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CS:GO: A boa e velha lan raiz ainda respira no Rio de Janeiro

Rolou até "entrega newba!"
@foxer_jj
Jairo Junior
escreve para o Versus.
Foto: Arvulic/Reprodução
Foto: Arvulic/Reprodução

No início de julho, fui convidado por um amigo, o qual chamo apenas de "Zé", para disputar um campeonato na ICE Lan Games, aqui no Rio de Janeiro. Achei interessante, pois seria minha primeira vez por lá por conta da distância da minha casa, além do fato de eu não pisar em uma lan house propriamente dita há pelo menos 10 anos. Ainda assim, um dos meus maiores ânimos naquele momento foi pensar em trabalhar, porque eu poderia produzir um conteúdo diferenciado para o Versus - sim, trabalhar com esporte eletrônico me deixou um tanto quanto… antiquado, vamos dizer.

Pois bem, após uma conversa com a redação, decidimos que eu iria até lá. A missão dos meus amigos era se divertir e chegar o mais longe possível no torneio. A minha estava mais concentrada em conhecer o ambiente, as pessoas, e relatar o que vivenciaria por lá.

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O grande dia chegou, acordei cedo, coloquei todo o meu equipamento na mochila - desde mouse até teclado, mousepad e headset - e fui ao ponto de encontro que combinei com outro amigo, o “Fire”, para uma carona. Para variar, ele atrasou uns bons quarenta minutos e eu já tinha prometido a mim mesmo que daria TK nele assim que o primeiro round começasse.

A viagem até a lan house foi longa. Creio que demoramos uma hora ou até mais. Mas como estávamos em três no carro - eu, Fire e MKN - e tínhamos o Counter-Strike como assunto em comum, a famosa resenha fluiu e assim fomos tranquilos rumo a Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Quando o GPS indicou que estávamos no local, logo avistamos uma espécie de tenda com uma galera reunida e rostos familiares - dois deles eram de Zé e “dg0”, nos esperando já há algum tempo. Pronto, o clã enfim estava formado e junto, pela primeira vez.

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MKN, Fire, Zé, DG0 e Foxer | Foto: Ice Lan Games/Reprodução
MKN, Fire, Zé, DG0 e Foxer | Foto: Ice Lan Games/Reprodução
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Nós jogamos pela tag Krakens, famosa no cenário universitário. Porém, apenas dois integrantes do time oficial estavam presentes e nós não chegamos a treinar juntos e nem nada do tipo. Estávamos no Grupo B, aguardando enquanto os times do Grupo A resolviam seus destinos na competição.

Em pouco tempo, aquele clima de lan house foi tomando conta de mim. Todas aquelas equipes reunidas falando de CS, nós cinco combinando uma coisa ou outra para o jogo e uma gritaria insana lá dentro. Confesso que o meu objetivo inicial de jornalista aos poucos foi tomado por uma vontade incontrolável de querer jogar, competir e gritar um famoso "ENTREGA NEWBA" depois de um clutch.

Após certa espera, a hora da verdade chegou. Nos colocaram em uma cabine com cinco computadores e começamos a plugar os equipamentos. Naquele momento, o frio na barriga começou a aumentar e bateu até um branco de como configurar o jogo e baixar o mapa de treino para aquecer rapidinho. Chega a ser engraçado… este tipo de coisa sempre acontece comigo: fico muito nervoso antes de algo grande, mas quando o que tenho que fazer começa de fato, qualquer pressão dá lugar a concentração e foco. No fim das contas, acredito até que o nervosismo seja algo positivo, porque aumenta o hype.

Nossa primeira partida foi contra a Família Facin, considerada favorita ao título por ter vencido os dois últimos torneios. O time deles tinha caras conhecidos, como o Lorenzo, que foi profissional do CS por algumas das maiores organizações do país, e o streamer Dan. Ainda assim, me senti à vontade jogando ali, enquanto vi companheiros mais nervosos que o normal.

Mesmo bem atrás do placar durante o jogo, o clima ficou mais leve com o tempo. Passamos a nos comunicar mais, a nos cumprimentar a cada round... e o silêncio deu lugar a algumas zoeiras - inclusive, a melhor delas foi quando chamaram o Fire de "Wave da Barra da Tijuca", pelo jeito que ele usava o fone de ouvido. Esta piada eu não aguentei, juro… No meio de tudo, passamos a jogar melhor, dominamos a segunda metade e não vencemos por pouco, no detalhe. No término do confronto, os próprios jogadores adversários vieram elogiar minha performance e aquilo foi uma vitória pessoal para mim, confesso.

No segundo confronto a pressão diminuiu e a equipe jogou fácil. Isto ficou claro quando Zé venceu um clutch 1 vs 5 e eu mesmo tive que gritar o "entrega newba" por ele. Porém, no terceiro duelo do dia, aquela intensa gritaria e provocação de lan house afetou mais o nosso grupo que o outro, e acabamos perdendo mais uma, deixando a competição.

O resultado não foi o que gostaríamos, afinal, ninguém entra para perder. Mas mesmo parecendo clichê, digo sem medo que o mais importante foi a experiência, pois foi, sim, muito mais positiva do que o esperado. Pisar de novo em uma lan house e reviver aquele clima de competição, gritaria e provocação do CS 1.6, e ainda jogar ao lado de uma galera que vejo mais pela internet do que na vida real foi único. Eu achava que lembrava da sensação, mas estava completamente enganado. Foram momentos que vou guardar comigo por muito tempo e espero repetir o quanto antes.

Equipe campeã do torneio: Koronel, Volgan, Sure, Tau e Pablito | Foto: ICE Lan Games
Equipe campeã do torneio: Koronel, Volgan, Sure, Tau e Pablito | Foto: ICE Lan Games

Se você é da velha guarda e quer relembrar aquela época, ou começou agora e quer saber mais do que eu estou falando, procure saber se há uma lan house na sua cidade. Reúna os amigos e apenas vá. Vencer ou perder será uma consequência mínima de tudo que pode ser vivenciado em um local como este. Fui pensando em trabalho, mas fui tomado por aquela atmosfera e esqueci do mundo à minha volta.

Hoje posso dizer com imensa felicidade que a boa e velha lan house raiz ainda respira no Rio de Janeiro.

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