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CS:GO: "Trocaria um mundial por mais pessoas trans no cenário", diz pro player

Essa novinha é terrorista, ela é especialista
@helena.nogueira
Helena Nogueira
é reporter no Versus.
Foto: BootKamp/Reprodução
Foto: BootKamp/Reprodução

Confirmando os rumores apurados pelo Versus, a BootKamp Gaming anunciou Olga Rodrigues como integrante da equipe por meio das redes sociais da jogadora. Com a contratação, a BK é a primeira equipe brasileira de Counter Strike: Global Offensive a ter uma pro player transsexual em sua line-up.

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O Versus conversou exclusivamente com a pro player para saber mais sobre sua entrada no time e também com Yuri “Fly” Uchiyama, sócio da Gamers Club.

Yuri afirmou ao Versus que foi criada uma nova regra para garantir a participação e acesso de todas as mulheres no torneio feminino da GC. De acordo com o executivo, Olga participará do campeonato: “Ela está permitida a jogar na Liga Feminina, [...] pois apresentou o documento com nome social e sexo.”

Por ter atuado como técnica durante algum tempo, Olga praticamente não trocou balas no FPS da Valve por cerca de um ano, retornando aos mapas somente em fevereiro. Agora, mais motivada do que nunca, já está treinando com a nova equipe.

“Após mais de um ano parada, estou acostumando com a rotina de novo, mas sentindo vontade até de jogar aimbotz [mapa para treinar a mira], que antes eu jogava mais por fazer parte do treinamento.”

De acordo com a jogadora, a BK tem ajudado no seu desenvolvimento, disponibilizando o Centro de Treinamento (CT) ao time - que para Olga, faz toda a diferença nos treinos.

“Treinamos de quinta a domingo e sinto que tenho muito mais rendimento ao treinar no gaming office, que tem uma ótima estrutura para jogar”, argumenta.

Ainda sobre os treinos, a profissional comentou que além de jogarem mix (partidas em que uma equipe profissional joga contra outra), todas as integrantes também buscam crescimento individual dentro do game. Ademais, Olga elogiou a equipe em questão da comunicação dentro dos jogos.

“A gente consegue se escutar bem na hora de apontar os erros e eu acredito que isso aconteça porque temos um grupo fora de treino. Tem bastante a ver sobre união e confiança, às vezes time tem essa coisa de se ver como minha família, eu gosto disso.”

Aceitação da comunidade

Falando sobre como ser uma família, a jogadora afirma que tanto a equipe, quanto a organização, tem ajudado Olga com os comentários do público.

“No geral, recebi mais mensagens de incentivo vindas da comunidade, mas lógico que eu sabia que veria coisas contra. Não é uma surpresa porque sofro isso todos os dias e quando fico mal, as minas me fortalecem.”

Segundo Amanda “AMD” Abreu, companheira de equipe, Olga veio para mostrar que gênero não influencia em nada: “Quando você está jogando CS:GO, você é só mais um jogador e não importa se você é mulher, se você é homem, se você é trans, você é só mais um pro player.”

“Quando você entra para jogar, você não depende de habilidades físicas e sim das psicológicas, e o que define o quanto você joga bem, é sua habilidade, é a sua dedicação e a Olga tá aí para provar isso”, completa a jogadora de CS, que já participa da BK.

Além disso, AMD afirmou que, se algo impedir sua colega de jogar, ela também deixaria de trabalhar em apoio a companheira de time: “A Olga é mulher, eu também sou mulher e a gente tá aqui para jogar. Ela é do meu time e se a Olga não jogar eu também não jogo.”

Sonhos e futuro

Olga lutou muito para conseguir espaço nos eSports como pro player trans e competirá como jogadora na Liga Neon de CS:GO feminino ainda neste ano.

Mesmo com o espaço conquistado, a pro player afirma ainda tem mais sonhos no CS:GO.

“Acho que jogar um mundial é um sonho, mas eu trocaria um título mundial por ver mais pessoas trans no cenário. Mais minas tendo seu potencial reconhecido e recebendo o mesmo apoio que caras que tem o mesmo ou até pior desempenho recebem”, completa.

Junto com a trans, duas pro players integram a nova line-up da BootKamp. Confira a nova escalação do time:

Line-up

Amanda "AMD" Abreu Olga "Olga" Rodrigues Nataly "Nani" Cavalcante Shayene "Shay" Victorio Karina "Kaah" Takahashi

Siouxsie Rigueiras é jornalista do Versus e crê que AK-47 é baile de favela, siga-a no Twitter.

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