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LoL: Quanto custa fazer um bootcamp para a Coreia do Sul

Pro players como Tinowns, Klaus, Wos e outros já tiveram essa experiência
@biaacoutinhoo
Escrito por
Beatriz Coutinho

Foto: Riot Games/Reprodução
Foto: Riot Games/Reprodução

A Coreia do Sul é o berço de pro players famosos de League of Legends, como Lee “Faker” Sang-hyeok e Lee "Crown" Min-ho. Entre o fim do 2º split do CBLoL 2019 e o início da 1ª etapa de 2020, jogadores brasileiros aproveitaram para realizar bootcamps no país asiático.

Thiago “Tinowns” Sartori, Humberto "Garo" Peixoto, Willyan "Wos" Bonpam, Júlio César "NOsFerus" Cruz, Augusto "Klaus" Clauss, Matheus "Professor" Leirião, Jesús Alberto "Grell" Loya, Guilherme "Mills" Uessler e Ygor "RedBert" Freitas são alguns dos nomes que passaram pela Coreia em 2019 com o objetivo de melhorar o desempenho em League of Legends.

Alguns deles, como Tinowns, Garo e Wos, custearam a própria viagem e jogarão o 1º split do CBLoL 2020 munidos de novas experiências. Mas, afinal: quanto custa e como se faz um bootcamp na Coreia do Sul? O Versus responde.

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Por que fazer um bootcamp?

Feito com antecedência ou não, o bootcamp é uma experiência na qual um jogador ou um time viaja para treinar em uma região considerada melhor que a dele. O cenário brasileiro de LoL possui um bom histórico de bootcamps e a maior parte deles foi feita na Coreia do Sul.

Recentemente, Klaus fez seu segundo bootcamp (custeado pela Vivo Keyd). Em maio de 2019, o atirador viajou sozinho para a Coreia do Sul, querendo aproveitar o tempo de férias entre um split e outro para investir no próprio desempenho.

“O bootcamp me impactou de uma maneira muito positiva. Consigo ver o jogo de uma outra maneira. Joguei com os melhores lá e aprendi coisas que demoraram para chegar aqui no Brasil, então eu estava na frente das pessoas, em questão de meta, quando eu cheguei aqui. Eu recomendaria que todos os pro players fizessem um bootcamp, porque abre os olhos pra você ver o jogo de outra maneira. Todas as pessoas que conheço que foram, voltaram melhores, ou pelo menos aprenderam muito”, afirmou Klaus.

Tinows, Klaus, Bieldomaul, Garo e Wos são alguns dos pro players que custearam os próprios bootcamps | Montagem: Reprodução
Tinows, Klaus, Bieldomaul, Garo e Wos são alguns dos pro players que custearam os próprios bootcamps | Montagem: Reprodução

Quem deve fazer um bootcamp?

Assim como Klaus, o pro player Gabriel "Bieldomaul" Ferreira também fez um bootcamp para a Coreia do Sul bancando a própria viagem. Os dois pro players concordam que apenas jogadores que já tenham algum nível profissional no Brasil devem fazer esse tipo de treinamento.

O primeiro impedimento para jogadores amadores é a própria maneira como se cria uma conta no servidor coreano de League of Legends: é necessário ter um documento de identidade coreano. Mas como os pro players conseguem uma conta, então? Jogadores profissionais de LoL contam com ajuda direta da Riot Games para criar contas na Coreia do Sul.

O segundo impedimento é o próprio nível dos jogadores amadores. “Qualquer jogador que não seja pelo menos Top 10 na fila ranqueada brasileira não deveria gastar dinheiro para viajar para fora. Quem não está nesse nível não sabe, literalmente, quase nada do jogo. Então, jogadores podem melhorar muito jogando por aqui para viajar depois”, explicou Bieldomaul.

Seul, capital da Coreia do Sul, possui mais de 9 milhões de habitantes | Foto: Saveliy Bobov/Unsplash
Seul, capital da Coreia do Sul, possui mais de 9 milhões de habitantes | Foto: Saveliy Bobov/Unsplash

Quando ir e quanto custa a passagem?

Segundo o Google Voos, ferramenta usada para comparar preços entre as passagens aéreas, a média de preço de trechos de ida e volta para Seul ou Busan (cidades sul-coreanas mais procuradas para bootcamps) varia entre R$ 4,1 mil e R$ 5,2 mil.

Todos os voos têm pelo menos uma escala e o local dela costuma ser associado ao país de origem da companhia aérea. A Alitalia, por exemplo, faz escala em Roma e só depois segue para a Coreia. Companhias como Gol e LATAM costumam fazer escalas nos Estados Unidos.

Bootcamps para jogadores individuais tendem a acontecer entre os intervalos de um split e outro do CBLoL. A 1ª etapa do torneio costuma terminar em março e a 2ª começa em junho. Durante esse período, ocorre o fim do inverno e o início da primavera. É umas das melhores épocas para viajar, porque as temperaturas na Coreia do Sul ficam amenas - nem muito frias e nem muito quentes. Além disso, é uma época de baixa temporada de viagem e por isso o preço das passagens não fica muito caro.

Já ao longo do intervalo de um ano pro outro, entre o fim do 2º split e o começo do 1º, ocorre entre o início de setembro e janeiro. Nesse período a Coreia passa pelo fim do verão, outono e início do inverno, estação que costuma ter temperaturas bastante baixas, que podem até mesmo ser negativas.

Hospedagem

Supondo que o bootcamp dure cerca de um mês, não vale a pena procurar hospedagem em hotéis, pois o valor para esse período é muito alto. O mais recomendado é alugar um local registrado no Airbnb - assim como fez Klaus. No serviço de reserva de acomodações é possível determinar a faixa de preço máxima e o período de estadia, o que ajuda a determinar rapidamente o valor final da hospedagem para um mês.

Entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil é possível achar acomodações pequenas e, na maior parte das vezes, com banheiros e cozinha compartilhados. Nessa faixa de preço é possível achar muitos goshitels, locais que reúnem dezenas de apartamentos minúsculos, que começaram a ser utilizados principalmente a partir da década de 1970. Esse tipo de hospedagem é principalmente usada por estudantes. Entre R$ 1,6 mil e R$ 2 mil já é possível encontrar acomodações maiores como quartos individuais em casas ou apartamentos.

Vale a pena procurar hospedagens que fiquem no centro de Seul, ou próximas dele, como dos distritos Yongsan-gu, Seongdong-gu e Dongjak-gu.

É importante prestar atenção nas descrições de hospedagens do Airbnb ou tirar dúvidas diretamente com os proprietários das acomodações para ter certeza de que você pode se hospedar no local escolhido. Muitas hospedagens aceitam somente homens ou somente mulheres.

PC Bang | Foto: Michael Sullivan/NPR
PC Bang | Foto: Michael Sullivan/NPR

PC Bang

Criados em 1988, os PC Bangs são um tipo de lan house muito comuns na Coreia do Sul. Em coreano, bang significa sala, ou seja, a tradução do termo é simples: sala de computadores. O local costuma reunir uma grande quantidade de máquinas e é comumente usado por jogadores de videogame que querem se divertir ou treinar, em grupo ou até mesmo individualmente.

Os PC Bangs funcionam por hora de uso do computador. A média do preço da hora é de US$ 1, cerca de R$ 4,02 (cotação do dia 30/12). Supondo que um pro player permaneça 10 horas por dia no PC Bang durante um mês, gastará cerca de R$ 1,2 mil.

Há muitos PC Bangs localizados no centro de Seul e Busan e é bastante comum que sejam oferecidos diversos tipos de comida (paga à parte), desde lámens até salgadinhos e doces.

Os pro players que estiverem dispostos a pagar um pouco mais caro pelo valor da hora no PC Bang podem visitar o LoL Park. A arena, que também funciona como estúdio da liga sul-coreana de League of Legends, possui um PC Bang próprio, além de local para refeições e salas com diversas atrações do jogo. Nas avaliações públicas do Google Maps o LoL Park possui nota 4,5 de 5.

Comida, transporte e seguro viagem

Com passagem, hospedagem e local para treinar resolvidos, é preciso pensar em três coisas: alimentação, transporte e seguro viagem. O site Quanto Custa Viajar? fornece uma média do valor de cada refeição em Seul:

O valor médio das refeições econômicas (café da manhã, almoço e jantar) fica por volta de R$ 26,26, totalizando R$ 787,20 para 30 dias. Para o valor final do preço total estipulado do bootcamp, consideraremos R$ 1 mil para alimentação.

Falando sobre transporte, o metrô é uma ótima solução, pois funciona todos os dias das 5h à 00h. Caso exista a necessidade de utilizar o metrô com frequência, vale a pena comprar o cartão recarregável T-Money, ao invés de comprar bilhetes unitários. Vale lembrar que o valor cobrado pela viagem não é único como no Brasil, a tarifa é calculada de acordo com a distância da estação de origem até a estação de destino.

Um gasto que pode parecer bobo, mas é muito importante, é o do seguro viagem. O serviço garante, por exemplo, atendimento médico em caso de acidentes no destino da viagem, dinheiro para gastos com atrasos de viagens, assistência farmacêutica, seguro bagagem, entre outros benefícios. Empresas como a GTA (Global Travel Assistance), cobram a partir de R$ 538 por um seguro de 30 dias na Ásia.

Por fim, considerando os valores:

  • Passagem de ida e volta: R$ 5,2 mil
  • Hospedagem: R$ 1,6 mil
  • PC Bang: R$ 1,2 mil
  • Alimentação: R$ 1 mil
  • Transporte: R$ 300
  • Seguro viagem: R$ 550

Um bootcamp para a Coreia do Sul custa por volta de R$ 9,85 mil. Vale lembrar que esse valor pode ser mais barato ou mais caro de acordo com as preferências de cada pro player, levando em consideração escolhas de valores mais baixos ou altos para passagens, hospedagens, entre outros quesitos.

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