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Dota 2: A história de IceFrog, o lead designer anônimo por trás do MOBA

A verdadeira identidade do criador é um mistério até hoje
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Reprodução
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Ao longo dos anos, Dota 2 cativou milhares de jogadores e se consolidou como uma das principais modalidades de esports - responsável, inclusive, pela maior premiação de um torneio esportivo em todo o mundo. A pessoa por trás deste sucesso, no entanto, permanece envolta em mistério até os dias atuais, respondendo por um pseudônimo: IceFrog. O lead designer nunca revelou publicamente sua identidade e, desde que o game foi lançado, ele quase não interage com os fãs ocidentais.

Em preparação para as disputas finais do The International 9, o Versus elaborou uma linha do tempo com a história do criador de Dota 2 que, antes de estabelecer parceria com a Valve, fez parte da criação do primeiro Defense of the Ancients.

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O ano era 2004 e Ice Frog era um jovem designer. Ele se uniu a um grupo de jogadores para aprimorar um mod de World of Warcraft III: Reign of Chaos, conhecido como Defense of the Ancients. Criado inicialmente em 2002, o mod colocava duas equipes para batalhar em um campo, com objetivo de alcançar e destruir o Ancião inimigo. Era o primeiro MOBA da história.

Estima-se que o lead designer nasceu entre 1983 e 1984, pois ele mesmo revelou em um post de 2009 que tinha 25 anos de idade, naquele ano. A teoria mais consolidada entre os fãs é de que o verdadeiro nome por trás do pseudônimo é Abdul Ismail, mas isto nunca foi confirmado oficialmente.

O grupo - e clã dentro do WoW - ao qual IceFrog se uniu se chamava Team Dota Allstars e era formado, entre outros, por Steve "Pendragon" Mescon e Steve "Guinsoo" Feak, criador do mod original. Juntos, eles trabalharam para aprimorar o mapa original de Dota, sonhando com a possibilidade daquilo se tornar um jogo completo um dia.

Porém, não foram todos que acreditaram que este sonho poderia virar realidade, e vários membros abandonaram o projeto. Em 2005, Guinsoo deixou o conhecido Dota Allstars sob a responsabilidade de Alex "Neichus" Moss, que, no meio daquele ano, também abandonou seu trabalho e entregou tudo nas mãos de IceFrog. Algum tempo depois, Pendragon também deixou a equipe e se uniu à Riot Games para criar League of Legends, lançado em 2009, ao lado de Marc "Tryndamere" Merrill.

Neichus, um nome comumente esquecido na história de Dota Allstars, contou em um post para a comunidade, repostado no Reddit, como aconteceu esta transição dentro do processo de criação:

"O papel que desempenhei no desenvolvimento de Dota serviu como ponte entre Guinsoo e IceFrog. O que aconteceu é que Guinsoo se retirou do projeto por ter se esforçado muito no mapa, tendo dado início a um upgrade colossal que o fez perder o interesse. Após um período em que estava óbvio que o mapa estava morrendo, sem updates ou atenção, eu forçadamente assumi a liderança do projeto no lugar de Guinsoo.

Neste ponto, fui o chefe do projeto por um período de tempo. Nunca coloquei meu nome no mapa, só mudei ele de 'Guinsoo's DotA' para 'DotA Allstars' e deixei desta forma. [...] O IceFrog era uma das pessoas com as quais eu trabalhava. Já que ele tinha formação em programação e eu não (na época, eu era pós-graduando em biologia), ele era muito mais proficiente do que eu quando se tratava de computadores.

Depois de alguns meses liderando o projeito, me tornei muito desiludido com tudo aquilo. Em maioria, fiz tudo por diversão no meu tempo livre da faculdade, mas era frustrante passar horas de trabalho consertando bugs ou criando ideias de história para que elas fossem descartadas em favor de outras coisas. Então, basicamente larguei tudo (de forma um pouco injusta) no colo do IceFrog e fui embora. Tem sido interessante ver como o projeto evoluiu ao longo dos anos e certamente desejo a ele muita sorte em desenvolver o Dota com a Valve."
Foto: Reprodução
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Nas mãos de IceFrog, Dota se tornou um grande sucesso e se consolidou no coração de jogadores ao redor do mundo. Os anos se passaram e ele deixou a equipe que trabalhava no jogo - ao que parece, para compor a produção de outro MOBA.

Em 2010, um suposto funcionário da Valve criou um blog com o intuito de publicar uma carta aberta com o título "A verdade sobre IceFrog", na qual ele acusa o desenvolvedor de ter trabalhado secretamente em Heroes of Newerth, da S2 Games. O autor do artigo também foi o primeiro a indicar que o nome verdadeiro de IceFrog é Abdul Ismail.

A acusação se provou verdadeira em 2017 quando, ávidos por pistas da identidade do lead designer, fãs descobriram um processo sobre a propriedade intelectual de Dota. Datado de abril daquele ano, o documento não só comprova que o designer esteve por trás do desenvolvimento de Heroes of Newerth, como inclui o nome Abdul Ismail - o que fortaleceu os rumores na comunidade.

Antes que tudo pudesse ser publicado, porém, os fãs do MOBA foram surpreendidos com uma notícia que reascenderia os sonhos de grandeza para o futuro do jogo.

Foi naquele mesmo ano de 2010 que a Valve fechou um contrato com IceFrog para a produção de Dota 2. Com o início da nova era, a franquia teve que deixar o nome Defense of The Ancients de lado - por estar atrelado à Blizzard - mas não houveram restrições com a sigla Dota, que acabou se tornando a alcunha oficial do game.

Na coluna que costumava manter em seu blog, na qual respondia questões do público, o lead designer contou como aconteceu o convite pela empresa de Gabe Newell:

"Tudo começou com um e-mail da Valve em que eles mencionaram de que eram grandes fãs de DotA e queriam que eu pegasse um voo para passar um tempo com eles e visitar o estúdio. Eu não estava exatamente certo do que esperar da viagem. Depois de chegar e conversar com eles, a primeira coisa que reparei foi como muito do processo de tomada de decisão deles era parecido com o meu. Eles compartilhavam as mesmas aspirações em relação a construir uma comunidade sustentável e de longo prazo sem ter objetivos de negócios de curta prazo que acabariam prejudicando a qualidade do jogo. Uma das coisas mais importantes para mim foi que não haveria ninguém acima de mim me dizendo como eu deveria estar fazendo as coisas. Eles confiam que os desenvolvedores com experiência podem fazer as melhores decisões para a sua comunidade de jogadores. A atmosfera na Valve permite que todos estejam muito confortáveis e aptos a focar no que eles amam fazer. Além disso, o fato de que eles são grandes fãs de Dota é ótimo... pelo menos até que seus heróis favoritos fossem nerfados, daí eu viro o vilão por uma semana!"

Foi assim que surgiu Dota 2, um game que nasceu já com raízes firmes que proporcionaram o crescimento suficiente para se tornar referência nos esports. Isso porque, para lançá-lo, a Valve criou um campeonato em que os melhores jogadores do mundo se enfrentam - o The International.

A primeira edição do torneio aconteceu na Gamescon 2011, em Colônia, na Alemanha. E, logo na estreia, o inesperado aconteceu: o campeonato alcançou a premiação de US$ 1.6 milhões de dólares, tornando-se um marco na história dos esportes eletrônicos.

A demo de Dota 2 foi lançada apenas um mês depois do término do torneio, com todos os heróis disponíveis, totalmente free to play. Naquele momento, o jogo não era apenas o maior atrativo dos esports, como o único MOBA com um cenário competitivo estabelecido.

Em 2013, a versão final do game chegou aos jogadores um pouco antes do início da 3ª edição do The International. A partir de então, IceFrog seguiu trabalhando para manter o MOBA equilibrado, consertando bugs e implementando novidades.

No dia a dia, o misterioso lead designer raramente se comunica com os fãs ocidentais, respondendo com mais frequência aos questionamentos do público chinês. Até o momento, poucos afirmam tê-lo visto pessoalmente.

Para conhecer mais sobre as equipes que participam do TI deste ano, confira acima o vídeo com a apresentação dos times feita pelo narrador Hugo "Aedrons" Carvalho e o guia do Versus do The International 2019.

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