League of Legends

CBLoL: "Todos os jogadores têm emoções", diz psicóloga da RDP sobre choro de Patrick

Jogador sul-coreano lacrimejou após derrota para a paiN Gaming
@biaacoutinhoo
Beatriz Coutinho
é reporter no Versus.

Foto: Riot Games/Reprodução
Foto: Riot Games/Reprodução

A última rodada do Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) não foi boa para a Redemption. A equipe perdeu para a FURIA no sábado (1) e para a paiN no domingo (2), mas não foram só resultados ruins após uma boa estreia que surpreenderam a comunidade. Depois da partida contra a paiN, o pro player sul-coreano Im "Patrick" Jin-hyeok chorou e deixou parte dos fãs do time preocupados.

Mas afinal de contas, chorar depois de perder uma partida é normal? O que está por trás dessa expressão que costuma ser associada à fraqueza? O Versus conversou sobre o assunto com Airini Bruna, psicóloga responsável pela equipe de League of Legends da Redemption, para discutir o assunto.

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A Redemption estreou com vitória no CBLoL, vencendo a INTZ e a KaBuM! na primeira rodada do campeonato. Após perder no sábado e no domingo da segunda semana do torneio, a primeira reação de Patrick ao ver o Nexus de sua equipe ser destruído pela paiN foi chorar. Uma derrota é frustrante e nem sempre é simples de lidar.

Embora esta não seja uma cena muito comum, principalmente após uma derrota, vale lembrar que grandes lendas do competitivo como Lee "Faker" Sang-hyeok também choram, não só ao perder o Mundial de LoL, mas também ao falar sobre seus colegas de equipe.

Foto: LoL Esports/Reprodução
Foto: LoL Esports/Reprodução

Chorar é normal?

Inicialmente, Airini ficou surpresa com o choro de Patrick, mas logo reconheceu aquilo como uma reação normal. “Ele é uma pessoa que consegue expressar bem suas emoções”, disse a psicóloga. Durante a primeira semana do CBLoL, a comunidade ficou surpresa ao ver Patrick comemorando as vitórias da RDP com gritos e expressões confiantes.

Quando a alegria se transformou em tristeza os fãs novamente foram surpreendidos. Não é novidade que parte da comunidade de LoL é tóxica, com direito a comentários maldosos no chat da transmissão do CBLoL quando a câmera focou em Patrick chorando. Ainda assim, muitos torcedores também se mostraram preocupados com a reação do atirador sul-coreano.

Houve mensagens positivas e também questionamentos sobre o estado psicológico do jogador. De acordo com Airini, chorar não está diretamente ligado a um momento instável ou fraco.

“O choro nada mais é do que uma resposta fisiológica a um determinado estímulo que recebemos no nosso sistema límbico. O interessante é entender o que está por de trás dele: ele é o sistema responsável por nossas emoções e sentimentos. E são justamente essas emoções que nos fazem ter a percepção de como eu estou me sentindo diante de uma situação e também de como eu vou agir”, esclarece a psicóloga.

Airini ressalta que “muitas pessoas esquecem que pro players têm um lado humano além do profissional” e segundo ela, não existe um sem o outro. Jogadores - e qualquer pessoa - podem reagir de maneiras diferentes diante de situações de alegria, medo, tristeza, frustração, raiva, entre outras.

“Em uma derrota posso ter jogadores que se sentem tristes e choram, assim como aqueles que ficam com raiva, e outros que se sentem indiferentes. As emoções e sentimentos afetam diretamente o desempenho de alguém quando falamos em extremos, ou seja, uma pessoa que sente muita raiva, ou que fica muito triste, ou quando não sente absolutamente nada. Tirando isso, o fato de alguém expressar um sentimento precisa ser considerado como normal.”

Foto: LoL Esports BR/Reprodução
Foto: LoL Esports BR/Reprodução

O choro como tabu na sociedade

Segundo Airini, infelizmente ainda é comum que crianças sejam repreendidas em relação aos próprios sentimentos. “Quem nunca ouviu da mãe ou do pai aquele famoso ‘Engole o choro’ quando estava prestes a chorar?”. O choro, principalmente em público, ainda é tratado como um tabu.

Além disso, Airini ressalta que o choro compreende uma questão específica, principalmente ligada aos homens: “Desde muito cedo eles ouvem que chorar é coisa de gente fraca”. Segundo a psicóloga, aprendizados feitos durante a infância podem impactar a vida de uma pessoa para sempre. “É totalmente compreensível entender o porquê de existir tanta resistência em chorar e um julgamento enorme daqueles que choram. Se uma pessoa cresce em um ambiente no qual ela ouve o tempo todo que não pode chorar, é óbvio que ela terá problemas com isso”.

Por conta desses e outros fatores que um acompanhamento psicológico é tão importante. “Por meio dele, conseguimos desconstruir essas crenças que carregamos desde a infância, dando espaço à compreensão de que na verdade é muito mais saudável você saber lidar com as suas emoções e chorar quando tem vontade, do que reprimir tudo dentro de si”, explica Airini.

“Já vi muitas equipes ganhando jogos e mesmo assim saindo com um sentimento de frustração. Da mesma forma que nas derrotas sentiram orgulho do que fizeram. Tudo depende de como as coisas ocorreram dentro do jogo. O trabalho do psicólogo nesse sentido é entender cada um dos jogadores, para conseguir auxiliar no reconhecimento desses sentimentos e elaborar estratégias para que ele possa lidar com suas emoções, tentando encontrar um equilíbrio.”

Patrick e BocaJR | Foto: Riot Games/Reprodução
Patrick e BocaJR | Foto: Riot Games/Reprodução

O trabalho psicológico da Redemption

Equipes de esports começaram a investir em cuidar da saúde mental de seus pro players há alguns anos. Psicólogos como Cláudio Godoi (Team Liquid) e Natalia Zakalski (INTZ) já são conhecidos no cenário brasileiro e trabalham com grandes times.

Graças a Airini, a Redemption também conta com acompanhamento psicológico. Segundo ela, são feitos dois tipos de orientação com os jogadores: individual e em grupo.

“Nos individuais costumo trabalhar as questões pessoais e dificuldades que os atletas têm. Por exemplo: falta de confiança e nervosismo em stage. Além disso, faço o acompanhamento das metas de cada um. Nos atendimentos em grupo costumo trabalhar os pontos que a equipe apresenta como dificuldade durante a semana nos treinos e jogos. Isso varia de semana para semana. Podemos trabalhar a comunicação em uma semana e já na outra pode ser algo voltado para o controle de ansiedade.”

De acordo com a psicóloga, o foco dos atendimentos costuma estar relacionado ao rendimento da equipes nos treinos e nos jogos oficiais. Por conta disso, a comissão técnica da Redemption também tem um papel importante nesse trabalho, pois costuma sugerir e discutir quais questões precisam ser trabalhadas em grupo e com cada jogador.

Apesar de não falarem português, o atendimento de ambos os jogadores sul-coreanos da equipe não é diferente, mas exige mais dinamismo por parte de Airini. Além disso, ela procura realizar atividades que aproximem os dois dos outros jogadores fora de jogo, para que a equipe crie vínculo e sinergia.

A Redemption volta a jogar o CBLoL no próximo fim de semana. No sábado (8), a equipe enfrenta o Flamengo, e no domingo (9) joga contra a Vivo Keyd. Atualmente a equipe ocupa a quarta colocação da tabela, dividindo a posição com a paiN e a Keyd.

Confira no vídeo acima o que a equipe da Redemption disse após a derrota para a paiN Gaming.

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