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FIFA: Jogador Bierhoff é tetraplégico e 3º melhor goleiro de Pro Clubs no Brasil

Jogador de 42 anos encontrou no jogo uma segunda família
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: EA Games/Reprodução
Foto: EA Games/Reprodução

Marcos "Bierhoff" da Silva tem 42 anos e é tetraplégico. Ele perdeu os movimentos dos membros abaixo do peito mas, mesmo assim, impressiona em campeonatos de Pro Clubs de FIFA há cerca de seis anos. Atualmente, ele representa a Eleven Gaming e é o 3º melhor goleiro na Virtual Professional Soccer League (VPSL), principal plataforma de torneios online do modo no Brasil.

O Versus conversou com o jogador, que contou sua história de vida e sua trajetória com o jogo da EA Sports - em que encontrou diversão e uma rede de amigos.

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Marcos, natural de Balneário Camboriú, Santa Catarina, é um grande colecionador de medalhas. A competição sempre esteve presente em sua história: nas quadras, ele acumulou vitórias no vôlei, no futebol e no atletismo, e a memória dos triunfos está materializada nas mais de cem insígnias que Bierhoff possui.

Dentro de casa, a disputa acontecia nos videogames. Ele conta que ele e a família costumavam competir entre si até altas horas da noite.

“Antes de sofrer o acidente, eu jogava bastante. Sempre fui de jogar videogame, desde criança, e venho acompanhando a evolução deles - desde o Atari, Master System, Super Nintendo... assim vou. Nós fazíamos campeonatos com as minhas tias, meus tios. Eles vinham em casa aos domingos e a gente ficava até 1 da manhã jogando Street Fighter no Super Nintendo. Nós nos divertíamos muito.”

Dos simuladores de futebol, o primeiro foi o Winning Eleven (PES), mas foi no FIFA que Marcos realmente se encontrou. Até que, inesperadamente, um incidente mudou sua história.

“Sofri o acidente com 24 anos. Aconteceu em um parque aquático, naqueles escorregadores toboágua. Eu desci de frente - o que no caso não é aconselhado - e, quando estava chegando na área de queda, vi que tinha gente na piscina. Inclinei o corpo para não bater na pessoa, e nisso virei demais e na queda o impacto foi na nuca, atrás da cabeça. Ali quebrei a vértebra vervical 6 (C6) e perdi os movimentos de praticamente o corpo todo."

Foto: Bierhoff/Arquivo Pessoal
Foto: Bierhoff/Arquivo Pessoal

Após o acidente, Bierhoff passou por um tratamento de readaptação em Brasília, em que pôde entender mais sobre sua condição e como se adequar a ela. Ele já não movia mais as mãos e não conseguia segurar um controle de videogame.

Porém, isso não o impediu de continuar a jogar: colocando o controle no colo e usando a palma das mãos para usar os direcionais e apertar botões, Marcos encontrou no FIFA uma forma de manter a paixão pelos jogos mais viva do que nunca.

"Depois do acidente, tudo é novo e confuso. Porém, com o passar do tempo, as coisas foram melhorando, vamos nos adaptando. Eu segui com o FIFA porque é mais tranquilo para que eu jogue, ainda mais jogando de goleiro, em que não precisa de muita reação rápida. O que eu consigo controlar é com o analógico, apertar botões com a palma da mão. Jogo de tiro é impossível, porque eu não consigo segurar o mouse e clicar.”

Por meio do FIFA, Bierhoff pôde se reencontrar com o sentimento de união que tinha quando jogava com a família e colegas de trabalho. Os jogos trouxeram novos contatos e amigos, que lhe apresentaram o modo Pro Clubs. Em pouco tempo, ele se destacou dentre tantos jogadores e ascendeu no competitivo.

"Quando surgiu o Pro Clubs, há uns seis anos atrás, um amigo comunicou a gente pelo nosso grupo no Skype e começamos a jogar só por diversão. Um dia, em 2014, fui convidado para jogar em uma equipe com bolivianos e argentinos para disputar a Copa América. Eu me destaquei e o dono do clube logo me chamou para jogar na seleção da Bolívia. Em 2015, veio o convite para jogar na seleção brasileira. Foi ali que comecei a conhecer o pessoal de elencos melhores, os mais fortes, e em seguida fui chamado para jogar em uma organização brasileira, a Heaven Eleven (H11).”

Hoje, cerca de seis anos depois, Bierhoff é jogador da Eleven Gaming e ocupa a 3ª posição do ranking de melhores goleiros de Pro Clubs da VPSL.

Ranking de melhores goleiros de Pro Clubs da VPSL. Foto: VPSL/Reprodução
Ranking de melhores goleiros de Pro Clubs da VPSL. Foto: VPSL/Reprodução

Desde então, o FIFA tornou-se parte intrínseca do dia-a-dia de Marcos. Ele joga de segunda-feira a quinta-feira, e todos os anos ele se dedica às temporadas competitivas, treinando e evoluindo seu goleiro no game.

Para Bierhoff, nenhuma adaptação de controle ou jogo é necessária para melhorar sua experiência, já que ele se adaptou - e dominou - com tranquilidade a jogatina. Porém, o catarinense gostaria de um dia ter a experiência de disputar um campeonato presencial do simulador de futebol.

“Eu gostaria de mais campeonatos aqui, mas é complicado por causa da minha região. O polo mesmo é Rio de Janeiro e São Paulo, e os presenciais mesmo começaram a acontecer recentemente. O problema é que estes torneios para mim sempre foram mais complicados, por conta de avião e tudo mais. Se pudesse, queria uma evolução no meu quadro para conseguir ir.”

O FIFA é um jogo que representa muito mais do que diversão para Marcos, tornando-se parte importante de sua história. Segundo ele, o game foi responsável por conectá-lo a uma rede de amigos que nunca o colocam para baixo - pelo contrário, o incentivam e vibram com as suas vitórias.

“Tem partidas que entro mais para bater papo com o pessoal. O divertido é interagir com eles, e o FIFA tem uma programação de campeonatos de segunda a quinta-feira, além de corujões de sexta, sábado e domingo. É onde eu encontro o pessoal para conversar e todo dia existe o compromisso de entrar e jogar. São muitos anos jogando até com as mesmas pessoas - e eu digo, falo mais com esse pessoal do que com a minha família. É a minha rede de amigos.”

Foto: EA Sports/Reprodução
Foto: EA Sports/Reprodução

Veterano da comunidade de Pro Clubs desde o seu início no Brasil, Bierhoff faz o apelo para que os jogadores sejam mais unidos e ajudem uns aos outros para crescer - algo que, em suas palavras, foi muito importante para ele.

Através dos anos, a experiência de Marcos com o modo mostrou que existe espaço para todos se divertirem e crescerem competitivamente. Ele manda o seguinte recado para aqueles que possuem alguma deficiência física:

“Você precisa procurar se divertir com os jogos, ou o que tiver condições de fazer. Alguns se divertem com videogame, outros com cartas, dominó... É preciso ver o que é possível de você fazer para se divertir. A gente está nessa condição, então você tem que procurar o seu espaço. Tem que seguir a vida, e aqui [nos jogos] em espaço para todo mundo se divertir.”


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Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

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