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CS:GO: Santininha não vê GirlGamer problemático para INTZ, mas entende indignação do público

Campeonato aconteceu entre 21 e 22 de fevereiro em Dubai, Emirados Árabes
@Foxer_JJ
Escrito por
Jairo Junior

Foto: Julia Zaz/Reprodução
Foto: Julia Zaz/Reprodução

O GirlGamer Esports Festival, realizado entre 21 e 22 de fevereiro em Dubai, Emirados Árabes, dividiu opiniões da comunidade de esportes eletrônicos. Por um lado, a iniciativa em si foi elogiada, já que de fato visava celebrar as mulheres nos esports, promovendo eventos e torneios de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) e League of Legends (LoL) presenciais e regionais, os quais culminaram em um Mundial com equipes de diversas partes do mundo. Por outro, os enormes atrasos da última etapa aliados à falta de informação não foram esquecidos e renderam críticas de profissionais e do público nas redes sociais.

O Versus conversou com Claudia "santininha" Santini da INTZ para trazer a opinião de quem disputou duas competições chanceladas pela GirlGamer, sendo uma delas a de Dubai. Além de comentar os erros e acertos do evento, a jogadora também comentou sobre a participação intrépida no Mundial e o que os fãs podem esperar do futuro da equipe.

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Erros e acertos do GirlGamer

No Twitter, um dos principais problemas comentados pelo público foi o Sol, que supostamente estava atrapalhando todo o andamento do campeonato em Dubai. No entanto, Santininha minimizou a ação da acalorada estrela e revelou quem foram os principais vilões.

"[O pior] foram todos problemas internos como som, problemas com as mesas, problemas com um evento que acontecia no mesmo horário e coisas que infelizmente a organização do campeonato tentou lidar da melhor maneira possivel com o que tinham no momento", explicou a jogadora. "Nada disso tinha como ser previsto para ser resolvido antes", completou.

De acordo com Santininha, no momento em que o Sol incomodou as atletas de fato, a organização do evento logo se prontificou a solucionar a questão.

"No jogo contra Assassins o Sol estava em cima de nós porque o palco não o vedava completamente. Nesta hora conectamos os equipamentos e pedimos para que arrumassem o problema do sol. Eles pegaram alguns protetores grandes e pretos e colocaram atrás dos monitores e, em seguida, o Sol já não pegava na gente. Também colocaram panos porque os protetores refletiam o telão, o que ajudou muito. Infelizmente no meio do jogo o Sol pegou no braço da naper e ela só notou no fim do jogo, pois a adrenalina não permitiu que ela sentisse aquilo no momento."

Este inclusive foi um dos momentos que Santininha fez questão de destacar, já que segundo ela, em sua extensa carreira, nunca recebeu tanta atenção da organização de um torneio: "Ninguém nunca deu tanto ouvido à gente quanto eles. Pode até ser porque estava fora do schedule, mas mesmo assim eles nos trataram de forma limpa e clara e sempre muito atenciosos. Seria uma falta de respeito eu não falar que eles foram incríveis como pessoas. O que me chamou atenção é que o foco são as garotas, outros torneios geralmente são mistos e acabam resolvendo sempre problemas no masculino e deixando o feminino de lado, mas como esse campeonato foi interamente para nós, é claro que isso não aconteceu, o que é para mim é positivo".

Apesar da experiência positiva que a INTZ teve no GirlGamer, o público no Brasil e até mesmo profissionais mostraram grande descontentamento com os atrasos e a pouquíssima informação que receberam quanto a horários de jogo, motivo dos atrasos e mais. Sobre isso, a pro player da INTZ não discorda das reclamações feitas: "Para nós que estávamos sabendo de tudo e podíamos descansar, realmente não foi tão problemático assim. Porém, para o público, acredito que ficou um ar de descaso da organização. Eu super entendo e concordo com as reclamações porque eu sei que muita gente ou não dormia ou acordava super cedo para ver nossos jogos, comprometendo muito a vida. Foi realmente um certo desrespeito com o público nesse caso, mas tenho certeza que não foi intenção deles. Ainda assim, com certeza é algo para ser repensado para as próximas edições para que esse tipo de coisa não se repita".

Santininha fez até mesmo uma pequena lista de recomendações para os próximos eventos que podem vir pela frente. "A disputa da semifinal com certeza precisa ser MD3", iniciou ela ao lembrar da derrota de apenas um mapa na semifinal. "Ter horário correto de treino e um evento interno também tornaria tudo melhor. Além disso, mesmo que problemas aconteçam em todos eventos, se tem como evitar, é bom que seja tudo revisto mais de uma semana antes e isso inclui a montagem do palco, pois ela foi feita uns três dias antes e não deu muito tempo para testar. Mas no final das contas, se fosse um palco e evento internos, acredito que tudo teria saído mais tranquilo. A ideia de jogar no palco de um evento foi sensacional, porém me parece desnecessária".

A competição e as adversárias

Depois de cinco mapas disputados, ficou decidido que a INTZ foi a 3ª melhor equipe do Mundial. Santininha conta que a preparação para o campeonato foi "uma das melhores preparações para mundial" que ela já teve e também descartou que o psicológico do elenco pudesse estar abalado, já que teve acompanhamento da psicóloga do clube antes das partidas. No final das contas, com exceção do fato que foi citado novamente da semi ser uma MD1 ao invés de MD3, os jogos perdidos tiveram a ver apenas com questões dentro de jogo e não fora dele.

"O que faltou pra gente é aprender essa mudança mais rápida do estilo do jogo delas, além de realizar uma leitura mais veloz das reações adversárias. Quando a gente começou a ter isso, era tarde demais, infelizmente."

A atleta também comentou sobre a surpresa que a Assassins causou no torneio, desbancando favoritas como a Dignitas. "Elas [Dignitas] eram o time mais treinado do campeonato e com a line-up mais constante dos últimos anos, sempre mantendo três jogadoras pilares. Por isso e também por terem ganho a edição anterior e muitos dos torneios internacionais nos ultimos anos, eram as favoritas. Porém, digo que pra mim foi uma espécie de 'semi surpresa', pois sempre achei muito mais difícil jogar contra europeias do que contra as norte-americanas. Jogar contra times que tem a Vilga é diferente, acredite... Conseguem fazer umas jogadas tanto individuais quanto em time que você não espera. Elas jogam muito no básico, mas mudam o estilo de jogo mais rápido que todos os times, além da leitura delas ser muito boa. Depois do nosso primeiro jogo contra elas eu já tinha uma ideia que elas iriam para a final e até comentei isso com meu time".

Apesar do sonhado título não ter ficado com as brasileiras, o terceiro lugar é um fato para se comemorar. Até mesmo porque esta caminhada começou ainda no Brasil, quando elas superaram as adversárias mais fortes da América do Sul para estar lá, além de ter eliminado a Carnage - representante da Oceania - no mundial. Por conta de tudo isso e mais, Santininha vê um representante nacional abocanhando títulos internacionais em breve, mas também tem ressalvas para que o cenário local se fortaleça ainda mais.

"Acredito que todos esses grandes times [paiN, FURIA, Black Dragons e mais foram citados na pergunta] tenham capacidade de bater os times la fora e nós tambem", cravou Santininha. "A diferença entre os cenários seria mais a seriedade na qual os times de lá levam o jogo. Voce vê o time ganhando de muito e elas continuam jogando sério e querendo ganhar do jeito certo - tenho até uma historia super interessante sobre a Vilga. As equipes internacionais também possuem uma mudança de ritmo de jogo e estratégias (estilo de jogo) mais constante, coisa que ainda não se vê muito no Brasil, mas acredito que os times estão crescendo e trabalhando para que isso aconteça aqui também. Fora isso, o cenário mundial e brasileiro são muito parecidos".

Futuro e história com Vilga

O GirlGamer de Dubai já passou e agora a INTZ precisa focar no Brasil e nas suas adversárias que promoveram algumas mudanças de line-ups enquanto elas estiveram fora.

"Nosso futuro será de muito treino, trabalho e luta. Vamos continuar juntas, firmes e fortes, nos dedicando cada vez mais. Nossa evolução nunca pode parar, já que o jogo muda, os metas mudam e queremos sempre ser melhor entre as melhores. Isso é uma qualidade que todas do time têm, então espero apenas evolução. Sobre o cenário feminino, este ano vão ter vários campeonatos na agenda, então já estamos treinando para eles e também os mistos."

Antes de encerrar a entrevista, Santininha fez questão de contar uma história que vivenciou com Vilga na competição. De acordo com a brasileira, ela acha importante dividir isso com todos "para o cenário ver o níivel de profissionalismo das meninas lá fora, pois ninguém desmerece o time de ninguém".

"Antes do jogo contra Assassins começar, vieram explicar que o server foi criado por eles e que não teria uma plataforma por trás. Nesta explicação eles avisaram que para pausar precisava escrever a palavra 'PAUSE' no say para todos verem. Quando precisamos pausar e escrevemos, não funcionou e estávamos perdendo por 12 a 8. Para completar, o bot ainda caiu e o servidor não salvou o round. Fomos tentar resolver com a staff e um deles falou que tínhamos duas opções: Esperar acharem o log da partida de onde parou - o que demorararia uma eternidade - ou apenas dar um round para Assassins e ter nossa economia e o placar prejudicados. Na hora respondi ao juíz: 'Você quer que eu fale para o meu time que vamos dar o jogo pra elas?' e a Vilga vendo tudo levantou a voz e disse: 'Você não vai fazer isso com ela. É irresponsavel e horrível, isso é um jogo profissional, então profissionalmente não aceitamos isso. Vamos esperar o tempo que for para vocês acharem este log, nem que a gente jogue à noite'. Ele ainda tentou retrucar que ia atrasar o campeonato e ela respondeu que não ligava e saiu. Depois de muito tempo eles não acharam e ela surgiu com a solução de pegar o log que já tinham quando os lados trocaram e todas se matarem e gastarem dinheiro no jogo até que o placar e a economia ficassem exatamente como deveriam. Naquele momento eu tive uma aula do que é fairplay e prometi que iria fazer o mesmo em todas as situações que eu tiver. Agradeço à ela por isso."

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