Cenário universitário: entenda como as torcidas organizadas devem mudar os eSports

Organizações estudantis já contam com uma base desenvolvida de torcedores
Foto: Reprodução/Felipe Guerra

As torcidas estão fazendo barulho no cenário universitário de eSports. Seja criando símbolos e hinos ou manifestando sua paixão, os fãs dos times estudantis estão cada vez mais organizados e prometem contagiar o mercado com novas ideias e possibilidades.

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Um dos melhores exemplos entre as competições universitárias é a torcida animada da UFABC Storm. Sempre facilmente identificáveis, os fãs da equipe levam guarda-chuvas e capas para as partidas, prometendo em alto e bom som que "o tempo vai fechar".

Felipe Freitas, fundador e presidente da organização estudantil, conta como surgiu o simbolismo por trás do termo Storm (termo que significa tempestade, do inglês): "Quando criamos o time, pensamos em diversos nomes mas não conseguíamos chegar em um consenso. Foi então que o nosso mid laner, o Raposa, simplesmente colocou 'Storm' e mandou nossa primeira inscrição em um torneio." 

A tempestade não apenas se tornou determinante para a identidade visual do time, como foi englobada pela torcida, que torce aos berros enquanto levanta seus guarda-chuvas a cada ponto marcado.

"Em um evento presencial, acredito que a torcida seja um dos fatores mais importantes e decisivos no bom desempenho de uma equipe. Eles têm a capacidade de empurrar e motivar os jogadores e isso se torna um diferencial enorme", diz Felipe. 

Guarda-chuvas e o lema "o tempo vai fechar" são a cara da UFABC Storm. Foto: Reprodução/Felipe Guerra

A identidade visual também é determinante para a torcida da Azure Jays, da UTFPR Curitiba, que usa o símbolo do Paraná como brasão.

"O nome e símbolo [da Azure Jays] são referências ao pássaro do Paraná, a gralha azul. Ela é responsável por enterrar os pinhões, assim fertilizando as sementes das araucárias", explica Mateus "Irelia" Miqueletti, fundador da organização estudantil. Ele atua hoje como analista para a Iron Hawks, time que disputa o Circuito Desafiante do League of Legends. 

O elemento da gralha é usado também pela torcida, que comparece nos eventos mesmo sem ajuda financeira de patrocinadores. "A torcida da Azure é muito bacana porque o pessoal se mobiliza e faz uma vaquinha para que todos possam ir junto para os campeonatos presenciais", revela Carlos Rangel, social media da Azure Jays. Ele explica que a comunicação com os torcedores se dá pelas mídias sociais, em que a organização convoca o público a frequentar os eventos. 

Em dezembro de 2017, cerca de 100 fãs da equipe paranaense compareceram nas finais do 2º Split do TUES, em que a Azure Jays enfrentou a UFABC Storm na final de LoL. 

Ex-coach da Azure Jays, Irelia é hoje analista da Iron Hawks, que está disputando o Desafiante. Foto: Reprodução/Felipe Guerra

Quando há gritos e ânimos elevados, há também provocações entre torcidas - que nem sempre seguem o fair play. "O relacionamento entre as torcidas [Storm e Azure] sempre foi hostil, porém por parte da Azure Jays sempre instruímos a não insultar e a não revidar quando provocados", confessa Irelia. 

Ele critica os torcedores da UFABC por incentivarem ofensas pessoais e xingamentos, algo negado por Felipe. "Como quaisquer duas grandes equipes disputando uma final, as torcidas vão se comportar como rivais mesmo, mas fora da partida não temos problema nenhum com ninguém. A Azure é uma grande equipe que possui grandes jogadores e staff", pontua o presidente da Storm.

Se um ambiente saudável e de respeito for perpetuado, mantendo distância da situação atual vista no futebol brasileiro, as torcidas organizadas nos eSports são uma novidade com potencial para abrir várias possibilidades no cenário brasileiro.

"A imagem que me vem à cabeça seria o pessoal cantando hinos e fazendo bandeiras, seria ótimo!", imagina Irelia. 



Helena Nogueira é redatora do Versus. Siga-a no Twitter.