League of Legends

Cenário universitário de eSports: da sala de aula para os jogos e vice-versa

Marcado pelos esportes tradicionais, o circuito está abrindo as portas para novas modalidades como Hearthstone, FIFA e outros.
@biaacoutinhoo
Beatriz Coutinho
escreve para o Versus.

Todo estudante sabe que uma das coisas que mais marcam a vida universitária são as disputas que acirram a competitividade entre as diversas faculdades e universidades de todo o Brasil. Vencer um torneio universitário de futebol, basquete, natação e muitos outros esportes tradicionais leva aos jogadores e à torcida a sensação de ganhar a medalha de ouro em uma Olimpíada.

Com os eSports tornando-se cada vez mais visíveis em todo o mundo, o ambiente universitário viu surgir neles uma oportunidade para alunos que dividem seu tempo entre os estudos e os MOBAS, FPSs, cardgames e outros jogos. Juntando isso ao fato de que ser um jogador profissional de eSports ainda está longe de virar uma realidade acessível e que o caminho mais comum para muitos estudantes é seguir uma carreira mais “convencional”, os torneios universitários conseguem satisfazer o desejo de jogar por um time deixando a vida acadêmica mais divertida e menos estressante.

Pensando nisso, o universitário Tomás Macul criou o TUES -- Torneio Universitário de eSports. O formando da UNICAMP sempre gostou de eSports, principalmente de Counter-Strike, e fez parte da atlética da universidade durante três anos, antes de precisar sair de lá por conta de um intercâmbio.

© Reprodução
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“Quando voltei pro Brasil eu ainda não estava estagiando e não fazia mais parte da atlética, então foi um ano meio ocioso para mim e eu pensei ‘Por que eu não junto essas duas coisas que gosto tanto?’” contou Tomás em entrevista ao Versus, que na época era cheio de amigos que jogavam, mas não tinham como competir. Junto de colegas que conheciam outros jogos, ele começou o projeto.

Tudo se concretizou quando o estudante correu atrás do Stomp Bar, em São Paulo, para que o local abrisse suas portas para os universitários na grande final do torneio. A ideia foi aceita pelo estabelecimento, mas a partir daquele momento faltava a principal das coisas: equipes para competir.

“Nossa ideia inicial era ter 16 atléticas competindo e eu tinha muito medo de não conseguir essa quantidade por a ideia ser muito nova. Comecei a bater de porta em porta nas atléticas que eu conhecia, fui conversando com outras e em menos de um mês a gente já tinha 40 instituições interessadas.”

UFABC Storm campeã de League of Legends no 1º split de 2017 do TUES - © Reprodução
UFABC Storm campeã de League of Legends no 1º split de 2017 do TUES - © Reprodução

Tomás diz que um dos pontos mais importantes para o cenário universitário ser bem aceito é o fato de que não é todos os dias que alguém do Rio Grande do Sul, por exemplo, pode jogar contra times de Minas Gerais, São Paulo ou da região Norte do Brasil. Sabendo como um novo projeto pode ser burocrático, principalmente quando envolve assuntos financeiros, a organização ajuda as atléticas a apresentarem os números e dados do torneio para diretores e corpos docentes.

“O TUES está em 11 estados e a gente não precisa de um campo de futebol, sabe? Só de um servidor online para conectar todo mundo, e quando mostramos isso para professores e diretores eles piram na ideia, percebendo como isso é sim algo grande.”

Atualmente o TUES conta com competições de League of Legends, Counter-Strike, FIFA 17, Hearthstone e Clash Royale. A grande final de cada modalidade será realizada em 2 de dezembro em local ainda a ser definido, no primeiro semestre de 2017 as decisões aconteceram no teatro da Universidade Mackenzie.

A presença dos eSports nas universidades tem até mesmo inspirado instituições de ensino a trazer inovações para o cenário, como por exemplo as bolsas de estudo. Comumente relacionadas aos esportes, elas são extremamente comuns em universidades e faculdades estrangeiras.

© Reprodução/Riot Games
© Reprodução/Riot Games

É possível perceber isso até mesmo através de filmes e HQ’s, a personagem Arlequina, por exemplo, conseguiu cursar psicologia graças a uma bolsa de esportes relacionada a ginástica. Aqui no Brasil isso ainda não acontece tanto, pouquíssimas faculdades ou universidades oferecem essa possibilidade, como o Mackenzie, em São Paulo.

Quem começou a lapidar o caminho que pode se tornar o grande objetivo de diversos estudantes foi a FUMEC, Fundação Mineira de Educação e Cultura, onde os alunos da instituição podem ganhar uma bolsa de estudos jogando League of Legends pela sua universidade. O projeto foi idealizado pelo administrador já formado, Allan Borges, e pode inspirar outras instituições a fazer algo parecido, já que essa pode ser uma chave de entrada tentadora, que une o útil ao agradável da relação faculdade/videogames de quem está saindo do ensino médio para entrar na vida acadêmica.

Você joga League of Legends, Counter-Strike ou FIFA e já está ou entrará em breve na faculdade? Busque informações que vão além da nota de corte do vestibular ou do valor das mensalidades e tente conversar com a liga atlética da instituição. Quem sabe você não vira o próximo pro player do cenário universitário?


Bia Coutinho é redatora no Versus. Siga-a no Twitter.

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