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CS:GO: Por que a Astralis é o melhor time do mundo

Jairo Junior
Uma junção de fatores tornaram os dinamarqueses no que são hoje
Foto: HLTV/Reprodução
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A Astralis é inegavelmente a melhor equipe de Counter-Strike: Global Offensive do mundo e talvez a melhor da história. A coleção de troféus dos dinamarqueses só aumenta e cada vez mais todos creem que eles são imbatíveis. No torneio mais recente que disputaram, eles foram campeões no Brasil, durante a BLAST Pro Series São Paulo 2019, após derrotarem a Team Liquid por 2 a 1. A MIBR também participou do campeonato, mas saiu sem nenhuma vitória.

Afinal, qual será o segredo para todo este sucesso? Existe uma fórmula mágica? Na minha opinião, não. O que acredito, é que todo este triunfo é fruto de uma sucessão de fatores combinados, os quais irei comentar mais abaixo.

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O básico perfeito

Após ver a Astralis jogando em diversos campeonatos, cheguei à conclusão de que a maior força deles não são táticas mirabolantes e nem um estilo completamente inovador e jamais visto. Sua maior arma é "simplesmente" fazer o básico de forma perfeita.

Pode parecer estranho a primeira vista, mas perceba quantos erros triviais conseguimos enxergar em todos os times de CS:GO quando o assunto é o manual básico do game. Mesmo em alto nível, é comum vermos jogadores aparecendo quando não devem, não aparecendo quando devem, com dificuldade para revidar a eliminação do seu companheiro de imediato, não olhando cantos óbvios dos mapas e mais.

Agora veja a Astralis e tente enxergar erros banais nos dinamarqueses. É claro, ninguém é perfeito, mas posso dizer que eles beiram sim a perfeição. O básico e o trabalho em equipe já estão tão impregnados nesses jogadores, que eles praticamente não erram mais este tipo de coisa. Além disso facilitar e muito o seu próprio estilo de game, também faz com que eles consigam punir seus oponentes de maneira fácil e dolorosa. Não é à toa que Andreas "Xyp9x" Højsleth é conhecido como o "Rei do Clutch", pois ele sabe exatamente como se aproveitar destes deslizes simples dos inimigos.

Veja bem, não estou afirmando que eles não possuem ótimas táticas e não realizam nenhuma inovação. Muito pelo contrário, eles são mestres nestes dois quesitos. Entretanto, enxergo o "básico perfeito" da equipe como seu principal diferencial em relação aos demais times do competitivo.

Foto: Dexerto/Reprodução
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Menos campeonatos e mais títulos

Ao contrário da maioria das outras organizações, a Astralis apostou em uma espécie de logística em que menos é mais. O time optou por ficar de fora de vários grandes campeonatos, priorizando apenas os que eles acham mais importante dentre todos. Desta forma, eles oferecem menos material de estudo para os seus oponentes, assim como conseguem fazer preparações mais extensas, com calma e tranquilidade, além de ter tempo o suficiente para inovar. Lembrando que isto não foi algo que apenas eu percebi, pois é um assunto comentado com frequência nas redes sociais.

Acredito que a ideia é completamente válida, visto que o CS:GO tem um calendário recheado de campeonatos em todas as partes do planeta. Em diversas ocasiões, as equipes não tem nem ao menos tempo para treinar, já que gastam dias viajando de uma ponta do globo até a outra e ainda precisam descansar e lidar com o jet lag. Na prática, os dinamarqueses já provaram que a organização deles funciona.

Estrutura por trás das estrelas

Assim como em qualquer outro clube, os grandes astros da Astralis são seus atletas. Porém, a ciência me ensinou que nem todos os astros possuem luz própria. No caso do time da Dinamarca, é preciso toda uma staff por trás para que eles possam brilhar com força total.

Durante a entrevista coletiva do título da BLAST Pro Series São Paulo - a qual estive presente -, os jogadores comentaram sobre o extenso time de profissionais que os ajudam no seu dia a dia. A equipe possui psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, massagista e muito mais. Tudo para tornar o trabalho dos players menos cansativo e tornar jogar a sua única preocupação.

O CS:GO assim como todo o esport está cada vez mais profissional. Por isso, é essencial que todos os clubes invistam não só em ter bons jogadores, mas em lhes dar a melhor estrutura possível. Quem acompanha modalidades mais tradicionais, como o futebol, sabe que isso não é novidade. Na minha concepção, não há dúvida de que isso é algo que as organizações precisam enxergar urgentemente.

Psicológico e confiança

Entrando um pouco mais afundo nesta parte de equipe, quero abordar a parte dos psicólogos especificamente. É notável a confiança e o ótimo clima dentro da Astralis. Pode ter certeza de que boa parte disso é fruto de um trabalho contínuo de bons psicólogos.

O grande problema nesta questão é a cultura do nosso país, que infelizmente não valoriza este profissional como deveria. Eles são importantíssimos para pessoas comuns e ainda mais para atletas, que normalmente lidam com pressões de proporções ainda maiores.

Quando olho para a MIBR, vejo três boas contratações: Epitácio "TACO" de Melo, Wilton "zews" Prado e João "felps" Vasconcellos. No entanto, ainda falta um psicólogo que pudesse estar com eles no dia a dia e se possível até nas viagens, ao menos no início do trabalho. Enquanto isso não acontece, ponto para a Astralis que apostou na melhor opção.

O time simplesmente encaixou

O último item que quero tratar neste texto não se trata de uma análise, tão pouco de uma opinião pessoal. É apenas um fato: o time encaixou.

Querendo ou não, o Counter-Strike funciona como uma espécie de quebra-cabeça desde os seus primórdios. No jogo, trabalho em equipe e a convivência são peças chaves para o sucesso. Portanto, não adianta juntarmos as melhores e mais bonitas peças se elas não se encaixam. É preciso ter os fragmentos exatos e da maneira certa, para que haja uma sinergia, e isso aconteceu por lá após a entrada de Emil "Magisk" Reif.

Foto: HLTV/Reprodução
Foto: HLTV/Reprodução

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que vemos isso no CS. Lembro-me como se fosse ontem, quando a line-up brasileira que conquistou o primeiro Major foi formada. Gabriel "FalleN" Toledo e Fernando "fer" Alvarenga estavam lá desde o início, mas precisavam de mais três jogadores que encaixassem perfeitamente. Diversas mudanças foram realizadas ao longo dos anos e cada uma surtia um efeito melhor do que o anterior. O resultado foi a formação de FalleN, fer, TACO, cold, fnx e zews, que colocou o Brasil no topo do mundo.

Com a Astralis não foi diferente. Todos estes jogadores estão no cenário há um bom tempo, lutando e tentando formar a melhor escalação dinamarquesa possível. Depois de um grande período, eles finalmente conseguiram. O resultado? Acho que não preciso mencionar... Todos nós já estamos vendo isso a cada competição de CS:GO que é disputada.



Jairo "Foxer" Junior é redator do Versus. Siga-o no Twitter em @Foxer_JJ.

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