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Estudo aponta que vício em games não está relacionado a jogos eletrônicos

Universidades britânicas não identificaram ligação oficializada pela OMS
@helenavnogueira
Helena Nogueira
é reporter no Versus.
Foto: Reprodução
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Em maio de 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) oficializou o vício em games como um problema de saúde mental - porém, uma pesquisa divulgada pelas Universidades de Oxford e Cardiff na sexta-feira (18) contradiz esta decisão. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo acadêmico, não há relação entre a condição e o ato de jogar videogame.

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Com o título "Investigating the Motivational and Psychosocial Dynamics of Dysregulated Gaming: Evidence From a Preregistered Cohort Study" ("Investigando a dinâmica motivacional e psicosocial de jogar desreguladamente: evidência de um estudo de coorte pré-registrado", em tradução livre para o português), a pesquisa foi realizada como resposta à classificação concedida pela OMS.

O estudo, que analisou dados de cerca de mil adolescentes e seus responsáveis, sugere que aqueles que possuem o vício em games possuem frustrações e questões psicológicas que não estão relacionadas aos jogos eletrônicos, o que pode levá-los a jogar demais.

Um dos autores do estudo, o professor Andrew Przybylski, explicou como os videogames não se relacionam diretamente com o problema de saúde mental. Segundo o pesquisador, a classificação oficializada pela OMS é incorreta.


“Nossas descobertas não forneceram evidências que sugerem um relacionamento prejudicial com videogames que seja responsável por problemas substanciais emocionais, de convivência e de comportamento. Ao contrário, é mais provável que variações de experiências com games estejam ligadas a se necessidades psicológicas básicas de adolescentes para competência, autonomia e pertencimento são realizadas e se os jovens possuem problemas funcionais maiores. Em vista das nossas descobertas, não acreditamos que existem provas suficientes para garantir a conclusão de que o ato de jogar é um distúrbio clínico de fato."

Mesmo com as conclusões, a doutora Netta Weinstein, co-autora da pesquisa, ressalta que mais estudos precisam ser realizados sobre a questão: "Nós estimulamos que profissionais da saúde atentem para os fatores mais profundos da questão como as satisfações psicológicas e frustrações diárias para compreender como uma minoria de jogadores sente que precisa jogar de forma obsessiva."

Em maio, a OMS divulgou atualizações da 11ª Classificação Internacional de Doenças, em que o ato de jogar videogame excessivamente foi definido como distúrbio, sendo considerado um problema de saúde mental passível a diagnóstico e tratamento a partir da publicação do documento em 2022. Na época, desenvolvedoras de jogos e profissionais dos esports se manifestaram contra a decisão.

Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

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