Overwatch

O debate em torno de um sistema de banimento de heróis em Overwatch

Como o game seria sem a Matriz de Defesa da D.VA?
@luccabucks
Matheus de Lucca
escreve para o Versus.
Foto: Reprodução/Blizzard
Foto: Reprodução/Blizzard

Uma discussão antiga em torno do shooter em equipes da Blizzard retornou aos holofotes nos últimos meses de 2018 - o banimento de heróis no modo competitivo e no cenário profissional de Overwatch. Essa é uma questão que existe desde antes do lançamento do game, mas foi rapidamente abandonada uma vez que a comunidade levantou outras demandas, como mais elementos de história, skins e balanceamento. No entanto, uma série de fatores entraram em jogo para o renascimento do tema.

Leia mais

Um deles é a prevalência de uma determinada composição de heróis no cenário profissional, amador (T2/T3 - Contenders e Open Division, respectivamente) e nos ranques mais altos do competitivo casual: a famigerada GOATS, que tem esse nome devido à equipe que a utilizou pela primeira vez durante a Overwatch Contenders da América do Norte. Reinhardt, Zarya, D.VA, Moira, Brigitte e Lúcio marcham direto para o ponto e destroem tudo pelo caminho, sobrevivendo graças às curas em área e dizimando os adversários na força bruta. Há uma grande dificuldade em bolar estratégias que combatam essa formação, tanto que o melhor counter para GOATS geralmente é usar GOATS também. Daí é pancadaria dos dois lados até, milagrosamente, alguém morrer de um dos lados.

Contudo, a GOATS é apenas uma de tantas composições que já foram as queridinhas do momento. O metagame engessado, isto é, ver sempre as mesmas combinações de heróis em todos os games, é uma questão recorrente no jogo, ainda mais em tempos de Overwatch League (OWL), nos quais a Blizzard deve se preocupar com o fator diversão de assistir a uma partida - o público não pode ficar entediado de ver as mesmas estratégias o tempo todo, muito menos os jogadores.

Foto: Reprodução/Blizzard
Foto: Reprodução/Blizzard

Pro players, treinadores e managers das equipes da OWL expressaram que gostariam da introdução de um sistema de banimento de personagens no game em virtude dessa estagnação. O argumento de Matt “Flame” Rodriguez, general manager da equipe Houston Outlaws, é que “sempre existirá uma composição de seis personagens que é melhor ou boa demais em relação a alternativas”, e que banir heróis abriria um grande leque de possibilidades e diversidade nas partidas, levando a mais diversão tanto dos jogadores quanto dos espectadores.

Scott “Custa” Kennedy, suporte da Los Angeles Valiants, acredita que introduzir o sistema de banimento “tornaria o game muito mais dinâmico e interessante”, sugerindo que um limite de um ban por equipe seria o suficiente até que mais personagens fossem introduzidos.

Aaron “Aero” Atkins, head coach da equipe norte-americana Dallas Fuel, diz ser a favor do sistema, alegando que ver uma equipe se adaptar a algo novo é empolgante. “Preparação, estratégia e criatividade têm mais valor”

Listamos vários pontos positivos que um sistema de banimento de heróis poderia ter, mas nem tudo são flores. Ana Xisdê, apresentadora e comentarista da Overwatch Contenders South America, disse ao Versus que acredita que os banimentos de personagem poderiam ser benéficos, “porém correremos o risco de ficarmos sem ver um herói em específico por muito tempo”. Ela relembra que nos primórdios dos campeonatos de Overwatch as equipes baniam mapas, e era comum que os mapas de Assalto (2CP, como Templo de Anúbis e Indústrias Volskaya) serem os escolhidos. Por muito tempo não se viam partidas dessa modalidade. “O banimento de mapa foi evitado pela Blizzard em seus campeonatos oficiais e eles trouxeram uma solução diferente”, que foi a obrigatoriedade de que as equipes jogassem em uma série que incluísse os quatro tipo de mapas do game.

“Não há uma confiança total de que o sistema traria somente impactos positivos”, complementa Felipe “Tonello” Souza, narrador e analista da Overwatch Contenders South America em entrevista ao Versus. Em sua visão, os banimentos fariam com que “o aprimoramento e execução de composições fixas seria menor, por não ser possível saber se determinada comp estará disponível”. O outro lado dessa moeda seria a obrigação dos jogadores de expandir suas habilidades a mais heróis para adaptações em cima da hora.

Foto: Reprodução/Blizzard
Foto: Reprodução/Blizzard

Tonello menciona algumas iniciativas de testes do sistema, como a de Justin “Jayne” Conroy, treinador assistente da Dallas Fuel, que realizou um torneio não-oficial com times da Open Division, experimentando os bans. Em uma entrevista ao canal Your Overwatch, ele compartilhou algumas observações desse campeonato, notando que jogadores mais experientes se adaptaram mais rápido às limitações. Um dos feedbacks mais recebidos foi o de limitar banimentos múltiplos de uma mesma função, ou seja, evitar que dois suportes ou dois tanques pudessem ser banidos, por exemplo.

Como o elenco de heróis do game ainda é relativamente pequeno, com cada um preenchendo um nicho específico, cortar certos personagens limitaria demais as possibilidades em jogo. Isso criaria uma contradição na maneira como a Blizzard estruturou o gameplay base de Overwatch. Em contrapartida, mudanças drásticas nos sistemas de títulos competitivos são o que mantém vivo o interesse dos jogadores e pro players, como acontece em League of Legends e Dota, por exemplo.

A Blizzard posicionou-se sobre o assunto durante uma transmissão ao vivo de Jonathan “Reinforce” Larsson, na qual o lead designer Geoff Goodman disse que a equipe teve muitas discussões acerca do tema. “Há potencial [no sistema de bans], mas não acontecerá tão cedo e, se rolasse, precisaríamos de um elenco maior de heróis, caso contrário o sistema não faria sentido”. Goodman rebate o argumento de que o meta ficaria mais dinâmico com base no número de personagens disponívels. “Se você escolhe uma composição meta que tem um counter específico, e então bane esse counter, você solidifica ainda mais esse meta”.

Tonello ressoa com a ideia de que é cedo para implementar o sistema, alegando também que o nível de estudo das equipes profissionais “é capaz de criar estilos próprios de jogo, mesmo em metas com composições fortíssimas, como foi o caso do GOATS”. Ana Xisdê, por sua vez, acha que a Blizzard talvez elabore uma alternativa ao banimento de heróis, como fizeram com os mapas.

Ambos os lados da moeda têm bons pontos que fazem sentido. No momento, é bem aparente que a Blizzard não tem intenções de introduzir qualquer sistema semelhante ao de banimento de heróis. Nos resta ver como será o desenvolvimento da segunda temporada da OWL. É possível que a chegada de novos personagens e mais mudanças de balanceamento - como a recente enxurrada de nerfs a Brigitte, que certamente terá um grande impacto na GOATS - alterem o panorama estagnado de Overwatch que vimos nos últimos meses.

Matheus de Lucca está fazendo bootcamp por 1 mês no Versus. Você pode segui-lo no Twitter.

Mais notícias
Overwatch: Lowkey e FURY estão na final da 2ª temporada da Contenders 2019
Overwatch

Overwatch: Lowkey e FURY estão na final da 2ª temporada da Contenders 2019

Disputa acontece na próxima segunda (19)
Beatriz Coutinho
Kevin Garnett, estrela da NBA, investe na Triumph Esports
Mercado

Kevin Garnett, estrela da NBA, investe na Triumph Esports

Oganização conta com line-up em Overwatch, Teamfight Tactics e Apex Legends
Lucas Hagui
Overwatch: Jogador ensina pássaro de estimação a cantar o som da ult do Bastion
Overwatch

Overwatch: Jogador ensina pássaro de estimação a cantar o som da ult do Bastion

Configuração: Tanque o tempo inteiro
Matheus de Lucca