League of Legends

LoL: Mora diz que "chegou a hora de tirar deuses antigos do cenário brasileiro e trazer novos rostos"

Em coletiva de imprensa, treinador comentou sobre a falta de rotação de talentos no país
@helenavnogueira
Escrito por
Helena Nogueira

Jake "Mora" Hammond, treinador chefe do Santos e-Sports, abordou a importância de geração de novos talentos no competitivo de League of Legends (LoL). Durante coletiva de imprensa realizada durante o CBLoL neste sábado (1), o head coach deu a sua opinião sobre o cenário brasileiro do MOBA, afirmando que "chegou a hora de tirar alguns dos deuses antigos e trazer novos rostos".

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Na coletiva, o Versus questionou o treinador britânico se ele concordava com a afirmação de Jean-François "Nuddle" Caron, que declarou que falta desejo de vencer nos jogadores brasileiros. Mora disse que tem a mesma opinião que o colega de profissão, mas complementou com sua própria experiência profissional.

"Para mim, tendo vindo da Turquia, vejo paralelos em relação ao Brasil e como os jogadores brasileiros funcionam. Quando você olha o topo da performance brasileira, você vê os mesmos nomes aparecendo split atrás de split, ano após ano, nos melhores times. No CBLoL este ano, os nomes que estão jogando não são muito diferentes daqueles que disputaram o split passado. Você vê os mesmos jogadores transitando entre times e ainda perseguindo resultados medianos".

O head coach também comentou sobre sua experiência na Europa, onde começou a carreira. Ele traçou uma paralelo com a liga europeia (LEC), em que há a competição constante "por resultados cada vez mais altos". Para Mora, isso acontece porque a região se preocupa em gerar talento e em trocar jogadores que não possuem a energia, disciplina e habilidades necessárias para competir em alto nível.

"No Brasil, o surgimento de novos jogadores não é muito alto, como você vê por exemplo o Tutsz aparecendo esse ano pela KaBuM. Ele fez um grande jogo hoje e tem se saído muito bem esse ano. Mas, fora ele, não tem muitos novos jogadores desconhecidos, que você não viu antes no CBLoL, no Circuitão, ou nesse tipo de competição. Por isso, os jogadores estão a salvo sabendo que, independente de como jogarem em um split, eles vão ter outro time no próximo split. Nesse caso, para que importa dar o máximo de si?

Mora durante o período em que foi treinador da ⁠Galatasaray Esports na Turquia. Foto: Reprodução
Mora durante o período em que foi treinador da ⁠Galatasaray Esports na Turquia. Foto: Reprodução

Mora também criticou o nível de competitividade e profissionalismo das scrims brasileiras, apontando as formas como isso compromete os treinos.

"Algumas scrims no Brasil não tem um bom nível, elas não são tão sérias às vezes. Especialmente em termos de nível de jogadas e de atitude, algumas scrims não são exatamente um ambiente sério de se estar. Por isso, é difícil treinar quando você não tem jogadores que realmente têm energia para melhorar - no meu caso, tenho Jusinho, Aryze, Hy0g4 e Mewkyo, que são todos rostos relativamente novos para o LoL profissional brasileiro. O Jusinho já está há certo tempo, mas ele não tinha tido a oportunidade de ser titular. Esses caras, durante o treino, estão todos muito motivados e com muita vontade de jogar, de melhorar e aprender. Eu não vejo isso em alguns jogadores de outros times. Isso é o que torna tudo difícil.

"O Nuddle falou sobre vontade de vencer, e eu vejo isso. Vontade de melhorar é como eu diria. Vontade de melhorar, vontade de não descansar e não dizer que está contente com o seu nível, pegar o seu pagamento e ir para o próximo split, ser famoso e essas coisas. Isso é algo que talvez exista muito no Brasil e, se vocês mesmos pararem para ver alguns nomes do CBLoL, você vai perceber os nomes que se repetem e o nível de sucesso deles, tem vários nomes que deveriam ter sido trocados há muito tempo, mas continuam jogando e descansando, não realmente se esforçando para alcançar mais coisas.”

Mora também foi questionado pela imprensa sobre a proximidade de seu argumento com o usado por Gabriel "Kami" Bohm, da paiN Gaming, que critica jogadores que não se esforçam o suficiente e que só se importam com o pagamento que recebem. O head coach disse que concorda com Kami, e respondeu sobre como a transição para o sistema de franquias em 2021 pode impactar este cenário.

“Em relação ao que o Kami diz, sim, eu concordo. Há jogadores desse jeito aqui com certeza. (...) E se o sistema de franquias vai mudar isso? Então, eu passei pelo processo de instauração de franquias na Turquia, então posso falar um pouco sobre como franquias mudam uma região e como elas não a mudam. Falando de uma forma geral, os times procuram por jogadores de nível de franquia a princípio".

"Por exemplo, o Tinowns seria um jogador de franquia para a paiN, porque ele é um nome grande, ele é um grande jogador e uma figura central para o marketing da paiN. O Revolta seria o mesmo para a KaBuM (...). Não é coincidência que quando o brTT joga em um time, a audiência daquele time cresce assustadoramente. Ele é um nome enorme e as pessoas vão querer ver ele jogando. (...) Os times vão querer ter seus jogadores de franquia para fazer marketing em cima disso, pois é como você fala paras as pessoas ficarem interessadas nos seus jogos. A questão é identificar quais são os jogadores que querem receber pagamento e seguir em frente. Como um adendo, nenhum dos jogadores que mencionei são pessoas que penso ‘ah, devo colocá-lo nessa categoria’. São todos jogadores muito profissionais".

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Mora comentou sobre como os times devem apostar em jogadores como Tinowns, Revolta e brTT no início de suas franquias. Foto: Reprodução
Mora comentou sobre como os times devem apostar em jogadores como Tinowns, Revolta e brTT no início de suas franquias. Foto: Reprodução
Foto: Reprodução
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O treinador britânico continuou sua resposta afirmando que, por causa do interesse de times de franquia apostar em grandes nomes, não haverá uma onda de aposentadorias no cenário a princípio e, como consequência, novos nomes devem demorar aparecer no competitivo.

Ele também apontou que, no Brasil, ele percebe a influência de relacionamentos internos na contratação de jogadores de LoL.

"É uma questão compliacada por causa da forma como os times brasileiros funcionam. Como vocês bem devem saber, é um cenário pequeno e não há tantos times profissionais, e se você conhece as pessoas é muito fácil manter o seu emprego ou conseguir entrar em um time. Você conhece um manager de uma equipe X e quer ser contratado por ela - de repente, você está jogando naquele time. Então, não se torna a decisão de todo o time, mas de uma ou duas pessoas. (...) Cabe às próprias organizações identificar esses jogadores e dizer: ‘Não, nós não queremos esse tipo de jogador aqui’."

Por fim, Mora finalizou sua resposta destacando a ausência de rotação de talentos no cenário brasileiro de LoL, frisando a importância deste fator para um alto nível competitivo.

"Torço muito que comece a acontecer uma rotação de talento, porque acho que o Brasil precisa muito disso. Acho que chegou a hora de tirar alguns dos deuses antigos do cenário e trazer novos rostos. Acho que isso irá refrescar as coisas e aumentar o nível e a vontade de vencer, como falamos anteriormente. É preciso aumentar a vontade de vencer, de praticar e de melhorar. ”

A fase regular do 2º split do CBLoL continua neste domingo (2), confira os jogos da rodada:

Rodada 18 | Domingo - 02/08

  • 13h - FURIA x KABUM E-SPORTS
  • 14h - Prodigy Esports x Flamengo Esports
  • 15h - Santos HotForex x INTZ
  • 16h - paiN Gaming x Vivo Keyd3

Na coletiva de imprensa da rodada do dia 26 de julho, Jean-François "Nuddle" Caron, técnico do Flamengo eSports, disse que principal diferença entre times do exterior e brasileiros é que, aqui, falta "desejo de vencer". Veja a resposta completa do coach no vídeo acima.

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