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Entre esportes e eSports: O caminho de Octavio Neto na narração

Atualmente o narrador comanda seu próprio programa, o EI Games
@biaacoutinhoo
Beatriz Coutinho
escreve para o Versus.
© Reprodução
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Quem acompanha o canal Esporte Interativo com certeza conhece Octavio Neto, o narrador que dá voz às partidas da NFL, lutas no MMA… e também aos lances mais bonitos de Counter-Strike: Global Offensive.

Dividindo seu tempo entre esportes tradicionais e eletrônicos, o profissional deu uma entrevista exclusiva ao Versus, contando sua trajetória na profissão e no cenário de eSports.

O início

Quem vê Octavio narrando de forma energética e bem-humorada no auge de seus 28 anos, percebe que o narrador faz o que ama: “Desde moleque eu sempre narrei as coisas, mas só percebi que era vocação quando estava na faculdade próximo de me formar. Sempre fui comunicativo.”

Foi aí que o estudante de jornalismo da PUC-RJ arrumou um estágio em uma web-rádio, onde escrevia sobre futebol.

Muitas pessoas de seu trabalho já sabiam que ele conseguia narrar, então em um dia no qual os narradores oficiais faltaram, seu chefe chegou dizendo “É hoje que você vai estrear”.

Foi ali que tudo começou.

No final de 2012, surgiu a oportunidade de entrar para o Esporte Interativo. Octávio afirma que passar do rádio para a televisão “foi um desafio muito grande.”

“Dei sorte de ter tido a oportunidade do rádio antes da TV, porque é algo mágico, você enriquece muito seu vocabulário [...] A TV facilita muito, porque você deixa a imagem falar e isso não acontece no rádio. No começo eu acelerava muito e precisei de muito feedback para acertar.”

Octávio durante transmissão da Liga dos Campeões | © Reprodução
Octávio durante transmissão da Liga dos Campeões | © Reprodução

eSports

A relação de Octavio com os games sempre foi forte. O narrador contou que já foi “nintendista”, mas que acabou tornando tudo mais casual. “Eu não era hardcore, jogava o que achava bom.”

A chance de narrar CS:GO surgiu quando, em junho de 2016, o Esporte Interativo comprou os direitos de transmissão da competição Eleague. Conversando com sua equipe, ele foi o escolhido para assumir a narração daquele novo desafio do canal.

“Eu saí de lá super preocupado. Meu irmão quase virou pro player, e eu já havia jogado CS, mas tinha parado no 1.6 e me perguntei ‘Como será que está o jogo?’ Então comecei a ver muita narração gringa e até nacional. O Bida [narrador de CS:GO] me ajudou muito também.”

Com a ajuda do editor Renan, que o auxiliou no reconhecimento do cenário competitivo, as primeiras narrações foram acontecendo - e, com o tempo, veio a aceitação do público.

Octavio Neto e Bernardo "Bida" durante transmissão da Eleague de CS:GO | © Reprodução
Octavio Neto e Bernardo "Bida" durante transmissão da Eleague de CS:GO | © Reprodução

“Eu não sabia que existia comunidade tóxica. Fui narrar do jeito que eu sabia e mesmo assim a galera adorou. Fizeram lista dos bordões, memes positivos e aí deu tudo certo pra eu entrar de cabeça nisso!”

Entre as coisas boas e os perrengues - como ir ao banheiro nos 40 segundos de intervalo das transmissões e narrar durante 11 horas ininterruptas - de ser um narrador, Octávio ganhou a chance de comandar o próprio programa, o EI Games.

“Foi muito gratificante, porque foi o primeiro programa do qual participei ativamente e ajudei a construir.”

Participar ativamente da sua profissão, não somente como narrador, foi um dos motivos que o fizeram renovar seu contrato de trabalho com o Esporte Interativo por mais seis anos.

“Aqui foi onde comecei de verdade e me tornei quem sou hoje. Muito mais do que na faculdade e em outras experiências, aqui eu cresci de verdade.”

Octavio e Gabriel "Fallen", jogador de CS:GO, no estúdio do EI Games © Reprodução
Octavio e Gabriel "Fallen", jogador de CS:GO, no estúdio do EI Games © Reprodução

Futuro dos eSports

A maior parte dos narradores de CS, League of Legends e outros games já começou nesta área, enquanto Octávio passou primeiro pelo futebol e outros esportes tradicionais.

Questionado sobre o crescimento dos eSports em relação aos esportes, ele diz que muitos narradores “já abriram os olhos para isso”.

“É claro que os mais antigos vão ter uma certa resistência, mas precisamos ver as pessoas que estão tentando. Quem não quiser prestar atenção nisso, vai fechar uma porta muito grande.”

Neto comenta que acha “excepcionais” as parcerias que estão sendo feitas com times de futebol e donos de organizações de outros esportes, como basquete e outros.

Para finalizar, Octávio responde sem titubear: afinal, eSport é esporte? “Com certeza! Tem torcida apaixonada, arenas, times, rivalidade. Tenho certeza que é esporte sim!”

Se ele falou, então está falado.


Bia Coutinho é redatora no Versus. Siga-a no Twitter.

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