Comunidade

"Estão trocando fuzil de verdade pelo digital", diz Chantilly sobre alunos do AfroGames

Sócio-Diretor do AfroGames rebateu argumento que liga violência aos jogos eletrônicos
@Foxer_JJ
Escrito por
Jairo Junior

Foto: AfroGames/Reprodução
Foto: AfroGames/Reprodução

O AfroGames formou 70 alunos em seu primeiro ano de existência - e já existem planos para aumentar a turma para 200 participantes em 2020. O projeto solidário ensinou jovens da favela de Vigário Geral (Rio de Janeiro) a jogar League of Legends, uma base de língua inglesa e até mesmo programação de jogos. O Versus esteve presente no evento de formatura dos alunos e conversou com Ricardo Chantilly - um dos idealizadores do projeto - sobre a importância da iniciativa, expansão e como os políticos enxergam os jogos e os esportes eletrônicos no Brasil.

Leia mais:

Chantilly afirmou que a avaliação de tudo o que foi feito no AfroGames neste ano é "super positiva". Ele relembrou a época em que ainda idealizava a iniciativa e contou à reportagem que "Nem nos melhores sonhos pensava que teria um sucesso tão grande".

O empresário se surpreendeu com a grande aceitação que foi criar um projeto social pautado no mundo digital: "Em outros lugares eu vi que, por exemplo, de 100 garotos e garotas, 40 escolhiam futebol, 20 teatro, 10 percussão e 10 outra coisa. Mas quando tem computador no meio, os 100 escolhem isso. Todos vieram com grande vontade de aprender. Realmente isso não é mais o futuro, e sim, o presente".

O interesse pelo computador e pelos jogos facilitou até mesmo a vontade de aprender o Inglês. Chantilly revelou que, no início, a motivação para esta aula não era grande, pois "os alunos enxergavam como uma aula normal de escola". Isso mudou entre o segundo e terceiro mês: "Eles [os jovens do projeto] entenderam que precisavam do Inglês até mesmo pra jogar e pra fazer a programação, que eram duas coisas que os interessava bastante. A partir disso, ficou muito mais fácil".

Por enquanto, o AfroGames ofereceu principalmente aulas de LoL, programação e Inglês. No entanto, mesmo que eles não escolham carreiras específicas destas áreas, a capacitação profissional que os jovens receberam abre um leque gigante de outras possibilidades.

"O projeto ainda está bem no início. Mas mesmo que eles não venham a ser jogadores profissionais de LoL ou programadores - é claro, nem todos vão ser - o que temos aqui é um aprendizado profissional que ajudará em qualquer área. Por exemplo, se forem arrumar emprego em um hotel, já vão chegar lá sabendo mexer perfeitamente em um computador, coisa que antes não sabiam. Além disso terão também uma base de Inglês. Então, antes só poderiam carregar mala e agora já podem trabalhar na recepção e outras funções."

Ricardo Chantilly (esquerda) e José Junior (direita) | Foto: Diego Matheus/Tumulto Comunicação
Ricardo Chantilly (esquerda) e José Junior (direita) | Foto: Diego Matheus/Tumulto Comunicação

Apesar dos benefícios que o AfroGames trouxe, Chantilly lamenta que nem todos os estados tenham abraçado a ideia: "O governo deveria olhar mais para isso aqui e levar para outras favelas, pois o retorno é extremamente rápido. O governo do estado do Rio de Janeiro nos apoia desde o início, ainda assim creio que o AfroGames também poderia ser um projeto do Governo Federal e de outros governos estaduais e municipais pelo Brasil afora. Nós temos uma molecada imensa nas favelas dispostas a aprender, então se a gente entra com algo assim dentro das comunidades no Rio de Janeiro e no Brasil, isso pode mudar o país de uma vez por todas".

Ainda no assunto de estado e política, Chantilly mostra que não compartilha da visão do Projeto 383, que visa regulamentar os esports no país, e muito menos dos parlamentares que participaram da discussão do PL e ligaram os games à violência. O Sócio-Diretor do AfroGames aponta, inclusive, que a realidade é contrária ao que foi dito no senado.

"Acompanhei todas as audiências que aconteceram. Até pedi a alguns donos de organizações que usassem o AfroGames como exemplo. A verdade é que infelizmente a maioria dos nossos políticos estão ali para aparecer. Eles não entendem nada sobre o que é o jogo, seu habit, o business... Além disso, infelizmente, eles também apresentam uma mentalidade que acredita que uma pessoa que usa um rifle digital vai sair por aí matando gente. Mas olhando pro próprio AfroGames, alguns destes garotos estão trocando o fuzil de verdade pelo fuzil digital. É justamente ao contrário do que eles falam. No geral, creio que a própria indústria vai mostrar sua força e vai passar por cima dessa regulamentação que está começando de um jeito errado."

Com o pensamento voltado para 2020, Chantilly quer lançar ainda mais projetos voltados para área dos games e ligados ao próprio AfroGames.

"Nosso xodó do momento é a criação de uma creche digital. Será para crianças abaixo de 12 anos, as quais receberão o suporte de uma creche além de ser voltada para área digital, robótica e com reforços escolares e alimentação. A ideia é prepará-las desde pequenas para que eles já cheguem no Afro Games aos 12 anos com uma boa base. Outro projeto que pensamos é a primeira arena dentro de uma favela, que ficará no morro do Canta Galo. Ela terá tamanho para cerca de 200 espectadores e a ideia é essa: aulas durante a semana e competições no final de semana. Já estou pensando até na inauguração fazer um torneio presencial de Counter-Strike, que é um jogo com mapa de favela e dentro de uma favela real."

Por falar em CS, Chantilly revelou ao Versus que a ideia é que o FPS da Valve e outros jogos passem a fazer parte da grade curricular do AfroGames: "Além do próprio CS:GO estamos de olho em Fortnite, Dota e mais".

Conheça mais sobre o projeto em nossas matérias especiais a respeito do AfroGames.

Siga o Versus nas redes sociais para mais notícias - Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Mais notícias
Liga dos Surdos oferece aulas de Libras no SBT e streams durante quarentena
Esports

Liga dos Surdos oferece aulas de Libras no SBT e streams durante quarentena

Confira a programação especial do projeto
Beatriz Coutinho
CS:GO: Valve lança novas skins e Glock inspirada em AMD
CS:GO

CS:GO: Valve lança novas skins e Glock inspirada em AMD

Jogadora não escondeu a felicidade em seu Twitter
Jairo Junior
CS:GO: Agentes valorizam cerca de 1.000% por conta de erro no mercado do Steam
CS:GO

CS:GO: Agentes valorizam cerca de 1.000% por conta de erro no mercado do Steam

Se você pretende fazer aquisições é melhor esperar
Jairo Junior