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CS:GO: "Não entendo o porquê de tantas críticas pela dispensa do time", diz dono da BD

Pings conta os motivos que o levaram a liberar a equipe de CS:GO masculina da Black Dragons
@foxer_jj
Jairo Junior
escreve para o Versus.
Foto: Black Dragons/Reprodução
Foto: Black Dragons/Reprodução

A antiga line-up de Counter-Strike: Global Offensive da Black Dragons foi dispensada da organização no início de julho. Após a separação, a relação entre os jogadores e a diretoria do clube ficou estremecida. Em entrevista exclusiva ao Versus, o dono e CEO da BD, Denis "Pings" Vidigal Costa, deu o seu depoimento em relação ao caso.

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Após a notícia de saída dos jogadores, Pings se disse surpreso com as críticas que ele e a Black Dragons sofreram: "Eu não entendo o porquê de tantas críticas pela dispensa do time. As pessoas ou não lembram ou não sabem que já tivemos outras quatro line-ups de CS:GO e com todas me decepcionei de alguma maneira. Uma das lines, por exemplo, contava com jogadores desta line, que na época nos trocou por uma proposta da Vivo Keyd praticamente igual à nossa. Em outra ocasião, perdemos a line indo para a Bootkamp e a vaga para jogar as finais na BGS. Na nossa segunda line, que contava com Spy e Cad, o time desmanchou por brigas internas".

"O contrário acontece com muito mais frequência e mesmo assim eu não vou na mídia reclamar", desabafou o empresário. "Fico triste que, mesmo tentando dar nosso melhor, recebemos hate (sic). Recentemente, quando houve a polêmica que o Shoowtime postou sobre a nossa line não querer remarcar partida pra ganhar de W.O., todo mundo pediu que a gente tomasse uma atitude. Quando a gente toma, recebe ódio."

De acordo com Pings, não houve nenhum tipo de briga entre a organização e os jogadores. No entanto, o elo que ligava os dois lados enfraqueceu após alguns transtornos, os quais levaram à separação.

"A relação com os jogadores sempre foi boa, principalmente com Spydaemon, Demo e Alegretti, que são pessoas que sempre admirei fora do jogo. Porém, com o passar dos meses, tiveram muitas trocas de line, conversas de alguns players com outros clubes sem nos comunicar, desempenho abaixo do esperado, entre outros probleminhas. Alguns deles me ajudou a tomar a decisão de dispensá-los".

Sobre o que foi dito sobre os contratos, Denis não desmentiu nada e confirmou o que foi veiculado na imprensa. De fato não havia um vínculo empregatício com os atletas, assim como foi dito em uma matéria publicada pelo Draft5.

"Os jogadores realmente estavam sem contrato", explica Pings. "Inicialmente por questões burocráticas e depois por insegurança, pois a line estava brigando e mudando de duas em duas semanas. Até alguns jogadores me falaram que foi bom não ter assinado nada por isso. Quando surgiu a oportunidade da CBCS, eles nos comunicaram que seria um contrato único para todas as organizações e jogadores, então estava esperando ele ficar pronto. Mas claro que eles assinariam."

Foto: Reprodução
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Mesmo sem contrato, o dono da BD garante que cumpriu com todas as suas obrigações, desde a data agendada até o valor do acordo de boca: "Nunca deixamos de pagar certinho o combinado, que era bem acima do que eles pediram pra nós inicialmente. Já começamos pagando o valor da CBCS".

"Talvez o maior problema da dispensa da line foi a proximidade do começo do campeonato. Eu realmente entendo a chateação deles, mas a minha intenção foi das melhores. Por que iríamos querer manter uma line-up sabendo que iríamos dispensá-los? Nós pagamos até o proporcional dos dias que eles ficaram no time, até o dia que dispensei."

Sobre a demora, o dono da BD explica que tentou emplacar alguns projetos. Alguns deles incluíam até mesmo a escalação antiga. Porém, no final das contas, nenhum deles foi para frente.

"Além dos motivos já citados, a demora para resolver esta questão se deu porque ainda não tínhamos certeza da line-up feminina. A nossa vontade era manter a equipe feminina e a masculina jogando campeonatos diferentes, mas não foi possível. Por último, ainda segurei os jogadores pois estava tentando encaixá-los em uma nova organização. Tentei conversar com várias, principalmente as que iriam jogar a CBCS, mas não tive sucesso nessa ajuda também."

Quando as possibilidades se esgotaram, Denis disse que explicou tudo o que estava acontecendo para alguns integrantes. Ele temia pela informação da equipe feminina vazar antes da hora, pois estava bolando um anúncio mais produzido, com vídeo e ensaio. Segundo ele, teria sido melhor agir de outra maneira:

"Eu sabia que assim que dispensasse a informação das meninas acabaria sendo vazada. Ainda assim, eu não quis dispensar eles sem explicação e chamei os que estavam disponíveis no teamspeak para conversar e contar meus planos. Achei que estava fazendo o certo, mas acabou que me arrependi. Deveria ter sido o patrão malvado que dispensa sem dar nenhuma explicação."

Foto: Black Dragons/Reprodução
Foto: Black Dragons/Reprodução

Disputando a CBCS e com a primeira equipe feminina de CS, a Black Dragons entrou em uma nova fase. A organização não acreditava no cenário unicamente feminino e sempre lutou por um misto. Porém, o próprio Pings preferiu mudar o rumo que seu clube vinha seguindo.

"A gente nunca entrou no cenário feminino por acreditar que não deveria haver divisão", falou Pings. "Perdemos essa luta já faz alguns anos, com campeonatos femininos cada vez maiores. Recentemente surgiu esta oportunidade, a qual acreditamos que poder ajudar muito o cenário e de uma forma diferente do que qualquer outra organização já fez."

Agora, um trabalho árduo de longo prazo começa. A missão é pela primeira vez o cenário brasileiro ver uma equipe totalmente feminina no nível das masculinas. Sobre isso, o CEO da BD reconhece os desafios, mas acredita em um final feliz.

"Sabemos que será difícil ganhar. Tanto nós quanto as meninas temos essa noção. A ideia é que, por ser sistema de franquia, a gente possa batalhar para fazer a line melhorar a cada temporada, mudando ou não jogadores."

Sobre a questão contratual, Pings nega que suas jogadoras possam receber menos que os homens. O empresário garantiu que "as jogadoras receberão mais e com CLT". Além disso, elas também irão morar e treinar juntas em uma gaming house, em São Paulo, próxima ao estúdio da CBCS.

Para saber ainda mais sobre o time feminino, confira nossa entrevista com as integrantes Olga "olga" Rodrigues e Amanda "dinha" Gomez.

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Jairo "Foxer" Junior é redator do Versus. Siga-o no Twitter em @Foxer_JJ.

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