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“Deus perdoa, mas a gente não”: Thiago Candonga é técnico de Arena of Valor na CNB e pastor de igreja

Quem disse que videogame é pecado?
@biaacoutinhoo
Escrito por
Beatriz Coutinho

Durante o vídeo de apresentação da nova equipe de Arena of Valor da CNB, o meio Leonardo “KT” Caires contou ao público que, além de pro players, os jogadores fazem outras atividades. Um estuda direito, o outro engenharia, enquanto o técnico da equipe é pastor de igreja. O Versus conversou com Thiago Candonga para saber como é a vida do coach e sua relação com a religião.

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Os jogos

Thiago é o técnico do time de Arena of Valor da CNB | Imagem: CNB
Thiago é o técnico do time de Arena of Valor da CNB | Imagem: CNB

A paixão por games do capixaba de 32 anos começou cedo, mas foi nos jogos mobile - para smartphones e tablets - que ele encontrou seu verdadeiro caminho. O primeiro da jornada foi Heroes of Order and Chaos e, em seguida, Mobile Legends, no qual Candonga chegou a atuar em um time, mas logo percebeu que “o game não tinha perspectiva de crescimento”.

“Quando houve a promessa de Arena of Valor aqui no Brasil a gente migrou pro jogo em dezembro. Meu filho era bebê e eu ainda estava fazendo meu mestrado, aí desanimamos. Mas eles voltaram perguntando se eu queria jogar sério, então decidi ficar como coach”, explicou o técnico.

Em 40 dias, o time venceu quatro etapas sul-americanas do torneio do jogo. “Aí as organizações começaram a procurar a gente.”

As negociações da equipe com a CNB duraram cerca de duas semanas: “Eles são super profissionais. Tudo casou muito bem com o que esperamos de uma organização. Eles valorizam os jogadores, foi tudo muito sincero e aberto!”, contou Candonga.

A religião

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Imagem: Projeto 3.16
Imagem: Projeto 3.16
Imagem: Igreja Presbiteriana de Limeira
Imagem: Igreja Presbiteriana de Limeira

Além de técnico da equipe, Thiago também faz mestrado em Ciências da Religião, é gerente administrativo de uma empresa e pastor do Ministério de Jovens da Igreja Presbiteriana do Brasil, em Limeira, interior de São Paulo, onde mora com a esposa e o filho de um ano.

Questionado sobre como começou o interesse por essa profissão, ele explica: “Eu me tornei cristão aos 21 anos e sempre gostei de estudar e de ir a fundo nisso, questionando as coisas. Com isso, veio a oportunidade de estudar teologia no Mackenzie. Eu queria ensinar as pessoas sobre as coisas que eu sabia e fui aprovado no curso.”

O caminho até de fato tornar-se um pastor foi longo, mas ele não desistiu: “Fiz o curso de quatro anos, depois dois anos de preparação para virar pastor e mais um ano de provas!”, contou Candonga.

O técnico disse que as pessoas sempre ficam surpresas ao descobrirem sua profissão com a religião. “Isso acontece porque sou novo, tenho tatuagem, por causa dos games. Explico que faço parte do Ministério da Juventude, então este é o meu tipo de público, pessoas que também gostam dessas coisas. Mesmo assim, não deixo de atender e ouvir outras pessoas que frequentam a igreja.”

Quem disse que jogar videogame é pecado?

Time de Arena of Valor da CNB | Imagem: CNB
Time de Arena of Valor da CNB | Imagem: CNB

Desde o início de sua história, videogames dividem opiniões diversas sobre o fato de serem bons ou ruins, educativos ou violentos, atividade comum de lazer ou até mesmo pecado.

De acordo com Candonga, o equilíbrio é a chave de tudo. “O que a gente [comunidade da IPB] pensa é o seguinte: é um lazer, que logicamente como todo lazer, tem que ser saudável, porque o vício é ruim.”

“Na igreja, já aconselhei muitos pais que falavam sobre como os filhos jogavam muito videogame. Nós entendemos o videogame como futebol, se a pessoa só briga, só machuca os outros, só se estressa, tem alguma coisa errada aí!”.

Em seu canal no Youtube, o técnico começou uma série chamada “Como ser um pro player fora do game”, que já conta com um vídeo sobre estudos, no qual ele reforça a mensagem de como é importante estabelecer limites para que o jogador possa jogar e estudar sem prejudicar o lazer e a educação.

Respondendo seus fãs com a hashtag #SegueACalldoPastor, ele finalizou a entrevista agradecendo o recente apoio de toda a comunidade blumer em relação à nova equipe de Arena of Valor, e rindo, mandou um recado: “Os adversários que se preparem, porque Deus perdoa, mas a gente não!”

Bia Coutinho é redatora no Versus e vai seguir todas a calls do pastor. Siga-a no Twitter.

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