Street Fighter

Com a torcida a seu lado, Ricki Ortiz estabeleceu seu lugar no cenário de Street Fighter

Dos fliperamas da Califórnia para o topo dos jogos de luta
@_matheusF23
Escrito por
Matheus Oliveira
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Mesmo com diversos altos e baixos, o cenário competitivo de jogos de luta resiste com força aos ataques do tempo. Em meio a tantos ícones de um cenário competitivo que já dura décadas, uma pro player se encontra no topo dos rankings profissionais. O nome dela? Ricki Ortiz, uma das competidoras mais bem sucedidas nos esportes eletrônicos.

Nesta série de reportagens, o Versus irá te mostrar a história de jogadoras trans do cenário de eSports. Conheça também Sasha "Scarlett" Hostyn, um das melhores jogadoras de StarCraft II da história.

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O amor de Ricki pelos jogos de luta veio de sua afinidade com fliperamas. Com apenas 10 anos de idade, em meados dos anos 2000, a pro player chamava atenção de quem frequentava o Golfland Arcade, na Califórnia, nos Estados Unidos, em que derrotava adversários consideravelmente mais velhos que ela.

"Por algum motivo ninguém conseguia ganhar daquela criança", conta Joe, amigo de Ricki, em um mini-documentário produzido pela BBC que pode ser visto abaixo. "Eu era muito boa pra minha idade, isso com certeza", responde a pro player.

Foi com 13 anos que Ricki teve sua primeira experiência com campeonatos. Viajando até o Texas, ela superou seus adversários e garantiu o terceiro lugar em um campeonato de Street Fighter. "A adrenalina e meu coração batendo mais forte a cada partida me fizeram pegar gosto pela competição", lembra a jogadora no curta metragem.

Após sua estreia, ela não parou mais. Ricki decidiu mudar-se para Nova Iorque em busca de mais conhecimento sobre a comunidade, para frequentar outros fliperamas e participar de mais campeonatos. A lutadora voltou aos palcos no Evolution Championship (EVO) de 2003, onde disputou em Marvel vs. Capcom 2 e Street Fighter III: Third Strike.

Desde então, Ricki colecionou bons resultados e voltou a disputar na EVO de SSFIV anos depois, em 2010. O campeonato é conhecido por ser o maior evento de jogos de luta do mundo e possuir milhares de pessoas competindo. Ricki Ortiz nocauteou a maioria dos oponentes e conquistou o segundo lugar do torneio, derrotada somente na grande final por Daigo "The Beast" Umehara.

Até então, Ricki competia por conta própria. Sua carreira teve uma reviravolta em 2010, quando foi contratada pela conhecida organização norte-americana Evil Geniuses, tornando-se uma das primeiras competidoras a viver de Street Fighter nos Estados Unidos.

Após a boa performance em 2010, a pro player esteve entre os oito melhores colocados em quase todos os campeonatos que participou.

Em 2016, Ricki Ortiz confirmou seu lugar na Capcom Cup, principal campeonato do circuito competitivo de Street Fighter. A campanha da norte-americana no torneio impactou os espectadores, já que ela alcançou a segunda colocação no torneio, desbancando grandes ícones como os favoritos Ryota "Kazunoko" Inoue, Goichi "Go1" Kishida, Fujimura Atsushi e Tatsuya Haitani.

Na grande final, Ricki perdeu para Du "NuckleDu" Dang, outro competidor norte-americano e grande amigo pessoal da jogadora.

Hoje, após pausa na carreira em 2017, Ricki Ortiz voltou a competir. Neste ano, ela chegou ao top 8 do Final Round, primeiro evento do circuito competitivo de Street Fighter. Além disso, ela é uma grande candidata para a Capcom Cup 2018, tendo estabelecido seu lugar como uma das pro players mais conhecidas dos eSports.

Ricki anunciou sua transexualidade em 2003, e desde então sempre contou com o apoio da comunidade de jogos de luta. "Sua identidade de gênero nunca importou, o assunto quando ela jogava sempre era 'como faremos para derrotar Ricki Ortiz?'", conta Greg, amigo pessoal da competidora.

"Minha aparência não importa, ninguém liga para isso. O assunto agora é que eu cheguei nas finais da Capcom Cup", afirma Ricki Ortiz. "Nada impacta no meu jogo tanto quanto eu ser uma jogadora mais feliz."

Matheus Oliveira é redator do Versus. Siga-o no Twitter.

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