O jogador está banido permanentemente de jogar Majors e Minors

Recentemenet, a MIBR anunciou que Braxton "swag" Pierce irá substituir Fernando “fer” Alvarenga durante a competição BLAST Pro Series Lisboa 2018 de Counter-Strike: Global Offensive. O brasileiro terá que passar por uma cirurgia e por isso não poderá comparecer ao evento, sendo substituído pelo norte-americano no torneio.

Com apenas 22 anos de idade, swag já viveu situações das mais diversas - algumas boas e outras... Nem tanto. De promessa número um da América do Norte para o maior escândalo de resultados que o cenário do game já viu, conheça a história do jogador, que está banido permanentemente de jogar Majors e Minors.

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Um jovem chamado Braxton Pierce

Braxton Pierce nasceu no dia 20 de setembro de 1996 em Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Durante a adolescência, ele frequentou a Ragsdale High School e foi em 2003 que o jogador teve seu primeiro contato com o Counter-Strike - muito antes do CS:GO aparecer.

Seu irmão mais velho já se divertia com o jogo de tiro e decidiu apresentar o game a Braxton, mesmo ele tendo apenas sete anos de idade na época. Foi ali que tudo começou.

Entre os 14 e 15 anos, Braxton Pierce passou a ser conhecido por outro nome: swag. Foi neste período que ele jogou seu primeiro grande campeonato em lan e deu os primeiros passos na carreira como profissional.

Poucos sabem, mas nesta mesma época, o norte-americano foi adversário de Gabriel “FalleN” Toledo durante o World Cyber Games Pan-americano de 2012. Na ocasião, ele atuava pela Ultimax Gaming, enquanto o brasileiro representava a PlayArt ao lado de lendas como Lincoln “fnx” Lau e Bruno "bit1" Lima. O confronto terminou em 2 a 1 para o Brasil, rendendo o título e US$ 5 mil em premiação ao time brasileiro.


Auge no CS:GO

Disputando cada vez mais torneios e provando seu valor a cada exibição, swag ganhava aos poucos prestígio na comunidade do Counter-Strike 1.6. Por isso, com o melancólico fim da cena competitiva do game, o jovem não demorou muito para migrar para seu sucessor: o CS:GO.

Quem passou por esta transição talvez se lembre do começo de tudo. O Global Offensive não agradou grande parte da comunidade e chegou a sofrer boicote de jogadores profissionais, porém, swag parece ter acreditado no sucesso do jogo e, desde 2012 - ano de lançamento do FPS - ele já disputava as competições do novo FPS da Valve.

O primeiro clube que Braxton defendeu neste game foi o Team Dynamic, mas sua verdadeira ascensão começou em 2013 na compLexity Gaming, onde os holofotes começaram a se voltar para as jogadas incríveis do jogador.

No coL, swag alcançou grandes resultados em campeonatos e qualificatórias norte-americanas. Além disso, provou ao mundo que podia jogar no mais alto nível ao ficar na terceira colocação da DreamHack Winter 2013 - eliminado somente pelo poderoso e posteriormente time campeão da competição, Fnatic. Ao seu lado, jogaram pessoas que se tornaram famosas no cenário posteriormente, como Spencer “Hiko” Martin, Jordan "n0thing" Gilbert e Sean "seang@res" Gares.

Em março de 2014, o pro player deixou o time da compLexity e se juntou à iBUYPOWER em uma troca entre as organizações. Este foi o melhor momento de sua carreira, no qual swag ajudou o novo time a tornar-se top 1 na América. Nesta mesma época, ele não havia nem completado seus 18 anos, mas já era tido como um nome respeitado na cena e uma das maiores esperanças de um título mundial para os Estados Unidos. Muitos esperavam, inclusive, que ele se tornasse o melhor do mundo no futuro.

Assim, a primeira colocação em competições regionais da CEVO, ESEA, FACEIT e qualificatórias para outros eventos tornaram-se rotina. Braxton encaixou como uma luva na line-up que já contava com Tyler "Skadoodle" Latham, Sam "DaZeD" Marine, Joshua "steel" Nissan e Keven "AZK" Larivière. Ainda assim, a falta de resultados internacionais incomodava.


O maior escândalo de resultados que o CS:GO já viu

Mesmo curtindo o auge, foi em 2014 que tudo desabou para o jogador.

Disputando a CEVO Professional League, a equipe NetcodeGuides.com surpreendeu a todos e venceu a iBUYPOWER por 16 a 4 no mapa Season. O time de swag era o grande favorito, mas foi completamente dominado na partida, deixando todos que assistiram perplexos. 

No esporte, é normal que aconteçam algumas “zebras”. Ainda assim, além da atuação pífia da iBP frente a uma equipe cujo nível era claramente menor, diversos lances extremamente peculiares aconteceram durante o jogo, como steel exitando em atirar em dois inimigos de costas (confira a partida completa abaixo, cujo lance citado acontece aos 11 minutos).

Uma parte da comunidade apenas aceitou o resultado, enquanto a outra logo levantou a hipótese da derrota ser proposital, o que foi descartado pouco tempo depois como “boato”.

Em janeiro de 2015, quando fãs acreditavam que aquele poderia ser o ano da América do Norte no CS:GO, a polêmica voltou à tona e explodiu de vez. O famoso jornalista Richard Lewis apurou o caso e levou a público evidências contundentes de que o resultado daquela icônica partida havia sido manipulado pelos próprios jogadores. Em parceria com um funcionário do CS:GO Lounge (site de apostas), eles descobriram que pessoas ligadas aos integrantes da iBUYPOWER apostaram quantias enormes e incomuns contra seu próprio time, faturando assim um grande número de skins.

A Valve aproveitou das evidências expostas e iniciou sua própria investigação, notando que os apostadores haviam transferido diversos itens caríssimos aos jogadores da iBP. A empresa concluiu a pesquisa e em seu site oficial deu o veredito: os envolvidos diretamente na farsa (apostadores, jogadores da iBUYPOWER e o vice-presidente da NetCode) foram banidos de qualquer evento da própria Valve, como Majors e Minors.

 Além disso, também foi recomendado que parceiros da empresa fizessem o mesmo, mas em momento algum especificaram o tempo da pena. A lista de banidos foi a seguinte: 

  • Duc “cud” Pham
  • Derek “dboorn” Boorn
  • Casey Foster
  • Sam “Dazed” Marine
  • Braxton “swag” Pierce
  • Keven “AZK” Larivière
  • Joshua “Steel” Nissan

Assim como solicitado, grandes empresas que realizavam campeonatos de CS também baniram os envolvidos. Entre elas, a ESEA, ESL e DreamHack. O único companheiro de swag a escapar das punições foi Skadoodle, já que o sniper não aceitou o lucro obtido nas apostas e por isso foi considerado inocente pela Valve.

Um ano depois do ocorrido, em 2016, após certa pressão da comunidade e de personalidades do jogo, a publisher de Counter-Strike voltou a se pronunciar sobre o caso - afinal, todos queriam saber quanto tempo duraria a punição dos banidos. A Valve foi direto ao ponto e afirmou que o banimento é permanente.


Retomando o jogo

Depois de todo o ocorrido, swag reconheceu seu erro em público e se afastou por alguns meses, mas optou por não abandonar o CS:GO. Sua volta foi promovida pela Cloud9, onde ele atuou como analista e streamer. Sua situação permaneceu sem mudanças até o final de 2016.

Em abril de 2017, o C9 precisava de um jogador substituto para jogar o CS_Summit 2, pois Skadoodle estava com uma cirurgia marcada neste período. Swag assumiu a vaga, disputou a competição e sentiu um grande prazer em voltar a fazer o que amava.

Poucos meses depois, as próprias ESEA, ESL e DreamHack anunciaram o desbanimento dos envolvidos no caso de manipulação de resultado. Swag, é claro, viu nisso a oportunidade que tanto queria para voltar ao competitivo. Por isso, deixou o Cloud9 e se juntou ao seu antigo companheiro steel e também a novas promessas para competir pela tag GX.

Desde então, ele passou pela Torqued até chegar no Swole Patrol (time que está até os dias de hoje), sempre mantendo distância de eventos ligado à Valve, como Minors e o Major, mas jogando os demais torneios.

Por que a MIBR escolheu SWAG?

A resposta para a pergunta acima é simples e foi resumida pelo próprio capitão do time, Gabriel “FalleN” Toledo, em seu Twitter: “Fala inglês, joga bem e [está] livre de burocracias contratuais”.

Na comunidade nacional, muitos perguntam por que não chamar uma promessa brasileira, como Alencar “trk” Rossato da Team oNe ou Kaike "kscerato" Cerato da FURIA. Claramente os fãs não se atentaram ao fato de ambos estarem sob contratos com suas respectivas equipes, além de possuírem seus próprios compromissos.

Já Lincoln "fnx" Lau tem o problema da barreira linguística. Seu nível de inglês é abaixo do necessário para se comunicar de forma eficaz com os norte-americanos Jacky "Stewie2K" Yip e Tarik "tarik" Celik, além de compreender as próprias chamadas do capitão, que estão sendo realizadas na língua estrangeira.

Ricardo “boltz” Prass - que estava na reserva da MIBR - é outro nome que também foi muito solicitado nas redes sociais. De fato, ele seria um bom candidato. Entretanto, ele não só foi liberado de seu contrato com a equipe, como ainda deve ser anunciado em breve pela Luminosity e possivelmente jogará a qualificatória fechada da América do Norte para o Minor das Américas - classificatória que acontece no mesmo dia do campeonato português.

Para cada opção negada, existiu um motivo por trás para que ela não fosse viável. Swag - ao contrário dos citados - estava livre de contratos, não podia participar da qualificatória para o Minor por envolver a Valve e já era próximo dos norte-americanos Jake “stewie2k” Yip e Tarik “tarik” Celik.

É verdade que, pela primeira vez, o Made in Brazil jogará com uma line-up cuja maioria dos atletas são estrangeiros... Mas essa situação não vai durar mais do que um torneio.

E você, como acha que swag performará na equipe?


Jairo "Foxer" Junior é redator do Versus. Siga-o no Twitter em @Foxer_JJ.  

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