Saúde

OMS oficializa vício em games como problema de saúde mental

Representantes da indústria pedem que a classificação seja reconsiderada
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Por muito tempo, especialistas da saúde mental discutiram a possibilidade de oficializar o vício em videogames - e agora existe um pronunciamento oficial sobre o caso. Neste sábado (25), a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou atualizações da 11ª Classificação Internacional de Doenças, em que o ato de jogar excessivamente foi definido como distúrbio, sendo considerado um problema de saúde mental passível a diagnóstico e tratamento a partir da publicação do documento em 2022.


Leia mais:


Com a atualização, o vício em games foi adicionado à lista de doenças modernas como jogos de azar e alcoolismo.

Em entrevista à CNN, o Dr. Vladimir Poznyak, membro do Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, definiu em 2018 três principais sintomas para o diagnostico do distúrbio:

  • Controle prejudicado sob o ato de jogar videogame;
  • Priorização crescente de jogos em detrimento de outras atividades;
  • Permanência ou aumento de jogatina apesar da ocorrência de consequências negativas.


Estas especificações também estão listadas no site oficial da OMS. Além disso, o órgão afirma que os sintomas do vício "podem ser contínuos ou episódicos e recorrentes", e um diagnostico oficial requer o período de um ano de análises.

Após as atualizações, a Associação de Jogos Interativos e Entretenimento (IGEA) publicou uma declaração sobre o assunto. Na publicação, representantes do Brasil, Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul e África do Sul da indústria de games pedem para que a OMS reconsidere a classificação:



"Existe um debate significativo entre médicos e profissionais sobre a ação da OMS hoje. Estamos preocupados de que eles chegaram à conclusão sem o consenso da comunidade acadêmica. As consequências dos atos de hoje podem ter efeitos amplos, não intencionais e em detrimento daqueles que genuinamente precisam de ajuda.

Nós encorajamos e apoiamos uma jogatina saudável por meio de informações e ferramentas, como controle dos pais [parental controls], que empoderam milhões de pessoas ao redor do mundo para administrar suas jogatinas para que continuem divertidas e enriquecedoras.

Assim como todas as coisas boas da vida, moderação é chave e encontrar o equilíbrio certo é uma parte essencial de uma jogatina segura e sensível".


A comunidade de esports também se manifestou contra a oficialização - com muita irreverência. Rod "Slasher" Breslau, consultor de esports e personalidade do cenário, comentou a decisão e brincou: "Estou acumulando distúrbio”.

Samuel "Stoax" Stewart, caster da Pro League de Rainbow Six: Siege, também questionou a OMS com desaforo: "Então eu acho que vou passar a dizer que tenho um distúrbio e estacionar em vagas de deficientes agora. Além disso, qual é a cura?".

O que você achou a respeito da definição da OMS? Você concorda com a decisão?



Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

Tags Relacionadas
Saúde
Mais notícias
Jukes brilha na Cloud9 Academy, Pabllo Vittar no Free Fire e mais - Quick Play
Free Fire

Jukes brilha na Cloud9 Academy, Pabllo Vittar no Free Fire e mais - Quick Play

As melhores notícias de esports em um só programa!
Barbara Gutierrez