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MIBR, Chaos e Team One: Entenda o caso

Polêmica reascendeu a batalha contra hackers no cenário e como lidar com isso
@Foxer_JJ
Escrito por
Jairo Junior

Foto: HLTV/Reprodução
Foto: HLTV/Reprodução

A comunidade de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) ficou inflamada na última segunda-feira (22), quando se uniu como há tempos não fazia para o combate a trapaceiros. O estopim foi a polêmica envolvendo o jogador da equipe Chaos, Nathan "leaf" Orf, que pode ter utilizado hacks nos jogos contra as equipes brasileiras MIBR e Team One pela qualificatória norte-americana do CS_Summit 6. Influenciadores e jogadores profissionais do Brasil e do mundo abordaram o caso, que tomou grandes proporções e transformou-se em uma caçada com grande desvirtuamento do real propósito que este tipo de caso deveria ter.

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Entenda o caso

A história começou no duelo de abertura da qualificatória do CS_Summit 6 NA entre MIBR e Chaos. Nele, o jovem leaf teve grande destaque e levantou suspeitas da comunidade após algumas jogadas consideradas estranhas. Em alguns momentos da partida, a mira do jogador puxava de forma anormal, direto para o corpo dos inimigos que ainda estavam atrás de uma parede. Quem joga CS:GO sabe que coincidências assim acontecem e grandes jogadores da história possuem jogadas semelhantes, mas todas elas são de jogos, e até campeonatos diferentes, enquanto leaf fez todas elas no mesmo dia.

Após a vitória de 2 a 1 da Chaos sobre a MIBR, o time norte-americano enfrentou a Team One por uma vaga no campeonato e mais lances parecidos aconteceram. Não demorou muito para os clipes começarem a rodar pela internet e a desconfiança tomar conta dos fãs que assistiam ao confronto.

Nomes influentes do cenário de CS:GO se posicionam

O caso já estava sendo amplamente comentado, quando nomes influentes do cenário de CS:GO se posicionaram sobre o ocorrido, o que fez com que tudo tomasse proporções ainda maiores. O mais notório deles foi Alexandre "Gaules" Borba, que montou um verdadeiro tribunal em tempo real em seu canal, trazendo figuras como Rafael "pava" Pavanelli, Jean "mch" Michel D'Oliveira, Yuri "Fly" Uchiyama, Alessandro "Apoka" Marcucci e mais para opinar e analisar como ex-jogadores profissionais, organizador de torneios e mais.

Até mesmo Tarik "tarik" Celik, ex-MIBR e que hoje representa a Evil Geniuses, falou sobre leaf e disse que, de fato, sua desconfiança era grande em relação à integridade do jogador. "Eu achei os clipes enviados suspeitos sim", disse Gabriel "FalleN" Toledo. Vito "kNg" Giuseppe também desabafou sobre a injustiça na stream de Gaules. Outras pessoas, como Joao "felps" Vasconcellos, da BOOM, e Otávio "bczz" Boccuzzi, preferiram se comunicar por vídeo e fizeram análises, além de também opinarem sobre o ocorrido.

Opinião

Quando assisti ao jogo ao vivo pela transmissão oficial e sem slow motion e afins, confesso que não prestei atenção nas tais "puxadas de mira" de leaf. O que mais observei naquele momento foi a paciência e noção quase surreais que o pro player tinha. Em alguns momentos, quando não havia ninguém, o jogador entrava livremente em locais chaves do mapa, mas quando existiam inimigos em posição de vantagem, ele congelava e ficava um bom tempo parado, apenas mirando e esperando.

Depois que a coisa toda estourou, vieram os clipes. Não precisei me esforçar para procurá-los, já que estavam sendo amplamente divulgados - inclusive em minhas mensagens privadas do Twitter. Alguns deles chamaram atenção e vou deixar dois abaixo, mas outros claramente não possuíam qualquer indicativo de cheat, pois era nítido que o jogador tinha informação de companheiros, do som do jogo e outros detalhes. No geral, posso dizer que os lances e a forma como leaf se comportou em jogo é completamente passível de investigação e ela precisa ser feita. A propósito, vamos falar também sobre cobrança?

Querendo ou não, a análise final dos lances deve partir de três principais vertentes: a Beyond the Summit, que é a organizadora oficial do campeonato, a plataforma que prestou serviço com os servidores e anti-cheater para as partidas acontecerem e a própria Valve, pois estamos falando de uma qualificatória que oferece vaga para um torneio com pontos para o próximo Major. São estas instituições que precisam ser pressionadas para que, no mínimo, deem um parecer sobre o ocorrido com boas explicações e provas do que foi feito. Como elas resolverão isso não é um problema da comunidade no momento, já que de antemão, a maior função da organizadora de competições é manter a integridade da própria competição. Não existe esporte e competição sem transparência.

Parece óbvio dizer o que falei acima, mas para muitos não é. Pessoas foram direto no perfil de Leaf xingá-lo e até mesmo ameaçá-lo - o que configura crime. Estamos falando de um menino de 16 anos que, errado ou não, estando claro ou não na sua cabeça o que aconteceu, merece no mínimo um julgamento imparcial e com provas. Muitas vezes, a vontade de fazer justiça pode cegar e é preciso entender que justiça feita com as próprias mãos não é justiça.

Trabalho na cobertura de esports (e principalmente CS:GO) desde 2015. Jogo Counter-Strike desde 8 ou 9 anos de idade e em 2020, completo 26 anos. Assim como muitos, em todo este tempo aprendi a amar o CS e a competição, assim como a detestar trapaceiros. Mas desde que isso virou minha profissão, também aprendi a ter responsabilidade e saber exatamente quais são as consequências de meus atos.

Em meu próprio Twitter, afirmei que os lances realmente parecem estranhos, mas em seguida pedi para que as pessoas não xingassem e muito menos ameaçassem o acusado em suas redes. O mesmo eu espero de qualquer um que tenha uma mínima influência no cenário e que optou por comentar o acontecido. Afinal de contas, vamos ser francos: não é preciso que um influenciador fale com todas as palavras "Ataque aquela pessoa!" para que os fãs façam isso. Basta um discurso inflamado e nada mais. É preciso responsabilidade na hora de analisar, opinar e, principalmente, acusar alguém. E não pense que as redes sociais lhe tornam invisível só porque você não é famoso: há leis no Brasil que abrangem crimes virtuais também e não é difícil que isso chegue até você.

As coisas correm na velocidade da luz e a esta altura você já deve ter sua opinião formada sobre o caso. Seja qual ela for, apenas tenha responsabilidade. Se quiser justiça, cobre quem está lá para fazê-la, mas não tente fazer com as próprias mãos. Nós também estaremos aqui de olho em tudo que acontece, passando a informação de forma imparcial e cobrando por justiça e transparência junto com vocês.

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