League of Legends

LoL: Harumi diz que há boas jogadoras no high elo, mas falta espaço para elas

Jogadora foi a primeira mulher a disputar um torneio oficial da Riot no Brasil
@biaacoutinhoo
Escrito por
Beatriz Coutinho

Harumi | Foto: Rensga/Reprodução
Harumi | Foto: Rensga/Reprodução

Em 27 de julho Gabriela "Harumi" Silvério se tornou a primeira mulher a disputar um torneio de League of Legends oficial da Riot Games no Brasil, no caso, o 2º split do Circuito Desafiante 2020. A pro player da Rensga eSports jogou a última partida do time pela fase regular do torneio e fez parte da vitória da contra a Falkol. O Versus conversou com a jogadora, que foi contratada pela organização por meio de uma peneira, está se desenvolvendo como profissional e sonha em jogar o Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL).

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Harumi e outros jogadores que conseguiram uma vaga na Rensga por meio da Peneira | Foto: Rensga/Reprodução
Harumi e outros jogadores que conseguiram uma vaga na Rensga por meio da Peneira | Foto: Rensga/Reprodução

De Goiânia até Summoner's Rift

Natural de Goiânia, Harumi tem 21 anos e joga LoL há seis anos. Foi por volta dos 15 anos que ela "pisou" em Summoner's Rift pela primeira vez, influenciada principalmente por seus irmãos. "Aos poucos, fui ganhando apoio também dos meus amigos que gostavam do game e diziam que eu jogava bem", conta a pro player.

No início de 2020, a Rensga anunciou uma peneira de League of Legends, processo que reúne jogadores para selecionar os melhores participantes do evento e criar uma equipe. O projeto tinha como objetivo encontrar pro players para três times: Rensga GO, formada apenas por jogadores goianos, Rensga Academy, do qual poderiam participar players de outros estados, e time principal.

Apesar de nunca ter participado de nenhum torneio antes, com o incentivo de amigos Harumi decidiu se inscrever na disputa por uma vaga. Segundo a jogadora, até o momento da competição ela continuou treinando como costumava fazer, e assistindo a VODs, partidas gravadas de LoL, prática que os jogadores podem usar para aprender ao ver as próprias partidas ou partidas de outros jogadores.

A final da peneira foi realizada em um evento, quando os inscritos disputaram uma série melhor de cinco jogos (md5). "Durante os jogos, os técnicos e os jogadores do time principal avaliaram os finalistas e no fim do dia anunciaram os selecionados. Foi uma emoção muito grande, porque de alguma forma eu estava ali realizando um sonho", diz Harumi.

A jogadora confessa que trabalhar como pro player não era exatamente sua primeira opção quando pensava em um emprego, principalmente porque viveu com "muito preconceito da comunidade", mas ela revela que passou a entender que "se você tem um sonho precisa buscar realizá-lo".

Nova rotina e estreia no Circuitão

Na peneira, Harumi foi selecionada para fazer parte da Rensga GO. Desde o início do projeto ela treinava em casa com a supervisão de uma comissão técnica e também "sempre trocava ideia com Pedro "Zirigui" Vilarinho" - suporte titular da line-up de LoL principal da Rensga - e de lá para cá sentiu diversas diferenças em seu jeito de jogar.

"Ganhei mais noção de mapa e como um suporte precisa rotacionar, sei onde posicionar wards e o que fazer no jogo em geral", diz a jogadora que tem como campeões preferidos Rakan, Bardo e Blitzcrank.

Após o fim da janela de tranferências do Circuitão, Harumi foi anunciada como suporte reserva da Rensga no 2º split do CD 2020. Em julho a jogadora foi convocada para disputar um dos jogos do torneio e passou a treinar com o time principal diariamente. "Durante esse tempo, tive muito apoio de todos até me sentir confiante para jogar uma partida oficial", conta a player.

No dia do jogo, a Rensga queria vencer para garantir o segundo lugar na classificação para os playoffs. "Eu estava muito nervosa, então preferi não ver o que estava acontecendo até o final do jogo, porque apesar da maioria das mensagens serem de apoio, aquelas uma ou duas de ódio batem muito forte".

Na hora da partida, o time goiano jogou com Camille, Olaf, LeBlanc, Senna e o famoso Rakan de Harumi, uma composição que tinha potencial para garantir o jogo se o early game da Rensga fosse bom. E foi justamente isso que aconteceu, a Rensga dominou a partida do início ao fim, enquanto a Falkol ficou cada vez mais para trás, e Harumi teve participação em 10 dos 13 abates de seu time.

Classificada para as eliminatórias do Circuitão, a Rensga jogará contra a Team oNe na próxima terça-feira (11), às 18h. Harumi acredita que a equipe tem grandes chances de chegar até a grande final do CD. "Somos um time sincronizado e sempre conseguimos aplicar qualquer composição proposta. A Team oNe é um time muito bom, eles são muito inteligentes, sempre jogam para escalar. Mas, acho que o early game da Rensga, que é um dos mais fortes da competição, vai ser um ponto a nosso favor. Eu acredito que a Rensga tem tudo para ser campeã do Circuitão".

Futuro no cenário competitivo

Enquanto Harumi estreava no Circuito Desafiante, fãs no chat da transmissão do torneio e no Twitter demonstravam apoio à jogadora. Se antes da partida ela preferiu não olhar os comentários sobre sua primeira partida, depois da vitória ela se surpreendeu com a quantidade de suporte que recebeu da comunidade, principalmente por meio da hashtag #GOHARUMI.

"Eu só vi depois da partida e fiquei em choque! Sabia que seria algo grande, mas não imaginava a quantidade de pessoas e até outras figuras públicas que eu admiro tanto me mandando mensagens de carinho. Fiquei muito feliz!"

Ainda assim, a jogadora realça a tristeza de que apenas em 2020 um uma mulher teve a chance de disputar um torneio oficial da Riot no Brasil e afirma que já precisou provar para outros que merecia estar onde estava, enquanto questionamentos como este não acontecem frequentemente com jogadores homens - eles costumam ser cobrados e xingados por conta de seu desempenho e não exclusivamente pelo gênero.

"É triste saber que até hoje nenhuma mulher teve essa oportunidade. Existem muitas jogadoras boas no cenário. Só espero que isso sirva de exemplo para que as organizações deem mais espaço para elas também conseguirem mostrar seu jogo. Há jogadoras boas no high elo, mas as organizações não estão dando muito espaço para elas, o que faz com que nem pensem em ser profissionais. Espero que a minha estreia sirva de inspiração para todas as meninas que têm o sonho de se tornar pro. A comunidade ainda tem traços machistas, mas aos poucos, e, principalmente depois da minha estreia, acredito que a mudança desse tipo de pensamento será grande. O maior desafio é quebrar a barreira do machismo inserido na comunidade gamer, isso fez com que eu sempre precisasse ficar provando meu potencial e dignidade para estar ali no meio dos meninos. As situações preconceituosas são muito comuns ainda."

Ao Versus, Harumi contou que sonha em participar do CBLoL e se depender da "Tropa da Harumi", como os fãs da jogadora se identificam nas redes sociais, ela terá muito apoio para chegar até lá.

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Chat de transmissão do Circuitão no YouTube durante jogo da Rensga | Foto: Captura de tela/Reprodução
Chat de transmissão do Circuitão no YouTube durante jogo da Rensga | Foto: Captura de tela/Reprodução
Chat de transmissão do Circuitão no YouTube durante jogo da Rensga | Foto: Captura de tela/Reprodução
Chat de transmissão do Circuitão no YouTube durante jogo da Rensga | Foto: Captura de tela/Reprodução

Mulheres que já disputaram grandes torneios

Embora Harumi tenha sido a primeira mulher a disputar uma competição oficial da Riot no Brasil, outras jogadoras já disputaram partidas profissionais de LoL no Brasil em grandes torneios. A pioneira foi Julia “Cute” Akemi, que estreou na Superliga 2017, e embora tenha recebido apoio de parte da comunidade, também enfrentou muitos comentários negativos. Ela deixou o cenário competitivo e atualmente faz streams.

Em 2018, foi a vez de Amanda “Kiit” Toniato, atiradora da Jawbreakers, disputar a Superliga. No ano seguinte, Júlia "Mayumi" Nakamura competiu na Superliga 2019 jogando pela INTZ. Mayumi foi contratada pela INTZ em agosto de 2019, após vencer o Projeto Invocadoras, iniciativa organizada pelo Sakuras Esports em parceria com o time. A jogadora foi inscrita no 1º split do CBLoL 2020, mas retirada da lista oficial de jogadores, quando a INTZ decidiu inscrever Bruno "Hauz" Ferreira no lugar da pro player.

Mayumi deixou a organização em maio e atualmente não compete por nenhuma equipe, mas afirma que ainda quer ser pro player. No início de junho, o Start revelou que a pro player está processando a INTZ. A jogadora alega que foi afastada de suas atividades e usada pelo clube somente para realizar ações publicitárias. Além disso, afirma que havia irregularidades em seu contrato de trabalho e pede indenização por assédio moral.

Com tanto tempo de existência, o meta do LoL já passou por muitos altos e baixos. Veja no vídeo acima 10 vezes em que estratégias eram tão fortes que "quebraram" o jogo e exigiram mudanças rápidas - mas nem sempre - por parte da Riot Games.

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