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Eles mudaram o jogo… Literalmente: Os pro players que trocaram de game nos eSports

Bora jogar... LoL, R6S, CS:GO?
@biaacoutinhoo
Beatriz Coutinho
escreve para o Versus.
© Reprodução
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Você se dedica muito a um game que faz parte dos eSports? Passa horas treinando ganks no League of Legends, estratégias ‘diferentonas’ no Counter-Strike: Global Offensive ou testando todos os heróis de Overwatch? Se a resposta for sim, pense no quão difícil seria se entregar completamente a outro jogo - e acredite: até mesmo pro players fazem isso.

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Além de Nino “NinexT” Bernardes, atual pro player de PlayerUnknown’s Battlegrounds que já jogou Rainbow Six Siege, Paladins e outros games, vários outros jogadores já pularam de um game para o outro.


Troca-Troca

"Murizzz" | © Reprodução
"Murizzz" | © Reprodução

Embora pareça difícil pensar em trocar completamente um game por outro - ainda mais quando isso acontece no cenário competitivo -, a transição ainda pode ser tranquila para alguns pro players. Um bom exemplo disso é o caso de Murillo "murizzz" Tuchtenhagen, jogador de Overwatch da Black Dragons.

Murizzz pensou em começar a carreira profissional como jogador de League of Legends. “Eu tinha apenas 15 anos e não podia jogar competitivamente, então comecei a jogar Heroes of The Storm. Em 1 mês, já estava no time que se tornou a Burning Rage/Red Canids”, contou o jogador.

“Como nosso time tinha uma grande vantagem sobre todas as outras equipes no HoTS, eu tinha bastante tempo livre pra [sic] fazer o que eu quisesse, então eu comecei a tryhardar muito no Overwatch. Alguns meses depois, fui chamado para fazer teste em um time top 3 [Team Jesus], então comecei a jogar OW profissionalmente.”

Na época, em 2016, o jogador já estava classificado para disputar o Mundial de HoTS. Sim, é isso mesmo: ele jogava profissionalmente ao mesmo tempo em duas equipes diferentes e em jogos completamente distintos.

Como o intervalo das datas entre o último torneio regional do MOBA e o campeonato global era grande, Murizzz pôde se dedicar ainda mais ao Overwatch. “Digamos que eu dei sorte e tudo se encaixou”, brincou o pro player.

Posteriormente, ele entrou na BGH, uma das melhores equipes brasileiras no jogo de tiro da Blizzard, e tornou-se campeão brasileiro de Overwatch. Atualmente, ele faz parte da Black Dragons. Quanta disposição!

"bit" segurando troféu do torneio Encontro das Lendas | © Reprodução
"bit" segurando troféu do torneio Encontro das Lendas | © Reprodução

Bruno “bit1” Lima também é um exemplo de jogador que - pelo menos temporariamente - trocou de game. O pro player estreou no mundo competitivo no Counter-Strike 1.6, e chegou a jogar na lendária equipe MIBR. Com o passar do tempo, o cenário foi enfraquecendo e o tempo livre de bit, aumentando.

“Em 2013, o CS estava bem fraco tanto no Brasil quanto fora. Eu estava me divertindo bastante jogando LoL e fui chamado para completar um CBLoL para o Nex Impetus. Acabamos ficando em 3º lugar e a partir disso recebemos proposta de patrocínio da KaBuM. Acabei jogando por mais alguns meses, até que parei e me dediquei apenas à organização. Nunca tive intenção de realmente entrar no competitivo, mas acabou acontecendo pelo bom resultado no CBLoL”

Com o tempo, bit voltou para o CS:GO e além de colecionar títulos - como os que conquistou em 2017, jogando pela Team One -, atualmente o jogador atua pela Não Tem Como, junto com Henrique "HEN1" Teles, Lucas "LUCAS1" Teles, Lincoln "fnx" Lau, e João "felps" Vasconcellos.

"brTT" | © Reprodução
"brTT" | © Reprodução

Felipe “brTT” Gonçalves, ídolo do competitivo brasileiro de League of Legends, já passou por games diferentes como o CS:GO, e também chegou a representar a CNB ao lado de Danylo “kingrd” Nascimento no time de Dota 2 dos bloomers… Onde já era famoso por jogar agressivamente.

E também há exemplos internacionais: Matthew “FormaL” Piper, muito conhecido no cenário de Halo, atualmente joga Call of Duty pela OpTiC Gaming.

O ex-pro player russo Dmitry "Happy" Kostin começou sua carreira competitiva em Warcraft III, mas em 2011 passou a jogar StarCraft II, game no qual atuou até se aposentar, em 2016.

Às vezes, até mesmo um time inteiro muda de jogo. Em 2012, a Fnatic chamou todos os seus jogadores de Heroes of Newerth para o time de Dota 2 da organização.

Há também exemplos nacionais de diversos jogadores e equipes de Battlefield 4 e Warface que migraram para o Rainbow Six Siege… Como as line-ups em que Leo “Zigueira” Duarte e Victor “Intact” Janz atuavam no início do R6 no Brasil.


Diferenças e semelhanças

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“Basicamente, você não consegue aproveitar nada em questão técnica de um jogo para o outro”, afirmou bit quando questionado sobre a diferença entre League of Legends e CS:GO.

HoTS e Overwatch também são muito distintos, mas Murizzz afirma que é possível levar aprendizados de um game para o outro.

“O OW é considerado um FPS, porém, para muitos jogadores profissionais ele é muito mais um MOBA do que um FPS em si. Esse é um grande motivo do porque os coreanos dominam o cenário competitivo do jogo, é um game extremamente estratégico e possui mais características de MOBA do que se pode imaginar”, disse o pro player de Overwatch.

Além disso, Murizzz diz que as lições de um jogo para o outro podem ir muito além de questões técnicas.

“Acredito que algo muito importante que deve ser aproveitado é a comunicação. Um jogador de MOBA já tem isso com base do seu gameplay, já que o jogo é completamente em time. No Overwatch, muitos jogadores vem de games FPS e não tem a comunicação tão boa, pois em jogos como CS e variáveis, você não precisa - e nem deve - ficar gritando e comunicando tudo o que se passa na sua tela. No Overwatch, que ‘é um MOBA’ em primeira pessoa, isso se torna uma necessidade que diferencia muito um jogador de outros.”


Dicas para a mudança

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Quando questionado sobre conselhos para jogadores fazerem essa transição, Murizzz diz que o importante é não desistir: “Aprenda tudo dos personagens do seu jogo antes de focar em apenas um. Em qualquer MOBA e também no Overwatch, você irá morrer muitas e muitas vezes sem nem saber o que está acontecendo quando se é um iniciante, pois cada herói possui habilidades e ultimates diferentes.”

Já bit aconselha que gostar do jogo torna a dedicação para chegar ao nível profissional mais divertida: “Eu me divertia muito jogando ambos os jogos e isso basicamente fazia com que eu conseguisse ficar jogando por horas sem parar, o que é basicamente a dedicação que você precisa ter em qualquer coisa que faz.”


E aí, em qual outro game você arriscaria testar suas habilidades?


Bia Coutinho é redatora no Versus. Siga-a no Twitter.

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