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Gay, negro e furry: Porque SonicFox mereceu o prêmio de melhor pro player do ano no Game Awards

É muito mais do que colecionar troféus
@_matheusf23
Matheus Oliveira
escreve para o Versus.
Foto: TGA/Reprodução
Foto: TGA/Reprodução

Dominique “SonicFox” McLean talvez não fosse um nome tão conhecido dos esports, muito pelo nicho em que atua - afinal, fighting games ainda são deixados de lado no mercado -, mas isso mudou durante a última edição do The Game Awards 2018.

Dentre tantos indicados, que incluíam competidores da Overwatch League como Bang “JJonak” Sung-hyeon e uma lenda do League of Legends, Jian “Uzi” Zihao, uma personalidade se destacou, atraindo os olhares do mundo inteiro com risos incontroláveis e declarações que foram além de um simples agradecimento.

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Marcando seu nome na história

É claro que parte da glória vem de resultados. SonicFox, um pro player de apenas 20 anos, compete em jogos de luta desde o lançamento de Mortal Kombat 9, em 2011.

Com apenas 13 anos, Dominique mostrava possuir muito conhecimento sobre os games que jogava, dando trabalho a veteranos do cenário do jogo da Netherrealm.

Mas foi com Injustice: Gods Among Us (2013) que a carreira do jovem pro player decolou. Nenhum competidor sabia o que esperar das mecânicas do game de luta, mas SonicFox foi o primeiro a entender como o título funcionava e surpreendeu a todos com sua performance esmagadora.

Foi assim que o desejo do jovem por conquistas maiores surgiu, levando-o ao maior palco dos fighting games no mundo: a Evolution Championship Series (EVO).

Durante a EVO 2014, Injustice e Mortal Kombat 9 batiam de frente em questão do nível de participantes e audiência, com a maioria dos grandes títulos do evento - como Ultra Street Fighter IV, Super Smash Bros. Melee e Ultimate Marvel vs. Capcom 3. O desafio não seria fácil, principalmente para um jovem que começou a participar de campeonatos mundiais naquele mesmo ano.

No torneio de Mortal Kombat 9, Dominique foi extremamente dominante, sagrando-se campeão com relativa facilidade.

Já em Injustice, o pro player foi mandado para a chave dos perdedores cedo, após ser derrotado pelo jogador “PigoftheHut”, mas escalou até a grande final, onde encontrou novamente com seu nêmesis.

Para vencer, SonicFox precisou emplacar uma performance perfeita em um total de seis partidas… E foi exatamente o que aconteceu.

Sem dar oportunidades a seu rival, Dominique McLean sagrou-se campeão mundial pela primeira vez, no torneio mais disputado do mundo em cima do palco mais importante do cenário dos fighting games.

Foi após essa partida e essa vitória que o jovem deixou de ser apenas um desafiante novato e tornou-se o jogador a ser vencido.

SonicFox participou de diversos campeonatos importantes a partir daquele momento, mantendo sua posição de campeão mundial na EVO em 2015 e 2016, jogando na nova edição do game que o tornou conhecido: Mortal Kombat.

Já 2017 foi o ano de Injustice 2. SonicFox foi o competidor mais consistente do recém-criado circuito competitivo do game, mas não garantiu os títulos mundiais, sendo superado pelo novato Ryan “Dragon” Walker.

Apostando em games diferentes e mostrando que sua dominância independe do título jogado, Dominique veio mais forte do que nunca em 2018. De Injustice 2 ou SoulCalibur VI até Dragon Ball FighterZ, o jogador mostrou sua garra e conquistou títulos pelo mundo.

Muitos atacavam o competidor dizendo que era fácil ser campeão em um jogo que ninguém joga. Dominique tomou as declarações como um desafio e provou que era capaz, vencendo no torneio mais disputado do fighting game mais jogado do ano: Dragon Ball FighterZ na EVO 2018.

Voltando para sua especialidade, SonicFox sagrou-se também campeão do circuito competitivo de Injustice 2, cuja premiação recebida pelo competidor foi de US$ 40 mil. O pro player decidiu impactar mais vidas, doando parte do valor recebido para um de seus rivais. O motivo? Ajudar no tratamento contra o câncer do pai de seu oponente.


Um vencedor dentro e fora dos games

Receber o prêmio de Jogador de Esports no Game Awards 2018 apenas consolidou uma jornada cheia de vitórias - em diversos aspectos - que deixou para trás uma trilha de pessoas impactadas e vidas mudadas.

O discurso de Dominique McLean após ser declarado vencedor no evento potencializa ainda mais seus resultados, mostrando à comunidade que ser um vencedor não se trata apenas de conquistar troféus.

SonicFox nunca escondeu sua sexualidade do público e de seus fãs. Provando ser uma das maiores personalidades e um dos maiores vencedores da história do cenário competitivo, o pro player aproveitou para mostrar ao mundo que o mais importante é tornar o mundo um lugar melhor para todos.

Hoje, SonicFox - gay, negro e furry -, carrega mais do que diversos recordes registrados no Guinness ou troféus na prateleira. Além de ser o jogador que mais conquistou premiações nos fighting games, o jovem norte-americano hoje é adorado e um modelo a ser seguido, um exemplo de que o esport é um cenário plural e que as ações fazem as pessoas dentro e fora dos jogos.

"Sou gay, e também o melhor jogador de Dragon Ball FighterZ do mundo, não esqueça", diz o tweet.



Matheus Oliveira é redator do Versus. Siga-o no Twitter.

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