O cenário de jogos de luta “ainda não chegou lá”, diz Rip, narrador de Tekken

Para o norte-americano, "a premiação ainda é o maior problema"
Foto: SoCal Regionals/Reprodução
Foto: SoCal Regionals/Reprodução

O Tekken World Tour (TWT) está próximo de retornar e trará consigo mudanças em diversos sistemas. Para comentar sobre isso e mais, o Versus conversou com o jogador e narrador norte-americano Reepal "Rip" Parbhoo, que comentou sobre o novo circuito competitivo e do cenário geral de jogos de luta.

Leia mais:


Com o retorno de diversas competições já estabelecidas, como a Capcom Pro Tour de Street Fighter e criação de várias outras, como a Dragon Ball FighterZ World Tour e Arc Revo - circuito oficial de Guilty Gear e BlazBlue -, o questionamento em relação ao cenário de jogos de luta ressurge, ainda mais com o crescimento exponencial do alcance de títulos como Fortnite, Overwatch e afins.

Os fighting games ainda caminham em um trajeto paralelo, mas distinto se comparados aos gigantes dos esports como League of Legends e Counter-Strike. Segundo Rip, isso se dá pelo fato de a modalidade ainda estar engatinhando. "Não importa qual game ou gênero você acompanhe, todos são divertidos de assistir. A maior diferença entre o Tekken e outros jogos de luta é que o circuito competitivo ainda está em sua infância", diz o narrador.

"É claro que em comparação com League of Legends, CS:GO e até mesmo com a Capcom Pro Tour em alguns sentidos, dá para perceber o quão jovem é o Tekken World Tour. As baixas premiações são reflexo disso."

Foto: Bandai Namco/Reprodução
Foto: Bandai Namco/Reprodução

Em 2018, o sul-coreano Hyeon-ho “Rangchu” Jeong se sagrou como o grande campeão do Tekken World Tour. Para tal, o jogador teve que competir durante o ano todo, manter-se entre os melhores e vencer em um torneio contra os 31 mais bem colocados competidores do mundo, tudo isso para receber apenas US$ 7,5 mil.

Os prêmios em dinheiro em competições de jogos de luta estão longe de ser um atrativo, mas a recompensa extremamente baixa fez o torneio chegar perto de um boicote por parte dos pro players.

Ouvindo as considerações da comunidade, a Bandai Namco aumentou expressivamente a premiação para 2019, com US$ 100 mil em jogo na grande final, que acontece em Bangkok, na Tailândia.

"A premiação continua sendo o maior problema da Tekken World Tour", diz o narrador. "Estão fazendo o que podem e aumentaram consideravelmente em relação ao ano anterior, mas acredito que será difícil conquistar qualquer coisa enquanto não adotarem um sistema para contar com ajuda da comunidade por compras in-game ou mesmo outros produtos."

Além disso, Rip acredita que a principal motivação que mantém os envolvidos no cenário atual certamente não é o dinheiro. "Os jogadores e narradores ainda fazem tudo por amor, dá para ver que ainda não chegamos lá, mas estamos cada vez mais perto."

Foto: Bandai Namco/Reprodução
Foto: Bandai Namco/Reprodução

Além da premiação maior, a Tekken World Tour 2019 também conta com duas novas categorias de evento: Master+ e Dojo, a primeira relacionada à EVO e a última que promete ser um novo impulso para as comunidades locais.  

Segundo anunciado, os torneios Dojo poderão ser sediados por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, periodicamente, valendo pontos para o ranking do circuito.  

"A expansão do TWT dará a todos os jogadores mais visibilidade, como vimos na EVO Japão, existem competidores incríveis que ainda não foram vistos pelo mundo", afirma Rip. "Este é o ano em que todos terão uma chance."

Para o narrador, a nova temporada da disputa dará oportunidade para diversos novos competidores. "Num geral, a nova estrutura do Tekken World Tour incentiva a participação de todos os jogadores do mundo."

Prontos para acompanhar a nova temporada do Tekken World Tour? O circuito começa com as disputas do MIXUP evento de jogos de luta que acontece em Lion, na França, entre os dias  e  de abril. Os jogos serão transmitidos no canal do game na Twitch(veja acima).



Matheus Oliveira é redator do Versus. Siga-o no Twitter.