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CS:GO: "Sempre representarei os valores da nossa cultura", diz zews a fãs brasileiros

Treinador comentou polêmica sobre Evil Geniuses "ser Brasil" ou não
@Foxer_JJ
Escrito por
Jairo Junior

Foto: Evil Geniuses/Reprodução
Foto: Evil Geniuses/Reprodução

Evil Geniuses e FaZe Clan também são Brasil no Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) por conta da presença de Wilton "zews" Prado e Marcelo "coldzera" David, respectivamente? Este é um assunto que tem gerado debate e dividido opiniões. Um grupo de torcedores segue apoiando os brasileiros seja onde eles estiverem, enquanto outros os tratam até como traidores. O próprio treinador da EG abordou o tema com o Versus e explicou sua visão diante da questão.

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Relação com as torcidas

Zews sempre fez questão de manter uma relação próxima com os fãs. Seu jeito mais receptivo e tranquilo de falar facilitou ainda mais este trabalho durante os eventos. Ainda assim, ele contou que sempre que pensa no assunto, se surpreende com o apoio que recebe.

"Minha relação com a torcida sempre foi até um choque pra mim, de tão carinhosas que as pessoas são. Eu sempre tentei enaltecer isso muito, pois em todas minhas passagens - seja LG, SK, enfim... - mesmo lá no início deram muito apoio, antes de mim até fizeram doações para ajudar... Então eu tenho consciência que eu jamais chegaria onde estou sem a torcida. Tem cobrança, tem muita coisa, mas acho que é a minoria absoluta. Quando vamos para eventos, por exemplo, o apoio é incondicional."

Agora em uma equipe norte-americana, ele reconhece que a proporção não é exatamente a mesma. Ainda assim, zews revelou que os brasileiros nunca o abandonaram."Quando se está em um time 100% brasileiro o volume é maior. Mas depois de sair, como nos esports nada nunca é às claras, tem gente que acha que saí da MIBR por opção minha ou que saí brigado com alguém... Então acaba diminuindo o volume, mas o apoio está sempre aí sim".

Mesmo não tendo o mesmo peso da torcida do Brasil, ele agora também representa uma nova região. Ele acredita que isso é normal, pois o mais importante é a identificação que as pessoas criam com um ídolo: "Não só eu, como o tarik também representa o Brasil e a América do Norte, já que ele passou pela MIBR e pegou muito carinho pela torcida. Digo isso porque quem vivencia o carinho dos brasileiros não consegue se desapegar mais, é algo totalmente diferenciado no mundo inteiro".

Não resta dúvida de qual fã é mais exigente. "A cobrança brasileira com certeza é maior!", cravou zews. "Para mim é normal, já que só o Gaules, por exemplo, bate 300 mil views na stream dele, então é muita gente assistindo. Mas cobrança é normal e acho que a torcida tem que cobrar mesmo por resultados porque é um esporte, uma competição. Não tem como um torcedor ver o time dele perdendo a vida toda e ficar tranquilo, não é assim que funciona. O único adendo é que precisa ser uma cobrança saudável e creio que esta seja a mensagem mais importante. Todo mundo vai errar, mas temos que nos expressar do melhor jeito possível sem ser agressivo e xingar, lembrando que do outro lado tem pessoas dedicando a vida para aquilo. É lógico que estar aqui tem muitos lados positivos, mas tem os negativos também como abdicar de família, da nação, namorada...", completou.

Ainda assim, isso não quer dizer que torcedores norte-americanos também não reinvindiquem resultados. Zews acredita que isso não tem relação só com as torcidas e regiões, mas também com a história por trás de cada um.

"A torcida NA também cobra, mas na época de LG e SK nós conseguimos muita coisa e depois os meninos conquistaram mais coisas sem mim, então é normal se esperar mais deles. Mal comparando, você não vai cobrar a mesma coisa do XV de Piracicaba e do Corinthians, por exemplo. Ainda mais que ficam as memórias na cabeça da torcida e é difícil desapegar disso. É até uma coisa para torcida refletir, pois expectativas criam uma nuvem negra na mente do atleta já que ele tem sempre que focar no momento. Se tiver com a cabeça no passado ou no futuro, provavelmente vai se atrapalhar."

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Zews ganhou muito pelo Brasil, inclusive dois Majors | Foto: HLTV/Reprodução
Zews ganhou muito pelo Brasil, inclusive dois Majors | Foto: HLTV/Reprodução
A torcida apoiou Zelão até mesmo quando ele precisou atuar como jogador por falta de opção | Foto: HLTV/Reprodução
A torcida apoiou Zelão até mesmo quando ele precisou atuar como jogador por falta de opção | Foto: HLTV/Reprodução

Evil Geniuses também é Brasil?

A pergunta que fica na cabeça de muitos é: a Evil Geniuses também é Brasil? Apesar do debate em redes sociais, zews vê a questão de forma mais clara e abrangente: "É inegável que a MIBR representa ainda mais o Brasil, pois todos os jogadores são brasileiros e eu nunca falarei o contrário disso. Mas eu também faço a minha parte, vamos dizer... nós sempre tentamos representar dando bons exemplos e acho que isso transcende o jogo".

Ele também lembra que apesar do seu time ter mudado de nacionalidade, ele ainda é brasileiro. "Não é só porque eu saí da MIBR que parei de ter carinho com a torcida e de representá-los, pois no final das contas eu continuo sendo brasileiro também. Não é porque estou em uma equipe norte-americana, europeia e afins que eu não continuo representando do mesmo jeito. Tenho consciência que não é a mesma coisa que a MIBR, mas acredito que sempre representarei os valores da nossa cultura".

Cabo de guerra entre torcedores contra e a favor

Para zews está claro que a EG é Brasil, em sua devida proporção. Mas para os fãs também fica claro? O coach conta que apesar de um certo cabo de guerra, a maioria ainda segue com ele e sua equipe.

"De um modo geral a torcida brasileira com certeza nos apoia, tirando os jogos contra contra times brasileiros como MIBR e FURIA. Fico feliz que muita gente ainda brinque dizendo que a EG é Brasil quando não é contra essas equipes com mais jogadores do Brasil. Claro, sempre tem um ou outro que não acha que representamos o Brasil ou até que me chamam de Judas por ter sido tirado do MIBR, não dá para agradar a todos... Mas o que sinto é o que importa e eu ainda me sinto abraçado pela torcida do nosso país".

Apesar do apoio que segue recebendo, zews também revelou que chegou a ver alguns poucos torcedores repreendendo outros que torcem pra Evil Geniuses. Ele não concordou com a atitude e explicou o porquê:

"Não é porque torcem pra EG que deixam de torcer para MIBR e FURIA. Também não é um problema torcer mais pela EG do que para equipes brasileiras, porque isso pode acontecer pela pessoa ter uma afinidade maior por algum jogador, por uma experiência que passou com ele ou qualquer coisa que aconteceu para ela ter este sentimento. Eu acho totalmente errado esse tipo de atitude de reprimir alguém que quer torcer. Posso até dar exemplo do Sean, que torce e apoia todo mundo, a paixão dele é essa, estar no meio e fazendo o barulho positivo que conseguir. Resumindo, eu acho muito 'zoada' essa coisa das pessoas acharem que algo está errado só porque não é a favor do que ela pensa. O mundo não funciona assim para nada. As pessoas precisam ver a vida de uma forma mais abrangente, principalmente neste mundo do Twitter em que todos querem se definir em 140 caracteres, sendo que já é difícil explicar um único pensamento, uma emoção e paixão então é ainda mais."

Para estas torcedores, zews pediu que refletissem sobre suas atitudes e mandou um recado, reforçando outros pontos já citados: "Quando eu falo que EG é Brasil, eu jamais estou querendo dizer que somos a seleção brasileira. Não é isso e eu sei o meu lugar. O que estou falando é que também estamos trabalhando para ir bem e simpatizamos com os valores brasileiros, seja no meu caso que venho do Brasil ou do Tarik que passou por uma equipe brasileira. Nós temos um carinho grande pelo Brasil e gostamos de representar também, nas nossas devidas proporções, pois sabemos que não é a mesma coisa. Eu gostaria muito que as pessoas nos vissem como algo aliado e que está somando à causa".

No final das contas, apesar da polêmica, zews acredita que a torcida por algum time ou pessoa vá muito além do país em que nasceu. "As pessoas sempre vão apoiar quem trabalha duro e quem tem valores, independentemente da nação, cor ou o que seja. Tanto a torcida do Brasil quanto a de fora não se diferem nisso."

Zews deixou a MIBR em 25 de março e foi anunciado oficialmente pela Evil Geniuses em 10 de abril. Esta é a segunda vez que o brasileiro passa por um time estrangeiro, sendo a primeira vez na Team Liquid.

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Zews já treinou uma equipe estrangeira antes (Team Liquid), junto do brasileiro Steelega no time | Foto: HLTV/Reprodução
Zews já treinou uma equipe estrangeira antes (Team Liquid), junto do brasileiro Steelega no time | Foto: HLTV/Reprodução
Foi na Team Liquid que ele também esteve ao lado de outro brasileiro, TACO | Foto: HLTV/Reprodução
Foi na Team Liquid que ele também esteve ao lado de outro brasileiro, TACO | Foto: HLTV/Reprodução

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