Apex Legends

O que a Pré-Temporada de Apex Legends diz sobre o futuro do battle royale da EA

Lendas prevalentes, armas fora da curva de potência e os desafios de transmissão
@luccabucks
Matheus de Lucca
escreve para o Versus.
O que será que vem por aí para Apex Legends? | Foto: EA Games/Reprodução
O que será que vem por aí para Apex Legends? | Foto: EA Games/Reprodução

O Apex Legends Preseason Invitational foi o último evento da Pré-Temporada do battle royale, o primeiro a ser totalmente organizado pela publisher EA Games e o segundo campeonato competitivo do circuito oficial. Com um formato inusitado para o gênero, premiação de US$ 500 mil (aprox. R$ 2 milhões) e 80 equipes de diversas partes do mundo, o torneio trouxe uma série de perspectivas quanto ao meta e desafios que a desenvolvedora Respawn Entertainment tem pela frente para deixar o game pronto para os esports.

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A experiência competitiva

O Preaseason Invitational contou com formato de dupla eliminação, algo comum entre jogos de luta, mas nada usual para battle royales. Normalmente, os times participantes jogam todas as rodadas em um único chaveamento e a equipe com maior pontuação no final de todas as quedas leva o título. Mas a EA teve uma ideia diferente.

Os times foram divididos em grupos e os 10 últimos da tabela no final de cada rodada caem para chave dos perdedores, enquanto os 10 primeiros avançam na chave dos vencedores. Depois de várias etapas, os sobreviventes da lower bracket se juntam aos triunfantes da upper bracket para a grande final. O formato é certamente interessante, permitindo a criação de trajetórias de recuperação e adaptação ao campeonato, mas cada rodada das etapas era composta de apenas três ou, no máximo, quatro quedas no Desfiladeiro do Rei, algo julgado insuficiente pelos jogadores do torneio.

"Battle royales têm muito RNG, então o formato de dupla eliminação é, em teoria, bom", diz Dakota "Exko" Macleod, da Quasar Generation Red. "Mas com uma melhor de três não faz diferença. O ideal é ter pelo menos seis quedas para realmente conseguir determinar habilidade dos participantes".

"Na minha opinião precisaríamos de 12 quedas para realmente desconsiderar o fator aleatório de battle royales", crava Vinícius "Noted", também da Quasar Red. "No mínimo seis. Tem muito time aqui que nas scrims não se saíam bem, mas acabaram passando por conseguirem bons drops e sorte. Acho isso errado para competições".

Além disso, a grande final contou com uma mecânica curiosa: para ganhar o Preseason Invitational, uma equipe precisaria somar pelo menos 50 pontos (entre colocação e abates) e, então, ganhar uma partida. Sendo assim, o número de quedas no mapa poderia ser, potencialmente, infinito. Em adição, mais times poderiam chegar a esse "checkmate". No caso do campeonato na Polônia, em determinado ponto 11 equipes estavam elegíveis para o título. A ideia certamente é interessante de uma perspectiva de espectador, mas para jogadores a mecânica foi exaustiva.

"Esse formato não favorece consistência", opina Philip "ImperialHal" Dosen, da TSM, campeã tanto do Preseason Invitational quanto do EXP Invitational. "Todo mundo tem que correr para conseguir 50 pontos e depois disso a mentalidade dos times muda de manter um gameplay consistente para só focar em vencer. Toda partida foi diferente e para nós isso foi muito estressante, parecia mais uma scrim do que uma final de campeonato".

Sobre a possibilidade de encontrar uma solução que mantivesse o aspecto empolgante do match point, mas que não fosse tão exaustivo, Jordan "Reps" Wolf, também da TSM, mostra ceticismo: "Precisamos digerir melhor o que aconteceu para começar a ensar nisso, mas não acho que há uma maneira de balancear as duas coisas".

O campeonato em Cracóvia, Polônia, contou com US$ 500 mil em premiação | Foto: EA Games/Reprodução
O campeonato em Cracóvia, Polônia, contou com US$ 500 mil em premiação | Foto: EA Games/Reprodução

A experiência do espectador

O battle royale da Respawn Entertainment não possui um modo espectador propriamente dito e isso significa que assistir às partidas de Apex Legends pode ser tanto entediante quanto caótico demais, em diferentes fases. Ter uma visão ampla do mapa e, principalmente, do círculo no qual os embates finais acontecerão, com mais visibilidade estratégica e informações mais relevantes à disposição seria o ideal.

Esse ponto ainda pode ser trabalhado e há como buscar inspiração os games concorrentes, como PUBG e Fortnite, buscando um bom equilíbrio.

O metagame competitivo

Desde a introdução de Wattson, a Defensora Estática, as estratégias defensivas passaram a ser as principais entre os jogadores profissionais de Apex Legends. A personagem é capaz de montar verdadeiros bunkers dentro de construções, desencorajando a agressividade dos inimigos. Sua habilidade suprema, Torre Interceptora, oferece à equipe recuperação de escudos, proteção contra projéteis, como granadas, e ainda um ponto de cobertura, dependendo da situação.

Wattson tem centralizado as táticas de Apex Legends, formando um trio com Pathfinder e Wraith. Os três personagens, quando combinados, oferecem aos esquadrões opções de mobilidade (acesso a high ground com a Arma de Tirolesa do Batedor Avançado), travessia de longas distâncias em segurança e rotações pelo mapa (com a Fenda Dimensional da Combatente Interdimensional), além das defesas mencionadas anteriormente.

Essa composição foi a mais prevalente durante o Preseason Invitational e foram poucos os times que não optaram por este trio. No campeonato anterior, EXP Apex Legends Invitational no X Games, Wattson teve 100% de presença. A prevalência dessa composição é vista de diferentes maneiras pelos pro players.

"O jogo está em um meta muito parado, no qual você é forçado a pegar uma posição boa, montar um bunker e não sair de lá", explica João Vitor "Rhythm", da Quasar Generation Blue. "Esses três personagens são insubstituíveis no momento".

"É um metagame, consistente, mas um pouco chato, que torna o jogo monótono", diz Bruno "bNs" Semeghini, da One Above All. "A Wattson como é hoje obriga todo mundo a jogar igual".

"Acredito que escudos [concedidos pelas armaduras] e itens de cura precisam de buffs", opina Reps, "porque assim a Wattson não seria tão necessária".

Já seu companheiro de equipe Mac "Albralelie" Kenzie aponta problemáticas com Pathfinder. "Ele é muito dominante por conta de sua passiva, talvez um rework nisso ajudasse nessa situação". O personagem consegue obter informação de o círculo fechará, o que dá muita vantagem estratégica ao esquadrão. A ideia de alterar essa habilidade vai de encontro a sugestões de outros pro players, de que seria interessante se todos os times pudessem ter uma ideia de onde o círculo vai fechar naquela partida, antes da queda, e, assim, poder selecionar personagens e pensar em estratégias com base nisso.

Wraith é uma das personagens essenciais para as atuais estratégias de Apex Legends por conta de sua ultimate | Foto: EA Games/Reprodução
Wraith é uma das personagens essenciais para as atuais estratégias de Apex Legends por conta de sua ultimate | Foto: EA Games/Reprodução

Armas consideradas fortes demais

Não há um jogador profissional de Apex Legends que não aponte a Longbow como um problema no battle royale. O rifle de precisão tem uma taxa de disparos alta, o que faz com que seja fácil punir a movimentação de adversários e até incentiva o gameplay defensivo proporcionado pelo trio de Wattson, Wraith e Pathfinder.

"Com a Longbow no jogo você simplesmente não consegue rotacionar se não tiver um portal da Wraith ou muita cobertura", explica Reps. "Você põe a cabeça para fora da casa e toma cinco tiros de lugares diferentes, todos de Longbow".

Outra arma considerada fora da curva é a Alternator, mais especificamente quando equipada com o hop-up Disruptor Rounds. A submetralhadora é capaz de derreter escudos e causar muito dano rapidamente.

"O Disruptor não deveria existir", diz Noted. "Os times que acham uma Alternator e encontram o Disruptor são encorajados a procurar confrontos e a correr atrás de abates, porque a arma fica muito forte e uma diferença de habilidade entre equipes já não existe mais. Você simplesmente não ganha uma troca de tiros contra uma Alternator com Disruptor".

O rifle Longbow é capaz de causar grande dano a longas distâncias, com disparos rápidos | Foto: EA Games/Reprodução
O rifle Longbow é capaz de causar grande dano a longas distâncias, com disparos rápidos | Foto: EA Games/Reprodução

É de se esperar que a Respawn tenha em mente o feedback dos jogadores para melhorias quanto a esses pontos no futuro. Todo game competitivo tem o seu meta e estratégias que são as mais fortes, mas com um elenco diverso de personagens e armas que podem proporcionar outras experiências em jogo, é natural que tanto pro players quanto espectadores queiram ver mais variedade nas partidas.

Este é apenas o começo da história competitiva de Apex Legends, afinal, estes campeonatos fizeram parte de uma pré-temporada. O próprio nome já nos diz que há, ao menos, uma nova leva de torneios por vir. Para a manutenção de um esport, a Respawn certamente tem cartas na manga para balançar as estruturas do Desfiladeiro do Rei, seja com a adição de novas Lendas, armas, hop-ups e mecânicas.

Resta também saber se a publisher e a desenvolvedora estão com o Brasil e a América Latina em mente. Com a participação de dois esquadrões inteiramente brasileiros e outros com uma mistura de pro players LATAM neste último Invitational, as expectativas são altas.

A Quasar Generation, organização brasileira que levou dois esquadrões para o Apex Legends Preseason Invitational, foi revelada ao público em outubro de 2018 como uma equipe focada inicialmente no cenário competitivo e na Copa do Mundo de Fortnite, mas agora também explora outros esports. Quer conhecer a mansão criada por Pyong Lee? Veja o vídeo acima.

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