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Especial The International 2018: A história da Pain Gaming no Dota 2

No Pain No Gain
@barbara.gutierrez
Escrito por
Barbara Gutierrez
O time brasileiro será o representante da América Latina no The International 2018. Foto: Reprodução/Pain Gaming
O time brasileiro será o representante da América Latina no The International 2018. Foto: Reprodução/Pain Gaming

A Pain Gaming fez história no Dota 2, sendo a primeira equipe brasileira a se classificar para o The International 2018, o maior campeonato da modalidade. Para celebrar o feito da equipe, o Versus - em parceria com Hugo "Aedrons" Carvalho - fez um texto sobre a trajetória da line-up e sua história atual.

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Com uma rica e longa história dentro do cenário de esports, a Pain foi fundada em 2010 por Arthur “Paada” Zarzur na fusão dos jogadores de Defense of the Ancients das equipes Gamewise e CNB. Paada era um dos jogadores e tinha como companheiro de line-up ninguém mais, ninguém menos que Danylo "Kingrd" Nascimento - hoje, o jogador é suporte e capitão do time que disputará o TI8.

Naturalmente, a organização foi tomando forma e partindo para outros jogos, evoluindo para uma das maiores organizações latino-americana de eSports. Pode-se dizer que a equipe conquistou respeito na cena nacional de DotA e também conseguiu alguns resultados internacionais positivos.

Se em Defense of the Ancients a Pain teve um longo e bom histórico, em Dota 2 nem tudo foi flores. A situação do Dota no Brasil era complicada, já que todos os time latino-americanos jogavam no servidor norte-americano com uma jogabilidade afetada pelo alto ping. Por uma instabilidade do cenário, apesar da Pain ser considerada uma das melhores no MOBA, ainda existia uma grande mudança de jogadores.

Por 2012 ter sido um ano fraco para o time, vamos começar pelo ano de 2013. Neste momento, a formação principal (com Diogo "Elfo" Slomsky, Guilher “Fuzzy” Fuzatto, William “hFn” Medeiros, William “Billy” Vicentini e Júlio “Paradox” Pires) teve seu melhor resultado com o vice-campeonato da EIZO Cup #1, após uma derrota contra a EG na grande final por 2 a 0.

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A equipe da Pain Gaming, vencedora da Brasil Game Cup 2014 de Dota. Foto: Reprodução/BGC
A equipe da Pain Gaming, vencedora da Brasil Game Cup 2014 de Dota. Foto: Reprodução/BGC
O time bateu carteirinha na competição também em 2015, justamente pela BGC ter um alto valor de premiação em comparação aos outros torneios de Dota 2 da época. Foto: Reprodução/Pain Gaming
O time bateu carteirinha na competição também em 2015, justamente pela BGC ter um alto valor de premiação em comparação aos outros torneios de Dota 2 da época. Foto: Reprodução/Pain Gaming
A organização tornou-se tricampeã da Brasil Game Cup ao vencer o campeonato também em 2016. Foto: Reprodução/BGC
A organização tornou-se tricampeã da Brasil Game Cup ao vencer o campeonato também em 2016. Foto: Reprodução/BGC

Em 2014, o time contou com várias formações, sendo que a line-up era composta por Adriano “4DR” Machado e Kingrd, com alternância entre Mariano “Grentxd” Lages, Thárcio “Baga” Medeiros, Victor “Sono” Weichert, Danilo "Nedbone" Silva e Paulo "Klotz22" Nóbrega dependendo do torneio. Neste ano, a Pain Gaming ganhou sua primeira Brasil Game Cup, além de também conquistar a X5 Mega Arena e a Rocketz League Season 2 - sempre com algumas mudanças de jogadores para cada torneio.

Em 2015, 4dr, hFn, Otavio “Tavo” Gabriel, Fabio “July” Sarellas e Emiliano “c4t” Ito formaram o grupo mais estável da organização, vencendo quatro torneios (X5 Mega Arena 2015, On Art Challenge Series Season 2, Xtreme League #1 e Brasil Game Cup 2015) e obtendo nenhuma vitória nos 16 outros torneios/qualificatórias - lembrando que, destas derrotas, 14 foram em campeonatos realizados no servidor norte-americano, e apenas duas em servidor latino-americano.

A Pain sempre participou de diversas qualificatórias de grandes campeonatos, porém continuava sem sucesso. Em 2016 isso não foi muito diferente, apesar de se consagrarem como tricampeões da Brasil Game Cup naquele ano - o torneio mais importante de Dota 2 do país justamente pela alta premiação oferecida em comparação às outras competições do MOBA da Valve.

Apesar de sua história, a equipe foi desfeita em outubro de 2016. Depois de muitos anos, a organização desfez a tradição e ficou órfã de uma line-up de Dota 2... Mas isso não durou por muito tempo.

Temporada 2017/2018

O retorno da Pain no cenário de Dota 2 aconteceu em novembro de 2017, surpreendendo a todos com a primeira participação em uma qualificatória de campeonato pertencente ao Dota 2 Pro Circuit. O novo sistema da Valve obrigou as organizações dos torneios a qualificarem um time latino-americano - e foi ai que tudo começou a melhorar para a equipe e o cenário brasileiro como um todo.

A organização da Pain contratou Heitor "Duster" Pereira, menino prodígio de apenas 18 anos que já jogou em várias funções, como por exemplo posição 2 no Midas.Victory e suporte na Midas Club. Para maior equilíbrio, a line-up contou com a experiência de Kingrd como capitão e suporte 4; além de hFn, que trouxe sua habilidade de farmar na posição 1 e carregar o time. Para completar o quarteto fantástico, Tavo entrou na posição 3 na offlane.

É importante lembrar que Tavo, Kingrd e hFn jogaram muito tempo juntos em outras equipes - a maior glória do trio fora da Pain foi na SG e-sports durante o Major de Kiev, campeonato em que os brasileiros foram eliminados nas quartas de final.

Voltando à Pain, o quarteto lidava bem com sua própria jogabilidade e tinha uma boa sinergia, mas ainda faltava o quinto elemento para completar a line-up. Assim, começou a busca pelo último jogador: diversos testes foram feitos com jogadores da região, como os brasileiros Gabriel "Rayuur" Pinheiro, Leonardo "Mandy" Viana, Danilo "Arms" Silva e o peruano Leonardo "LeoStyle-" Sifuentes.

Arms foi o pro player que, aos olhos da organização, preencheu melhor a vaga de posição 2 da equipe - com ele no mid, a Pain conquistou o vice-campeonato da WESG 2017 contra a seleção russa. Mesmo assim, o desempenho com ARMS na posição 2 não estava satisfatório, pois os resultados mostraram que a line-up ainda precisava de um jogador para preencher esta lacuna. 2018 foi o ano em que a equipe realmente cresceu, mostrando o verdadeiro Dota brasileiro.

O Bucharest Major, no qual a Pain ficou em 12ª/14ª lugar, foi um divisor de águas. O time brasileiro conquistou a vaga no campeonato com o jogador Rayuur no mid, porém quem jogou o evento principal nesta função foi o romeno Aliwi "w33ha" Omar (ex-jogador da Digital Chaos quando a equipe conquistou o vice no The International 2016).

Da esquerda para a direita: hFn, w33ha, Kingrd, Tavo e Duster. Foto: Reprodução/Pain Gaming
Da esquerda para a direita: hFn, w33ha, Kingrd, Tavo e Duster. Foto: Reprodução/Pain Gaming

Foi só um mês depois, em abril deste ano, que w33 finalmente foi oficializado e entrou para a equipe. Era exatamente o que a Pain precisava: um jogador muito experiente na posição 2, vice-campeão do The International e acostumado com a jogabilidade de times da Europa e Comunidade dos Estados Independentes, que de fato trazem um dos metagames mais fortes do mundo.

W33 encaixou como uma luva para a equipe, permitindo que o time fizesse seu jogo focando em hFn como a peça principal do tabuleiro e usando Tavo com os heróis mais fortes do meta em sua posição. A Pain dominou o cenário latino-americano, e apesar de perder a qualificatória do SuperMajor, a line-up ganhou todas as outras classificatórias, conquistando o fato histórico de ser a primeira equipe brasileira a participar do The International.

Participaram da EPICENTER XL com um bom resultado (7º/8ª lugar), mostrando uma enorme melhoria e sinergia da equipe. Porém, o melhor resultado do time foi a ESL One Birmingham 2018, com o 3º lugar no torneio após uma vitória contra a Fnatic. Para fechar essa temporada, a Pain foi convidada para a DOTA Summit 9 e conquistou o 6º lugar na competição.

Um ponto interessante foi o recente anúncio do sexto elemento da equipe, Rasmus "MISERY" Filipsen, que atua hoje como técnico do conjunto. O ex-pro player dinamarquês possui uma vasta experiência em grandes equipes internacionais, como o vice-campeonato conquistado no The International 2016 ao lado do próprio w33 na Digital Chaos. Com Misery, a Pain fechou sua formação com chave de ouro. “O Misery foi a peça que faltava para a gente, todo mundo tem muito respeito por ele e com isso ele vai direcionando a gente a melhorar e acostumar com o meta europeu”, disse Duster em entrevista.

Com 29 séries e 56 jogos, os resultados da Pain Gaming nos últimos três meses foram os seguintes:

Derrotas: 8 Vitórias: 19 Empates: 2 Porcentagem de Vitórias: 68,58 %

Fonte: Dotabuff

Hugo "Aedrons" Carvalho é narrador e apresentador de Dota 2. Siga-o no Twitter em @AedronsTV.

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