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"Desculpa, isso não é esporte", diz senadora Leila Barros sobre esports

Segundo a medalhista olímpica, "vôlei e futebol são competição, não arma ou tiro"
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Reprodução
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A senadora Leila Barros (PSB-DF) se posicionou contra o reconhecimento dos esports como modalidade esportiva. Nesta terça-feira (2), durante votação do PLS 383/2017, a ex-jogadora de vôlei votou a favor da exclusão de jogos violentos como Counter-Strike: Global Offensive e Mortal Kombat 11 do projeto de lei de Roberto Rocha (PSDB-MA). Além disso, ela foi restritiva em relação ao competitivo de jogos eletrônicos: "Desculpa, isso não é esporte".


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A Senadora é Integrante da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado Federal e, durante a votação desta terça-feira (2) a respeito da lei que visa regulamentar os esports no Brasil, a ex-atleta defendeu que os esports não devem ser considerados uma modalidade esportiva.

A ex-jogadora de vôlei argumentou que o esporte "cessa qualquer tipo de conflito" e, para praticá-lo, é necessário "preparação" e "abdicar muito de sua vida" - sugerindo que estes são fatores ausentes nos esports e no cotidiano dos pro players.

"Eu acho que me sinto uma legítima representante do esporte. Eu queria deixar bem claro que são 'jogos' eletrônicos. Esporte, vocês vão ver lá Cuba e Estados Unidos competindo dentro de uma quadra e cessando todo tipo de conflito. Desculpa, isso [esports] não é esporte, porque esporte tem uma preparação também. Tem que ouvir a comunidade esportiva também. O alto rendimento é isso, é uma entrega. Quem é do esporte abdica muito da sua vida, inclusive pessoal, para representar um país".


Além disso, a senadora também concordou com senador Eduardo Girão (Pode-CE) sobre a exclusão de jogos violentos do projeto.

Em sua apresentação nesta terça-feira (2), Girão mostrou vídeos de games como CS:GO e Mortal Kombat 11, que possuem cenário competitivo estabelecido, mas também de títulos que não compõem os esports, como GTA V. O senador associou estes jogos ao massacre de Suzano (SP), de março de 2019, e pediu para que "esse tipo de jogo (...) não seja regulamentado para campeonato. Isso é tudo menos esporte".

A medalhista olímpica se pronunciou a favor da fala de Girão, afirmando que "vôlei e futebol são competição, não arma ou tiro".

"Vôlei e futebol são competição, não arma ou tiro. Quando nós falamos de esporte, as comunidades esportivas e as entidades foram escutadas nesse relatório? Ninguém foi. Teve audiência? Eu peço desculpas, vou ter que votar não."


Já Eduardo Gomes (MDB-TO), relator do projeto na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), chamou de "tendenciosa" a apresentação de jogos não relacionados ao cenário competitivo para a discussão. O senador também reiterou que os esportes eletrônicos geram renda e recursos para diversas cidades do mundo:

"Isso que foi mostrado aqui é outra coisa, fora do contexto da matéria que está sendo analisada. Até para colaborar, o esporte eletrônico hoje é fonte de renda para milhares de atletas no mundo que tiveram suas carreiras encerradas precocemente. A gente também deveria ter oportunidade de colocar [imagens] para as pessoas verem, que são as famílias reunidas em ginásios, enchendo e lotando estádios na China, no Japão, nos Estados Unidos e agora no Brasil, gerando fonte de renda, recursos para os municípios. Para que não fique uma visão tendenciosa. É preciso ter equilíbrio."


O PLS 383/2017 já foi aprovado de forma unânime, mas atualmente está em discussão no Senado para votação em turno suplementar. Para saber mais sobre o projeto de lei, leia a reportagem especial do Versus.

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Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a em @helenavnogueira.

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