haviam de duas a três equipes brasileiras na mesma competição mundial.

No CS:GO a comparação é igualmente complicada. É verdade que em 2018 os competidores que jogam no Brasil tiveram o maior destaque em comparação aos anos anteriores. Ainda assim, as vagas não são garantidas, pois surgem esporadicamente. Fora isto, os maiores talentos do país nem ao menos estão nele, já que são obrigados a morar nos Estados Unidos em busca de condições melhores.

Infelizmente, tanto no CS quanto no LoL, ainda é impensável que uma equipe que jogue e more no Brasil conquiste um título internacional de primeiro escalão. Além disto, também é difícil encontrar razões que motivem uma organização internacional a vir para o Brasil com investimento de peso, como foi no Rainbow Six.

O CrossFire é outro bom exemplo do que abordamos aqui. Por muitos anos o Brasil tentou, mas falhou na missão de conquistar o Crossfire Stars - título mais importante da modalidade. Tal feito só foi possível após a Black Dragons passar duas temporadas na China, que a propósito, é o cenário de maior força no mundo dentro do jogo.

A Mistura Perfeita

Este pequeno tour pela história do Rainbow Six: Siege nos ajuda a entender como as equipes brasileiras ficaram tão fortes. Em cada uma das etapas, desde o nascimento até o desenvolvimento e consolidação do cenário, os ingredientes certos foram adicionados até formar a mistura perfeita.

Basicamente, a estruturação gradativa de dentro para fora e a aproximação com o restante do mundo tornou esta modalidade o que é hoje: popular, em crescimento constante e um dos maiores pilares da comunidade brasileira nos esports.

Jairo "Foxer" Junior é redator do Versus. Siga-o no Twitter em @Foxer_JJ.

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