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FIFA: “Depende apenas de nós mesmas”, dizem jogadoras sobre mulheres no competitivo

FifaTeca66 e Error404JR contam suas trajetórias no cenário
@helenavnogueira
Escrito por
Helena Nogueira

Foto: Future FC/Reprodução
Foto: Future FC/Reprodução

A cada ano, cada vez mais mulheres alcançam posições de destaque nos esports... e no cenário competitivo de FIFA não é diferente. Em 2019, Stephanie Luana “FifaTeca66” Santos foi contratada pela Future FC, organização pertencente ao grupo Astralis, e se tornou a primeira brasileira a representar uma equipe internacional do game de futebol da EA. Enquanto isso, em escala regional, a jogadora Jessica “Error404JR” Silva se consolidou como um nome de importância no meio universitário, tendo sido campeã de um dos principais torneios da modalidade.

O Versus conversou com ambas as jogadoras sobre as atuais oportunidades e condições do cenário competitivo de FIFA, além de suas trajetórias. Elas também deram sua opinião sobre como mais mulheres podem começar a competir: “depende apenas de nós mesmas”.

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Natural de São Paulo (SP), Jessica “Error404JR” Silva tem 21 anos e é - em suas palavras - “vidrada em videogame” desde os cinco anos de idade. Isto porque, na época, ela conheceu World Championship Soccer de MegaDrive por influência de seu pai e seu tio e, depois disto, não demorou muito para que Pro Evolution Soccer (PES) e FIFA se tornassem uma de suas maiores paixões.

Stephanie Luana “FifaTeca66” Santos, de 23 anos e original em São Caetano do Sul (SP), também descobriu os simuladores de futebol por meio de sua família. Os games, assim como as transmissões de futebol, estavam sempre presentes na sua sala de estar. Na infância, ela disputava partidas de FIFA contra seu irmão - sem saber que um dia seria contratada por uma grande organização internacional para disputar torneios da modalidade.

Para Teca e Error, é nítido que o afeto pelo FIFA tem raízes no futebol. Além de acompanhar suas seleções favoritas, as jogadoras praticaram o esporte na infância e adolescência. Não a toa, ambas descrevem o futebol usando a palavra “amor”.

“Sempre tive contato com o futebol”, conta Teca. “Eu simplesmente amo o esporte. Meu time de coração é o Corinthians e na época de colégio cheguei a fazer parte da equipe feminina de futsal. Foi então que resolvi me dedicar ao futebol virtual, e no primeiro contato me encantei. O que mais me conquistou foi o Ultimate Team, pois ele te dá a possibilidade de gerenciar um time.”

Amo futebol”, diz Error. “Para mim é uma paixão inexplicável. É algo que sempre esteve presente na minha vida, apesar do preconceito que recebia quando jogava quando criança. Sou Corinthiana roxa e atualmente estou jogando pelo time da minha faculdade, a Unicamp.”

Apesar de estarem no cenário do game há pouco tempo - Jessica passou a disputar torneios quando entrou na faculdade e Stephanie ainda fará sua estreia nos campeonatos defendendo a Future FC -, as jogadoras sempre tiveram a adrenalina da competição em suas vidas de alguma forma.

Error conta que participava de pequenas disputas em sua casa com família e amigos e, mesmo havendo resistência ao fato de ser mulher, a jogadora não se dava por vencida e saia triunfante: “Se contarmos torneios não-oficiais, provavelmente faço pequenas apostas desde os 13 anos. Jogava campeonatos com amigos e conhecidos valendo algum dinheiro, esses ganhei a maioria. Um dos momentos mais marcantes para mim foi, com certeza, quando reunimos várias pessoas em casa para fazer um torneio e eu era a única mulher da sala. Foi então que ouvi a seguinte frase de um primo para meu avô: ‘Me recuso perder pra uma mulher’. Pois então, perdeu!”

Foi na universidade que Jessica teve seu primeiro contato com o competitivo de FIFA, visto que a Unicamp, onde cursa Estatística, possui uma liga feminina de esportes eletrônicos chamada Mermaids. A organização se mostrou vital não apenas para que Error tivesse uma porta de entrada nas competições, como foi o impulso necessário para que conquistasse título do Campeonato Paulista Universitário de Esportes Eletrônicos (CPUE) 2019.

Meu primeiro campeonato ‘valendo’ foram as e-Calouríadas da faculdade. Perdi o torneio, mas foi importante porque a presidente da Unicamp Tritons lembrou de mim e me convidou para representar a Mermaids no CPUE. Foi o primeiro torneio real que participei, e o mais louco [sic] é que saí de lá com a vitória.”

Com o título, Error representou a Unicamp nos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs), que aconteceu em Salvador, na Bahia, em outubro de 2019.

Porta de entrada, o cenário universitário tem proporcionado a formação de novos talentos femininos para o competitivo profissional, que, por sua vez, conta com Teca para estabelecer metas ainda mais altas para as jogadoras.

Em novembro de 2019, a pro player foi contratada pela Future FC, pertencente ao grupo Astralis. No anúncio da contratação, Kasper Hvidt, diretor de esports do clube, disse que “Teca possui todas as características de uma verdadeira profissional: ela é um grande talento que não teve boas condições para crescer, mas mostrou suas habilidades no jogo ainda assim”.

Stephanie conta como surgiu o convite para participar da organização e dá detalhes sobre a estrutura que tem a sua disposição: “Faço parte da eSportsReputation, uma agência alemã de atletas de FIFA que possui uma sede no Brasil. O primeiro contato que tive com a Future FC foi através deles. A organização se interessou por mim e me contratou. Hoje conto com uma estrutura do time em São Paulo (SP) e também treino constantemente com os atletas da equipe e da agência. Não estou disputando nenhum torneio ainda, mas espero participar do maior número de campeonatos possíveis a partir de agora. Sinto-me lisonjeada com essa oportunidade, está sendo fantástico representar uma equipe como a Future FC!”

Enquanto não faz sua estreia nos campeonatos offline, Stephanie tem disputado as Weekend Leagues, torneios online de final de semana que acontecem no FIFA. Na disputa, ela já conquistou os ranques Elite 2 e 3, que estão entre os níveis mais altos do game e que demandam ao menos 23 vitórias.

O futuro é brilhante para as mulheres no FIFA: seja em escala regional ou internacional, as jogadoras conquistaram o seu lugar nos esportes eletrônicos. Para Teca, o número de competidoras aumenta a cada ano: “Na minha opinião, a presença feminina está aumentando gradualmente. Antes quase não se via meninas jogando FIFA, hoje já temos pro players como Laura "LaurixGame" Moreno e a Lisa Manley. Estou muito feliz de fazer parte disso”.

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LaurixGame foi contratada em outubro de 2019 pela DUX Gaming, tornando-se a segunda pro player de FIFA do mundo. | Foto: DUX Gaming/Reprodução
LaurixGame foi contratada em outubro de 2019 pela DUX Gaming, tornando-se a segunda pro player de FIFA do mundo. | Foto: DUX Gaming/Reprodução
Jogadoras disputam a modalidade de FIFA no JUBs 2019 em Salvador, na Bahia. | Foto:  Light Press/CBDU/Saulo Cruz
Jogadoras disputam a modalidade de FIFA no JUBs 2019 em Salvador, na Bahia. | Foto: Light Press/CBDU/Saulo Cruz

Como atacantes que disparam à frente do time e para acertar a bola no gol, Jessica e Stephanie são dois nomes que estão estabelecendo novos caminhos para que mais jogadoras encontrem sucesso e realização no FIFA. Contudo, elas não querem comemorar a vitória sozinhas, mas dividir o competitivo com outras mulheres.

“Para as jogadoras, só tenho a dizer que não desistam”, pede Error. “Se alguém pensar em diminuí-las, mostrem que estão errados. Joguem! Conquistem ainda mais esse espaço porque ele é nosso também. Quando tinha dez anos, uma vez eu perdi de 40 a 0 para um primo, e ele ficou se gabando por isso. A partir desse dia, decidi que não iria escutar piadinha de mais ninguém. Era o mesmo primo que se recusava a perder de mulher, o mesmo que perdeu várias e várias vezes e que levou várias e várias goleadas. Portanto, não desistam! Esse momento é nosso!”

“Preciso dizer para as meninas nunca desistirem de seus sonhos”, pede Teca. “Mesmo que seja difícil, porque tudo o que acreditamos e buscamos pode ser alcançado. Depende apenas de nós mesmas”.

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