CS:GO

CS:GO: Porque contratar felps foi um tiro certeiro da MIBR

Jogador alia preço, habilidade, criatividade e experiência
Foto: HLTV/Reprodução
Foto: HLTV/Reprodução

A equipe de nacionalidade mista da MIBR não alcançou o resultado esperado no cenário competitivo de Counter-Strike: Global Offensive em 2018. Em cerca de seis meses juntos, nenhum título de grande expressão foi conquistado. Por isso, os jogadores se viram na difícil situação de reestruturar a line-up para voltar ao topo do mundo.

Dentre as possíveis opções, julgando todos os empecilhos, acredito que Joao "felps" Vaconcellos é, de fato, um tiro certeiro da equipe... E digo o porquê.

Leia mais:

Opções aparentemente atrativas tornaram-se inviáveis

Sempre acreditei piamente no talento dos brasileiros para jogar um Counter-Strike de qualidade. Com mais investimentos e uma boa estrutura, nosso cenário tem potencial para ser ainda melhor do que o norte-americano. Sendo assim, não há como negar que a MIBR tinha diante de si inúmeras peças que poderiam encaixar bem no seu quebra-cabeça.

Ainda assim, apesar de existirem diversas opções aparentemente atrativas, estas acabaram tornando-se inviáveis por diferentes motivos que às vezes não estão muito aparentes. O esporte eletrônico se tornou um negócio e assim como todo mercado, ele envolve dinheiro. Portanto, além de olhar para a habilidade de algum jogador, outro fator crucial é: quanto ele custa? 

Segundo múltiplas fontes, o valor da multa de Alencar "trk" Rossato (Team One) e Kaike "kscerato" Cerato (FURIA) está entre US$ 200 mil e US$ 300 mil. Já a de felps custou US$ 150 mil aos cofres do MIBR. Uma diferença considerável, principalmente pelo fato dos primeiros configurarem muito mais como apostas, enquanto felps já se provou como jogador ao conquistar diversos títulos de primeiro escalão e atuando bem em algumas das maiores competições do planeta.

Outro nome forte no páreo era o de Lincoln "fnx" Lau. O talento do jogador no game é algo inegável no mundo inteiro, mas também não há como esquecer que os tempos são outros. Desde que saiu da SK Gaming no final de 2016, o pro player passou por Immortals, 100Thieves e Não Tem Como, saindo de todas as equipes por decisão de seus ex-companheiros, além de possuir uma baixa sequência de partidas oficiais. Confesso que é um desejo pessoal vê-lo de volta à ativa, mas ainda não é o momento do pro player na MIBR.

No meio de tantos empecilhos, a MIBR avistou felps: jovem de apenas 22 anos, extremamente talentoso, com uma multa aceitável e uma bagagem interessante nas costas. Sendo primeira opção ou não, ele é disparado a escolha mais segura e com melhor custo/benefício para a line-up.

Foto: Luminosity Gaming/Reprodução
Foto: Luminosity Gaming/Reprodução

Entrada e saída na SK Gaming

Quando falamos sobre felps na MIBR, é impossível deixar de citar a passagem do jogador na SK Gaming, que tinha a mesma line-up da atual Made in Brazil. Na época, ele levantou troféus importantíssimos como Intel Extreme Masters Sydney, ECS e ESL One Cologne - fora os de menor expressão, como CS_Summit e Dreamhack Open Summer... Todos praticamente em sequência. Um verdadeiro período vitorioso.

No lado de Contra-Terrorista, o brasileiro era uma peça fundamental. Defendia bem os bombsites e constantemente se aproveitava das smokes adversárias para fazer jogadas inesperadas e vencer rodadas praticamente sozinho. De Terrorista, a dificuldade era maior, já que seu estilo de jogo era semelhante ao de Fernando "fer" Alvarenga e, por conta disso, felps precisava se conter mais. Ainda assim, por mais que se sentisse desconfortável, era nítido seu aprendizado na nova posição.

Porém, o bom período durou pouco, e depois de quatro meses, o pro player saiu da equipe.

Em diversas entrevistas que deu, ficou nítido que a motivação da saída de felps da SK estava além do jogo. Sim, o CS fazia parte de sua insatisfação, pois ele estava jogando em uma posição que não era a sua de origem. Porém, os principais motivos se tornaram seus problemas pessoais no Brasil, que segundo ele precisavam ser resolvidos logo - fora a saudade da família e do próprio país. Inevitavelmente, tudo isso refletiu no game e também na equipe.

Ao lado de Gabriel "FalleN" Toledo, Fernando "fer" Alvarenga, Epitacio "TACO" de Melo e Marcelo "coldzera" David, felps conseguiu alcançar o sucesso e o topo do mundo. Mas na época, o seu psicológico ainda não estava forte o bastante para manter este status. Ainda assim, é importante ressaltar que o seu adeus foi decisão exclusivamente dele.

Amadurecimento dentro e fora do CS:GO

Quando estava no seu auge da SK Gaming, felps me concedeu uma entrevista e contou sobre toda a sua carreira. No início, ele se envolveu em algumas polêmicas e acabou saindo de antigas equipes por problemas de relacionamento. Ele também comentou que só começou a amadurecer de verdade na SK, pois foi lá que entendeu a importância da união de uma line-up: "Hoje eu jogo pro meu time, enquanto antigamente jogava por mim mesmo", comentou na época.

Dito isto, podemos concluir que o processo de amadurecimento de felps começou apenas em 2017, quando ele aprendeu sua primeira importante lição: trabalho em equipe. Sem dúvidas, deixar o quinteto número um do mundo daquele momento por opção própria também lhe rendeu diversos aprendizados - alguns inclusive foram postos em prática posteriormente, já que mesmo reclamando do "sacrifício da sua posição de origem" ao lado de cold, fer, FalleN, e TACO, ele acabou fazendo o mesmo em outras equipes e se saiu muito bem.

Quando chegou na SK Gaming, felps se tornou o atleta certo para manter a equipe no topo. Porém, Joao Vasconcellos ainda não estava preparado para a tarefa. Em 2019, o pro player está completo, demonstrando preparo dentro e fora de jogo.

SK Gaming campeã da DreamHack Open Summer. Foto: HLTV
SK Gaming campeã da DreamHack Open Summer. Foto: HLTV

Adições única à MIBR

O que eu espero de felps na MIBR não é o básico, mas sim uma contribuição única. A comunicação voltar a ser 100% em português e experiência são fatores muito importantes, mas outros também poderia agregar tais características. O que faz a diferença no pro player é a criatividade em rodadas chave, as famosas jogadas nas smokes e a frieza nos momentos mais tensos - coisas que precisamos ver mais na equipe brasileira.

Em 2018, vimos a Made in Brazil com jogadores de qualidade, mas que não conseguiam se encaixar de forma alguma. A consequência disso foi um grupo completamente previsível, apático e muito pouco criativo. Raros eram os momentos de reviravolta e superação, que antes eram justamente as marcas registradas dos brasileiros no CS:GO.

Com felps, o estilo de jogo imprevisível e solto deve voltar ao Brasil. Tem mais: essa é a melhor arma que esta nova formação terá contra a poderosa Astralis. Os dinamarqueses são conhecidos pelo trabalho em equipe, sincronia e táticas impecáveis. Adversários com este mesmo estilo de jogo - como a Team Liquid - eram engolidos por Nicolai "dev1ce" Reedtz e companhia. Portanto, a única maneira de quebrar esta natureza metódica e o reinado nórdico é criando e improvisando... Nada melhor do que o jeitinho brasileiro para isso.

Resumindo, felps é o elemento que faltava neste reavivamento da MIBR 100% brasileira, alegre, criativa e solta nos mapas. No comando do técnico Wilton "zews" Prado, acredito que esta escalação possui tudo que precisa para alcançar todos os seus objetivos e retomar mais uma vez o seu posto de melhor do mundo.

Mal posso esperar para que esta história finalmente comece a ser escrita.



Jairo "Foxer" Junior é redator do Versus. Siga-o no Twitter em @Foxer_JJ.

Tags Relacionadas
CS:GOFPS