StarCraft

Derrubando estruturas, Scarlett conquistou o universo de StarCraft

Pro player canadense fez história na IEM Pyeongchang 2018
@helenavnogueira
Helena Nogueira
escreve para o Versus.
Foto: Reprodução
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StarCraft II é um jogo dominado por sul-coreanos e, mesmo assim, sua rainha é canadense. Conheça Sasha “Scarlett” Hostyn: a primeira mulher a vencer uma liga Premiere nos eSports com apenas 24 anos. Famosa por ser a pro player mais bem sucedida do mundo, ela é conhecida por abater os maiores nomes asiáticos do competitivo - não é à toa que "Kryptonita coreana" seja seu apelido.

Nesta série de reportagens, o Versus irá te mostrar a história de jogadoras trans do cenário de eSports, começando com a atual jogadora da Team Expert.

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Nascida em Kingston, no Canadá, Sasha cresceu como muitos de nós: jogando videogame. Seu primeiro território conquistado foi junto aos jogos de estratégia, brincando com o tabuleiro de xadrez ainda pequena.

Explorando os jogos eletrônicos, logo ela se deparou com o primeiro StarCraft, onde encontrou sua paixão - apesar de nunca prever que o jogo seria sua profissão.

"Eu não acho que um dia pensei que me tornaria uma pro player, mas eu definitivamente sabia que existiam pessoas que viviam disso", conta Scarllet em um programa especial produzido pela WESG 2016. "Mas não, eu nunca tive a intenção de tornar isso o meu trabalho, mas acabou acontecendo com StarCraft II."

Em 2011, aos 17 anos, ela decidiu dar vida à sua paixão e se tornar uma guerreira Zerg. Naquele ano, ela se inscreveu no NESL Iron Lady, uma competição feminina online onde teve suas primeiras vitórias.Apenas naquela temporada, ela foi campeã em duas edições seguidas.

Ela logo decidiu desbravar o cenário misto.

O ano era 2012, no Hotel Cosmopolitan, em Las Vegas. Entre tantos competidores, Sasha jogava quieta atrás de sua tela, e qualquer um que se embrenhava por aqueles cantos conseguia ouvir apenas os sons das teclas sendo pressionadas apressadamente. Sorrateira, ela derrotou alguns dos pro players mais conceituados da época.

Entre eles, Sasha superou Song "Quiet" Byung Hak, até então conhecido como Bumblebee.

Para aprender a superar os donos do cenário, Scarlett mudou-se para Seoul, capital da Coréia do Sul, em 2013, quando foi contratada pela GSTL. Lá, ela aprendeu a ser kryptonita, deixando sua marca em um cenário em que é considerada estrangeira.

Depois disso, não demorou muito para a guerreira se tornar rainha.

No mesmo ano em que mudou-se para o país dos eSports, Scarlett alcançou o 21º primeiro lugar do ranking mundial de StarCraft. Em julho de 2014, ela já havia sido campeã em quatro Majors diferentes.

Acumulando notoriedade, ela passou a ser chamada como "Rainha das Lâminas", em referência a Kerrigan, a rainha Zerg - raça em que a canadense se destaca.

"Para mim, isso é basicamente um trabalho", respondeu ela sobre fama no especial para a WESG (que pode ser visto abaixo). "Não presto muita atenção para o quanto sou famosa, ou quantos fãs e entrevistas eu dei. Eu gosto apenas de focar no jogo em si."

Tendo desbravado uma grande extensão do universo de StarCraft, Scarlett se viu diante de um obstáculo. Ela deixou de subir ao pódio por uma temporada inteira e, em fevereiro de 2015, ela anunciou que estava mudando para o competitivo de Dota 2.

Sua empreitada no título da Valve, no entanto, não durou muito: em junho daquele mesmo ano, Sasha voltou com vigor para o jogo de estratégia, passando a representar o time da Dead Pixels.Em 2016, ela foi reconhecida pelo Guinness World Records como a mulher mais bem paga em premiações do mundo.

Com exércitos inteiros a seu comando, ela dominou o universo.

Em janeiro, Scarlett se tornou a primeira mulher a vencer uma liga Premiere na história dos eSports. Derrotando Kim “sOs” Yoo Jin, conhecido como o pro player mais bem pago do cenário de StarCraft, ela surpreendeu a todos e se consagrou campeã na etapa de Intel Expreme Masters (IEM) Pyeongchang, que compôs os Jogos Olímpicos de Inverno.

"Eu definitivamente vejo os eSports continuando a crescer e não vejo eles deixando de existir tão cedo", opina a pro player. "A maioria do público é jovem, os jogos têm atingido mais e mais pessoas dessa idade e cada vez mais o público cresce."

Atualmente, ela é membro do time alemão Team Expert.

Além de conquistar exércitos e derrotar titãs, Sasha abriu portas para muitas - mesmo sem querer carregar bandeiras. Em 2014, ela revelou ao público que é uma mulher trans e, sobre sua identidade de gênero, ela afirma que “isso não possui relevância” em relação ao seu desempenho e que “sempre tentou não fazer disso um problema”.

Derrubando estruturas, Scarlett conquistou o universo de StarCraft.



Helena Nogueira é repórter no Versus. Siga-a no Twitter.

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