LoL: “O preconceito sobre as mulheres num geral é basicamente o reflexo da nossa sociedade”, diz Cute

Jogadora fala sobre o cenário de eSports
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Você já deve ter ouvido sobre Júlia “Cute” Akemi. Ela ficou conhecida como a primeira pro player brasileira a jogar uma partida oficial de League of Legends em estúdio - no caso, a jogadora defendeu a CNB Trinity White durante uma rodada da Superliga, no início de dezembro.

A equipe de base da organização contava apenas com um representante de Elo Desafiante: a própria Cute. Mesmo o time perdendo os dois jogos da série contra a ProGaming, Júlia ainda foi alvo de ataques preconceituosos no chat das transmissões das partidas.

O Versus conversou com Cute para saber suas opiniões sobre o cenário brasileiro de LoL, seu passado e futuro no competitivo.

 

Jornada da campeã

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Natural de Bauru, interior de São Paulo, a jogadora de 17 anos já está quebrando barreiras no cenário feminino de League of Legends no Brasil… Mal sabia ela até onde Summoner’s Rift poderia levá-la.

Sua história com o LoL começou graças a uma recomendação do jogo feita por um amigo.

“Nunca me imaginei pegando Challenger, mas sempre fui muito esforçada para ser boa no jogo e por causa disso acabei conquistando o elo”, afirma a jogadora, que já chegou a jogar até 12 horas por dia.

Sua principal função no game atualmente é Suporte, mas essa não foi sua rota inicial no LoL: “Eu joguei no meio por cerca de três temporadas, e com o passar do tempo, fui enjoando. Então decidi aprender a jogar de suporte, já que os campeões eram bem parecidos com os que eu jogava no mid.”


Peneira CNB

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O Preparando Campeões é um programa de seleção de novos jogadores, organizado pela CNB. Após passarem por um processo seletivo chamado de Peneira, os jogadores escolhidos passam a fazer parte dos times de base do clube e têm a chance de se tornarem pro players, podendo chegar ao Campeonato Brasileiro de League of Legends.

Foi graças ao processo seletivo da equipe de base da CNB que Cute teve a oportunidade de estrear no mundo competitivo.

“O processo da Peneira foi uma experiência bem interessante e eu não senti nenhuma reação surpresa dos meus colegas de equipe [em relação a ser uma mulher]. Eles me trataram de igual para igual”, afirmou Cute.

Rapidamente, a chance de jogar uma série oficial em estúdio chegou. A CNB escolheu usar suas equipes de base na SuperLiga porque quis proporcionar mais experiência aos jogadores amadores enquanto as últimas contratações do time profissional para o CBLoL 2018 eram finalizadas.


Cenário feminino 

Ilustração: Kaol Porfírio
Ilustração: Kaol Porfírio

A presença de Cute na competição da ABCDE, além de ter sido um grande passo na entrada de mais mulheres nos eSports, mostrou para outras jogadoras que podem, sim, ir atrás de seus sonhos no mercado competitivo.

“Espero ter aberto os olhos de muitas mulheres que sonham em seguir essa carreira e deixar claro que tudo é possível!” disse a jogadora.

Cute acredita que com o passar do tempo o número de jogadoras de LoL deve aumentar. “O preconceito sobre as mulheres num geral é basicamente o reflexo da nossa sociedade. Muitos conceitos ainda precisam ser reformulados.”

E quanto aos argumentos pobres que ‘mulher só joga como suporte’, ela é direta e mandou o seguinte recado: “Preconceito sobre a minha rota é algo que não me afeta e nem deveria afetar qualquer outra jogadora, pois devemos jogar na função que nos agrada.”

 

Futuro

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Quando questionada sobre seu futuro, Júlia diz que em 2018 sua prioridade é terminar o Ensino Médio.

Ela afirma que desde o início, sua intenção foi apenas finalizar o projeto do Preparando Campeões junto com a CNB Trinity White, já que sua intenção sempre foi ter uma vida universitária.

Mesmo que Cute deixe o cenário de lado, seu legado para as jogadoras vai permanecer marcado na comunidade brasileira. Seu último conselho para as mulheres que querem se aventurar pelos eSports?  “Com muito esforço, todo sonho vira realidade. Nunca desista!”


Bia Coutinho é redatora no Versus. Siga-a no Twitter.

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